Luiz Carlos Amorim, na Gazeta de São João Del Rei

Ensinar Literatura nas escolas no Ensino Fundamental implica levar o aluno a ter prazer em ler – não significa obrigá-lo a ler. Se ali não conseguirmos incutir-lhes o gosto pela leitura, o problema será muito maior quando estiverem no Ensino Médio: lerão, quando muito – e por obrigação – apenas resumos e orelhas dos livros.

A Literatura é o registro da realidade, de costumes, espaço e tempo de um povo, ainda que visto por ângulos diferentes. E aí reside a sua riqueza. Ela sempre estará associada a alguma realidade: são realidades verdadeiras, possíveis ou apenas imagináveis, dependendo do que o leitor conseguir recriar.

Isso porque sabemos que a obra literária existe enquanto lida, enquanto está sendo recriada pelo leitor. E cada leitor pode recriá-la com nuances diferentes, pessoais. Essa é a característica mais marcante da literatura ficcional. A emoção do autor, ao produzir seu texto, não será, necessariamente, a mesma do leitor ao recriá-la.

Então a leitura nos provoca emoções, nos dá referência, faz-nos refletir, pode mudar nossa maneira de pensar e até de agir. Ela é viagem pelo desconhecido, é aquisição de conhecimento, é aprendizado e exercício de criatividade, é experiência adquirida. Isso é Literatura e é isso que os nossos leitores em formação precisam buscar nas páginas de um livro. Ou de vários. O ensino da Literatura dividindo-a em “escolas”, acaba fazendo-a parecer, para o estudante, uma coisa velha, ultrapassada, sem utilidade imediata. Faz a produção literária parecer algo feito a partir de receitas, como se fosse um bolo, sem originalidade, sem criatividade.

Literatura é arte, por isso não pode ser tratada como uma disciplina estanque. Precisa ser explorada como algo dinâmico e estimulante, que alarga os horizontes de quem lê, algo que vai acrescentar subsídios para o crescimento do leitor.

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