Até o dia 8 de setembro, haverá mais de 100 sessões de debates e bate-papos com autores Esta edição terá a maior leva de convidados estrangeiros, 27. Entre eles, o americano Nicholas Sparks, um dos autores mais lidos no mundo, com quase 100 milhões de exemplares de romances como "Diário de uma Paixão", "Querido John" e o recente "À Primeira Vista", traduzido para 45 línguas

Até o dia 8 de setembro, haverá mais de 100 sessões de debates e bate-papos com autores Esta edição terá a maior leva de convidados estrangeiros, 27. Entre eles, o americano Nicholas Sparks, um dos autores mais lidos no mundo, com quase 100 milhões de exemplares de romances como “Diário de uma Paixão”, “Querido John” e o recente “À Primeira Vista”, traduzido para 45 línguas

Fabíola Ortiz, no UOL

O primeiro fim de semana da 16ª Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro terminou com o saldo de 175 mil visitantes que circularam pelos três pavilhões do Riocentro, em Jacarepaguá.

Além de muitas filas para comprar livros, ir ao banheiro, lanchar na praça de alimentação e histeria na hora de tentar uma senha para ver os best-sellers, o visitante também precisou de uma boa dose de paciência para enfrentar o longo congestionamento para chegar e sair do centro de convenções.

Desde quinta-feira (28), primeiro dia da feira, até domingo (1), foram contabilizados 227 mil visitantes. O dia mais agitado na feira foi sem dúvida sábado (31) com o pico de 90 mil pessoas que circularam pelos 950 stands de expositores e acompanharam as 15 atrações e mesas de debate no Café Literário, na Conexão Jovem, Placar Literário, #AcampamentoBienal e Mulher e Ponto.

Nicholas Sparks e Thalita Rebouças autografam
O sábado foi marcado pelas seis horas de sessão de autógrafo do americano Nicholas Sparks, a representante do gênero Chick-Lit Emily Giffin, além de brasileiros como Laurentino Gomes, Mary del Priore e a dupla Thalita Rebouças e Maurício de Sousa, que inaugurou uma recente parceria no livro “Ela disse, Ele disse – o namoro”.

Hélio de la Peña falou sobre literatura e futebol e Marcelo Rubens Paiva sobre “Cinquenta Tons ou Mais” em Mulher e Ponto. A ex-Rebelde Mel Fronckowiak, 25, namorada de Rodrigo Santoro lançou no stand da Revista Capricho “Inclassificável – Memórias da estrada” sobre momentos na turnê da banda.

Já domingo, o dia ficou marcado pela presença de Corey May, roteirista dos jogos eletrônicos Assassin’s creed – um dos mais populares da atualidade com 50 milhões de cópias comercializadas no mundo e o elenco do canal de humor Porta dos Fundos. Sem contar o encontro no Café Literário do moçambicano Mia Couto, Ana Maria Machado e Luiz Ruffato. A jovem blogueira de apenas 14 anos, Isadora Faber, de o “Diário de Classe” também conversou com fãs.

E-books invadem Bienal
Para além da programação oficial e das dezenas de lançamentos de livros das grandes editoras, a Bienal contou com uma novidade que tem ganhado cada vez mais adeptos e espaço no mercado editorial. Antes marginalizados, os chamados e-books ou livros digitais entraram com força na feira de livros com editoras que lançam também obras no mundo virtual. Plataformas eletrônicas promovem o acesso fácil aos livros online como também a possibilidade de autopublicação, o que tem barateado e muito os custos de um autor ter sua obra publicada.

Pela primeira vez, a Amazon expõe em um evento literário na América Latina com sua loja Kindle que oferece dezenas de títulos, muitos dos quais gratuitos (cerca de 2.700).

Outra estreante na Bienal é a multiplataforma digital Kobo que está com seu mais novo lançamento online “O Silêncio das Montanhas” de Khaled Hosseini, que vendeu três vezes mais no seu pré-vendas em formato e-book se comparado com o livro físico.

“Muitas vezes as pré-vendas de livros digitais são maiores que o livro físico”, explicou ao UOL Wellington Queiroz, diretor de marketing da Kobo.
Enquanto existem mais de três milhões de títulos de e-books disponíveis, a maioria em inglês, apenas 16 mil livros estão em português brasileiro. A indústria do livro digital no mundo movimenta 100 bilhões de dólares por ano e, na América Latina, cerca de 5 bilhões de dólares. O Brasil é responsável por metade deste volume na região.

No entanto, o e-book representa 1,5% no mercado editorial brasileiro. A expectativa, segundo o setor, é que esta fatia ultrapasse a 15% até 2017.

Para isso, as editoras e plataformas online estão investindo em peso em divulgação como na Bienal, o maior evento do mercado editorial no Brasil.

É o caso da Kobo e da Amazon que aproveitaram a Bienal para vender a preços promocionais seus e-readers, ou leitores eletrônicos para e-books. E a concorrência tem crescido apesar de ser algo super novo pelo lado da tecnologia. Alguns leitores digitais tem alta definição e carregam até 30 mil livros, uma biblioteca ambulante.

O e-book desembarcou no Brasil em 2009, mas ainda permanecia marginalizado. “Foi uma mudança grande de paradigma. O livro digital é a democratização da literatura no Brasil. O grande desafio sempre foi a distribuição, pois o livro chegava nos estados mais afastados a preços muito caros”, disse ao UOL Camila Cabete, diretora de relações com editores da Kobo.

Por ser uma alternativa lucrativa e com menos gastos envolvendo impressão, estoque e logística, a autopublicação se tornou uma alternativa para muitos autores.

Sebos ainda atraem público
Enquanto livros digitais brigam por espaço entre novos e lançamentos nas prateleiras das grandes editoras, os sebos tentam preservar seu espaço como fonte de títulos mais baratos.

Pela segunda vez na Bienal, o Estante Virtual que reúne cerca de 1.300 sebos pelo país lançou um desafio: aquele que encontrasse um livro que não esteja em seu acervo ganhará um vale de R$100 para compras. O site oferece livros didáticos a partir de R$ 5 e da coleção do Harry Potter a partir de R$ 10.

“É difícil achar um livro que a gente não tenha. Temos uma diversidade enorme de livros novos, seminovos, usados e esgotados”, disse ao UOL Maria Eduarda Bandeira do site.

Há 8 anos, o site vende 11 mil livros por dia. Na Bienal, a perspectiva é de que 70 mil pessoas circulem pelo stand, dos quais 7 mil participem do desafio.

Palavra cruzada gigante
Para os amantes das palavras cruzadas, foi montado o maior painel interativo do mundo com três metros de comprimento por 1,2 metro de largura. Os visitantes têm o desafio de completar as 16 mil cédulas e 3.200 definições de diferentes níveis de dificuldade.

As crianças ainda têm o momento lúdico para conhecer livros interativos enquanto leem as histórias, como o “Pop-up” (da Ed. Girassol) com abas que ensinam os pequenos a criarem o seu próprio livro com dobraduras que saltam das páginas. Vale tudo, até efeitos em espiral e mecanismos sonoros para despertar o interesse do público mirim para o universo literário.

A 16ª edição da Bienal no Rio termina no próximo domingo, dia 8 de setembro.

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