Eisner sempre abriu portas para jovens cartunistas, mas sentia inveja de outros

Will Eisner (Divulgação)

Will Eisner (Divulgação)

Publicado por Veja

Acaba de chegar às livrarias, o livro Will Eisner – Um Sonhador nos Quadrinhos (tradução de Érico Assis, Globo Livros, 424 págs, 59,90 reais), de Michael Schumacher, a biografia de um dos maiores artistas dos quadrinhos de todos os tempos, o inventor da chamada arte sequencial e do termo graphic novel (romance gráfico).

Schumacher não aliviou para o criador do Spirit: mostra todos os seus méritos, mas também os seus vícios. Eisner sempre abriu as portas para os jovens cartunistas, revelando nomes como Jack Kirby, Lou Fine, Bob Kane e Joe Kubert — que admitiu primeiro como faxineiro. Mas sentia inveja do sucesso de Bob Kane, o criador do Batman. E ficou com dor de cotovelo quando Art Spiegelman ganhou um Pulitzer pelo álbum Maus. Achava que ele próprio merecia mais.

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Eisner cometeu ao menos uma grande burrada: quando era um jovem editor, em 1938, se recusou a publicar dois jovens (Jerry Siegel e Joe Shuster) que o procuraram com um dos mais rentáveis personagens de todos os tempos, o Superman. Depois, ainda deu um falso testemunho na Corte contra os autores do personagem.

“Ele era um pouco competitivo”, explica Schumacher, que falou por telefone do Wisconsin, onde vive. “Mas era um homem bom. Os judeus têm uma palavra para isso, mensch, que usavam para defini-lo. Significa íntegro.”

Will Eisner nasceu em 1917, cresceu em uma vizinhança pobre no Bronx, em Nova York, e foi jornaleiro na infância. Em 1942, passou a desenhar material gráfico para o Exército e, em seguida, material educativo, o que lhe valeu a independência econômica. Ele morreu em 2005, aos 87 anos.

O livro sobre Eisner foi lançado nos Estados Unidos há dois anos. O novo projeto de Schumacher, que acaba de chegar às livrarias americanas, é Al Capp: A Life in the Contrary, biografia de outro quadrinista famoso, Al Capp (1909-1979), criador de Ferdinando. E de quem John Steinbeck disse, em 1952, que talvez fosse “o melhor escritor do mundo”.

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