Produção nacional terá destaque na feira, que custará R$ 18 mi ao País

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Entre as feiras de livro realizadas mundo afora, a de Frankfurt é a maior de todas, ocupando uma área equivalente a 14 campos de futebol. É a mais importante, já que é ali que se negociam os direitos dos livros que serão publicados futuramente. Seu público é formado por mais de 300 mil profissionais do mercado editorial. São 7.500 expositores de 110 países. E ela é, possivelmente, a mais curta – será aberta na quarta-feira, dia 9, e se estenderá praticamente até sexta. No sábado e no domingo, quando é permitida a entrada do público, os profissionais já estarão longe dali.

O grande desafio é aproveitar a vitrine oferecida pela Feira de Frankfurt ao escolher o Brasil como convidado de honra e promover ações contínuas de promoção da literatura nacional em outros mercados, diferentemente do que foi feito depois de 1994, quando o País também foi homenageado e não houve muito avanço na presença internacional.

Com esta homenagem, quem ganha são os autores daqui, as editoras estrangeiras – que se beneficiam das bolsas de tradução – e, em menor medida, as editoras brasileiras. O investimento maior, porém, será público.

Os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores estão gastando R$ 18 milhões na programação dentro da feira (incluindo a montagem do pavilhão onde o País homenageado se apresenta, passagem e hospedagem dos escritores, etc.) e fora dela. Desde o final de agosto, Frankfurt tem recebido shows, peças de teatro e exposições – algumas dessas atrações continuam até o início de 2014. Trata-se de algo parecido com “o ano do Brasil na Alemanha”, mas com uma diferença: o objetivo maior é promover a literatura brasileira e, por consequência, o mercado editorial nacional no exterior.

Na outra ponta, está o projeto Brazilian Publishers, parceria da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que congrega toda a cadeia do livro, e da Apex, a agência de exportação do governo, que investiu R$ 450 mil. É ele o responsável por organizar o estande do Brasil e acolher as 168 editoras participantes – outras terão espaço próprio, como é o caso da Edusp, que também vai promover debates, da Record e da Companhia das Letras, entre outras.

A CBL teve autorizada a captação de R$ 13 milhões, que, conforme disse o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Renato Lessa, em entrevista ao Estado quando assumiu o posto, poderia diminuir o investimento governamental. Procurados, FBN e MinC não responderam aos pedidos de entrevista do jornal para comentar esta e outras questões.

“A CBL teve como investimento direto na Feira de Frankfurt os custos operacionais de seus funcionários dedicados à organização do evento e o custeio da presença dos mesmos em Frankfurt. Não existe investimento financeiro direto. Não houve captação via Lei Rouanet”, informa Karine Pansa, presidente da entidade.

O estande terá 700 m² para as editoras mostrarem sua produção e para debates entre escritores e leitores. Haverá ainda uma cozinha-auditório. Pansa conta que 192 m² foram pagos pelo Brazilian Publishers e 508 m², por meio de convênio entre CBL e FBN. Quem não encontrou acolhida nesse espaço foi a Associação Nacional de Livrarias. “Queríamos apoio para ir e não conseguimos. Ligamos para a CBL pedindo a agenda oficial e fomos orientados a consultar o site. Entendemos que teríamos de ir de forma independente e estamos indo. E, quando nos pediram o logo para colocar no catálogo, não demos”, diz Afonso Martin, diretor financeiro da associação. Consultada sobre essa questão, Karine Pansa respondeu: “Acho salutar que as diferentes entidades tenham agendas próprias. Isso mostra o profissionalismo e a maturidade dos muitos segmentos do setor. Afinal, todos lutam pelo mesmo objetivo: a difusão do livro.”

O Sindicato Nacional de Editores não participa este ano. “Não há necessidade de as duas entidades organizarem o estande brasileiro, e o Snel preferiu dedicar esforços e recursos aos temas nacionais que nos impactam neste momento: lei dos direitos autorais, das biografias, os e-books, etc.”, diz Sônia Jardim, presidente da entidade.

De sua parte, a Feira de Frankfurt cedeu o espaço de 2.300 m² do pavilhão, organizou mostra com livros sobre o país, promoveu atividades profissionais com foco no Brasil na feira de 2012 e fez campanha com livreiros alemães.

 

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