Autor de ‘Cidade de Deus’ participa do evento, este ano dedicado ao Brasil, e faz eco às acusações pela falta de escritores negros do país

O escritor Paulo Lins Fabio Rossi / Agência O Globo

O escritor Paulo Lins Fabio Rossi / Agência O Globo

Publicado em O Globo

RIO – Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal alemão “Tagesspiegel”, o escritor Paulo Lins disse que a lista de autores brasileiros convidados à Feira de Frankfurt é racista e não representa o Brasil, país homenageado no evento, que começa nesta terça-feira. Único negro entre os 70 brasileiros, ele comenta a acusação feita na semana passada pelo “Süddeutsche Zeitung”de que houve racismo na seleção.

“Eu sou o único autor negro dessa lista. Em que caso isso não é racismo?”, afirma Lins, quando perguntado sobre a seleção, feita pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, pela diretora de Livro, Leitura e Literatura da Fundação Biblioteca Nacional e por Antonio Martinelli, coordenador de programação do Sesc São Paulo. “É claro que depende o quê e quem se procure, e de que concepção se tenha da literatura. Essa lista não representa o Brasil”, diz.

Autor de “Cidade de Deus”, Lins lança na Alemanha seu segundo romance, “Desde que o samba é samba”, pela editora Droemer (tradução de Barbara Mesquita), sobre o qual comenta na longa entrevista. Ele diz ainda que o Brasil conversa a contragosto sobre racismo, mas que no país os negros “só podem ser jogadores de futebol ou músicos”. “Quando eu entro num restaurante caro, há imediatamente olhares questionadores”, afirma.

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