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Forçando só um pouco a analogia, pode-se dizer que a história do humor brasileiro foi uma espécie de desnudamento progressivo, e já me explico. Ele foi deixando pelo caminho peças de roupa e adereços: o colarinho largo e o nariz vermelho do palhaço de circo, a roupagem caipira e o dente preto das duplas sertanejas (no tempo em que as duplas sertanejas eram engraçadas de propósito), a maquiagem exagerada do cômico de teatro de revista, depois os estereótipos beirando o grotesco dos humorísticos da televisão, ou as caracterizações beirando o genial de um Chico Anysio, até chegar ao humor de cara limpa, sem adereços, sem roupa diferente e sem nenhum dente faltando do stand-up.

A turma do Porta não se priva de apelar, vez que outra, para fantasias – de super-heróis, de profetas barbudos, de Jesus Cristo –, mas a maior parte do seu humor é feito por pessoas normais em roupa de todo dia (em situações anormais e dementes, é verdade, mas poderiam ser você e eu). O tal desnudamento progressivo do humorismo brasileiro que deu na geração do Porta, filha da internet, também deu na valorização da palavra, no texto acima de tudo.

Nunca antes o humor brasileiro tinha sido tão ousadamente inteligente. Só posso imaginar um prazer maior do que ler estas transcrições de sketches (ainda se diz sketches?), muitos dos quais já se tornaram clássicos: participar de uma reunião de criação da turma. Mesmo com o risco de ter que sair numa maca depois de tanto rir.

Luis Fernando Verissimo

Vamos sortear 2 exemplares de “Porta dos Fundos“.

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O resultado será divulgado dia 28/10 às 17h30 neste post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

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Parabéns aos ganhadores: Carlos Eduardo Barzotto, Fernando V. Menotti e Simone Silva. =)

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