Irmã gravava aulas presenciais e copiava em pendrive para ele assistir.
‘Exemplo’, diz secretário de Segurança, Sandro Avelar, que foi o paraninfo.

Isabella Formiga, no G1

O detento Glaucimar Ferreira dos Santos, que se formou em Administração de Empresas (Foto: Isabella Formiga/G1)

O detento Glaucimar Ferreira dos Santos, que se
formou em Administração de Empresas
(Foto: Isabella Formiga/G1)

O interno do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, Glaucimar Ferreira dos Santos, de 35 anos, recebeu nesta terça-feira (1) o diploma de nível superior de Administração de Empresas por ter concluído o curso à distância pela Faculdade Anhanguera.

A colação de grau aconteceu na própria penitenciária. A cerimônia contou com a presença do secretário de Segurança do DF, Sandro Avelar, como paraninfo.

“Ao meu ver o ensino é capaz de mudar o caráter e a vida de um homem”, afirma o detento. “Independentemente de eu viver no cárcere hoje, isso aqui é mais uma conquista, mais uma prova da minha mudança.”

Condenado a 20 anos e 4 meses de prisão por extorsão seguida de sequestro, Santos diz que estudou seis horas por dia durante quatro anos. Pelo mesmo período, a irmã e professora Glaucenira Ferreira frequentou a faculdade duas vezes por semana.

Era ela quem gravava com uma câmera digital as aulas presenciais obrigatórias. Glaucenira copiava os vídeos para um pendrive e levava para o irmão nos dias de visita na Papuda.

Antes de ser entregue ao detento, o material era analisado por agentes da polícia. Santos assistia as aulas no laboratório de informática da Papuda.

Sobre a importância da irmã, Santos diz que ela foi “101%”. “Se não fosse ela, o apoio dela e de toda minha família (…) Até por não poder estar presencialmente na faculdade, ela foi meus olhos e meus ouvidos.”

Glaucimar Ferreira dos Santos durante colação de grau na Papuda (Foto: Isabella Formiga/G1)

Glaucimar Ferreira dos Santos durante colação de grau na Papuda (Foto: Isabella Formiga/G1)

Além da ajuda da irmã, o detento contou com apoio da família para custear os estudos. Com a bolsa parcial que obteve junto ao centro de ensino, a mensalidade do curso bancada pelos familiares foi de R$ 294.

Santos diz que passou no exame no Enem em 2008 e começou os estudos no ano seguinte, depois de conseguir uma autorização da Justiça para fazer o curso. As provas eram lacradas antes de chegar à penitenciária e voltavam lacradas para a faculdade.

Independente de eu viver no cárcere hoje, isso aqui é mais uma conquista, mais uma prova da minha mudança”
Glaucimar Ferreira dos Santos, detento da Papuda que se formou em Administração

Ele só havia concluído o primeiro ano do ensino médio quando foi para o presídio, há seis anos. Como se formou pela Escola de Jovens e Adultos (EJA) e no ensino superior dentro da prisão, ele obteve a progressão da pena. Em janeiro de 2014 ele pode entrar para o regime semiaberto.

O detento diz que pretende fazer mais duas faculdades. Ele afirma que quer estudar Gestão de Pessoas e Direito. “Não é fácil, mas também não é impossível”, diz.

Exemplo
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, elogiou a iniciativa do interno de usar o tempo encarcerado para estudar. Segundo ele, muitos presidiarios preferem fazer “pós graduação e doutorado no mundo do crime”.

“Estou feliz e admirado da sua conquista”, disse o secretário. “É um exemplo extremamente valoroso”, afirmou Avelar.

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