Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Foi juntando moedas que o carioca Otávio Júnior conseguiu chegar à Feira do Livro de Frankfurt, um sonho alimentado há anos. “Desde que me conheço por gente, ou melhor, desde que estou no meio literário, ouço falar dessa feira. Quando soube que o Brasil seria homenageado, pensei: vou nem que eu atravesse o oceano a nado. É um sonho realizado, até me arrepia”, disse o escritor, também conhecido como o livreiro do Alemão, por seus projetos de incentivo à literatura no lugar em que mora.

Maria Fernanda Rodrigues/ Estadão Otávio Júnior. Primeiro contato com livros ocorreu no lixão

Maria Fernanda Rodrigues/ Estadão
Otávio Júnior. Primeiro contato com livros ocorreu no lixão

O apelido deu título ao livro em que ele conta sua trajetória literária e que já foi lançado em espanhol e tem tradução pronta para o inglês. “Amo a literatura e meu primeiro contato com um livro foi no lixão. Depois, virei um ratinho de biblioteca”, comentou, no pavilhão do Brasil, um pouco depois de entregar um exemplar de seu livro à ministra Marta Suplicy. Ele estava ali gravando um documentário. Esse projeto, assim como sua editora, a Autêntica, que fez um adiantamento, colaboraram para sua vinda – os R$ 3.200 do porquinho, acumulados durante um ano e meio, não seriam suficientes.

Otávio Júnior é o idealizador do projeto Ler é 10 – Leia Favela, que desde 2006 vem tentando despertar o gosto de crianças e adolescentes do Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, pela literatura.

Na Feira de Frankfurt e sem agente literário, ele circula, observa, espera fazer alguns contatos. Dali, parte para a segunda etapa da viagem. “Esta é a terra dos contos de fadas, dos irmãos Grimm e de Goethe. Quero conhecer tudo.” Ele espera visitar, ainda, a casa de Anne Frank em Amsterdã e o museu do Tintim em Bruxelas.

Sua escolha turística é justificada por suas preferências e aspirações literárias. Otávio quer ser escritor de livros infantojuvenis e tem a meta de lançar 10 obras até 2020. No prelo da Autêntica, está sua coleção Lá do Beco, ambientada nas comunidades. “Percebi que as crianças da comunidade não se reconhecem nos livros e que apesar de a favela estar na novela e no cinema, ela é pouco retratada pela literatura”, disse Júnior.

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