Estudantes da tradicional escola de Design da Uerj fazem crowdfunding para financiar espaço de exposições

Projeto do pavilhão de exposições, idealizado pelos próprios alunos da Uerj Divulgação

Projeto do pavilhão de exposições, idealizado pelos próprios alunos da Uerj Divulgação

Eduardo Vanini em O Globo

RIO – Celeiro criativo do design no Brasil, a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) da Uerj pode ganhar um novo pavilhão de exposições. Alunos da instituição, que está completando 50 anos em 2013, inscreveram o projeto Esdi+50 no site de crowdfunding Catarse.me, com o objetivo de captar R$ 35 mil para construir o espaço.

Uma das pessoas por trás da iniciativa é o aluno Jonathan Nunes, de 22 anos. Ele conta que a proposta é criar um espaço efêmero, que possa ser usado por, ao menos, quatro anos. Eles criaram um projeto em parceria com o escritório de arquitetura Rua Lab, pautado na utilização de contêineres e andaimes. Esses materiais formarão um ambiente capaz de receber exposições, workshops e palestras.

– Inscrevemos o projeto no Catarse para captar R$ 35 mil, mas nossa meta é chegar a uma orçamento final de R$ 40 mil, com mobilizações que faremos junto às nossas redes – afirma o estudante.

A ideia é que espaço comece a ser construído durante o Pavão, famoso festival de cultura da escola que acontece entre 26 e 30 de novembro, e que seja concluído até fevereiro de 2013. Segundo Jonathan, o projeto partiu da reflexão sobre como a escola já contribuiu historicamente para a cidade e a vontade de resgatar essa postura.

– Queremos criar um ambiente habitável, que transforme a escola num local de referência para a produção cultural e material. Desejamos voltar a ter pessoas diferentes circulando pela unidade. Qualquer um que tenha afinidade com artes, design e até engenharia poderá estar por ali, pensando em boas iniciativas – explica.

A história da Esdi se confunde com a do design no Brasil. Sua relevância já se mostra pelos nomes de peso que estão por trás de sua fundação. Entre eles estão Karl Heinz Bergmiller e Alexandre Wollner, ainda atuantes, além de Aloísio Magalhães e Goebel Wayne. Hoje a escola reúne cerca de 200 alunos, entre graduação e pós-graduação. Em 2007, a Esdi foi listada entre as 60 melhores escolas de Design do mundo pela revista “BusinessWeek”.

Na década de 1960, as primeiras turmas que passaram pela escola já haviam construído um pavilhão de exposições, na Rua do Passeio, que foi desmontado após alguns anos. O atual diretor da Esdi, Rodolfo Capeto, relata que, na época, o espaço deu muita visibilidade à produção dos alunos e abrigou boas exposições. Resgatar essa estrutura, segundo ele, condiz com a história da escola.

– A escola foi criada em 1963, quando o design ainda era uma coisa nova no Brasil. Nos primeiros 12 anos, ela existiu de forma interdependente para só depois ser integrada à Uerj. Ainda assim, é única unidade que funciona num prédio separado da universidade. Tudo isso faz com que as pessoas sejam muito afetivas com o espaço, como se fizessem parte, na verdade, de uma comunidade de alunos – observa o diretor.

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