Felipe Gatto, na SaraivaConteúdo

Ilan Brenman, Ivan Martins, Katia Canton e Paula Pimenta

Ilan Brenman, Ivan Martins, Katia Canton e Paula Pimenta

É difícil encontrar alguém que não tenha alguma boa recordação dos tempos de estudante. Colegas inseparáveis, aulas memoráveis e, principalmente, mestres especiais.

Para comemorar o Dia do Professor, o SaraivaConteúdo conversou com os escritores Juliana Frank, Paula Pimenta, Ivan Martins, Leticia Wierzchowski, Luiz Felipe Pondé, Ilan Brenman, Lira Neto e Katia Canton.

Eles abriram o baú de memórias e dividiram algumas de suas histórias da vida escolar. Os autores também nos contaram sobre obras que foram apresentadas a eles por mestres que, de certa forma, deixaram sua marca e colaboraram com a bagagem artística de cada um.

JULIANA FRANK

Alguns “gurus” estiveram presentes na trajetória de Juliana Frank, que conta o que aprendeu com cada um deles. “O grande poeta Manoel Beato me apresentou O ABC da Literatura, de Ezra Pound. Na faculdade de Letras, teve o Biagio D’Angelo, um cara que sabe bem o que é o jogo literário. Com ele, li Os Exercícios de Estilo, de Raymond Queneau. O Reinaldo Moraes, com sua literatura, me disse que a prosa demencial tem direito. Dedico a ele cada linha torta”, diz a escritora de Meu Coração de Pedra-Pomes.

Juliana Frank / Crédito/Bel Pedrosa

Juliana Frank / Crédito/Bel Pedrosa

PAULA PIMENTA

Paula Pimenta revela como começou a apreciar música clássica. “Um professor que fez diferença na minha vida foi o Guilherme Antônio. Ele me deu aula de musicalização na Fundação de Educação Artística e apresentou ‘Diabelli Variations’, as variações para piano escritas por Beethoven. Guilherme fez com que entrássemos no mundo de genialidade de Beethoven e nos fez sentir a música. Deixei aquela melodia tomar conta de mim, e ela me encheu de bons sentimentos. A partir de então, eu, que não tinha paciência com música clássica, tive outra percepção e passei a gostar”, comenta a autora de Fazendo Meu Filme.

Paula Pimenta / Crédito/ Pollyana Barro

Paula Pimenta / Crédito/ Pollyana Barro

IVAN MARTINS

As lembranças de Ivan Martins remontam a 1973, quando conheceu uma obra de Erico Veríssimo. “Marilena Matsuoka me deu aula de Português na 3ª série. Ela nos apresentou Olhai os Lírios do Campo, uma escolha original, pois a moda na época eram os romances cheios de aventuras. Mas essa obra era intimista, com cores tristes. O trecho de onde provém o título me calou fundo. Mesmo um adolescente com pouco treino na literatura foi capaz de perceber seu impacto duradouro. A escolha feita pela professora há 40 anos ecoa no que eu penso, leio e, certamente, naquilo que escrevo”, confessa o autor de Alguém Especial – Crônicas de Amor, Sexo & Outras Fatalidades.

Ivan Martins

Ivan Martins

LETICIA WIERZCHOWSKI

Leticia Wierzchowski relata a experiência de conhecer a literatura de Portugal e um de seus representantes mais gloriosos. “Quando decidi que queria ser escritora, me inscrevi na oficina literária do Assis Brasil, na PUC de Porto Alegre. Foi um período ótimo, pois o Assis era um professor extremamente generoso. Foi ele quem me disse: ‘Leia Eça de Queiroz’. O mestre era um grande admirador da literatura portuguesa. Foi um baita conselho: uma obra atemporal, genial e humana, com a qual aprendi muito. Eça é um dos meus escritores preferidos”, conta ela, que escreveu o romance Sal.

Leticia Wierzchowski / Crédito/Calin Mandelli

Leticia Wierzchowski / Crédito/Calin Mandelli

LUIZ FELIPE PONDÉ

Para Luiz Felipe Pondé, algumas de suas obras marcantes são de figuras tradicionais. “Na época do curso de formação em psicanálise na extinta Biblioteca Freudiana Brasileira, o professor Jorge Forbes me apresentou Freud e Lacan. Já na faculdade de Filosofia da USP, conheci Nietzsche com a professora Scarlet Marton; a obra de Walter Benjamim com Olgária Matos; e Pascal com o mestre Franklin Leopoldo”, lembra o autor de A Filosofia da Adúltera.

Luiz Felipe Pondé

Luiz Felipe Pondé

ILAN BRENMAN

Ilan Brenman recorda um clássico infantil e conta a emoção que sentiu quando conheceu a autora da obra. “Uma professora da 1ª série me apresentou o livro que marcou minha infância: Zero Zero Alpiste, da Mirna Pinsky. Talvez a minha escolha profissional estivesse presa naquelas primeiras páginas da minha meninice. O incrível dessa história é que depois de 30 anos dividi o palco num encontro literário com ninguém menos que a autora desse título. Fiquei emocionado ao vê-la e ao saber que a obra foi inspirada no seu filho. Hoje, escrevo muitos livros inspirados nas minhas filhas”, revela o autor de Até as Princesas Soltam Pum.

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LIRA NETO

Em sua reflexão, Lira Neto lembra-se de música e poesia. “Na 7ª série, em plena ditadura, a professora de Educação Artística, Carmen Lúcia, nos apresentou a música ‘Sinal Fechado’, de Paulinho da Viola. Sutil, a letra fala de incomunicabilidades e de interditos. Nós percebemos que nem tudo era como contavam os demais professores. Carmen despertou o interesse em discutir os rumos do país. Já no Ensino Médio, lembro do impacto que me produziu o poema ‘Navio Negreiro’, de Castro Alves, apresentado pelo professor Myrson. Os versos foram reinterpretados por nós como um libelo contra a opressão e a tirania”, explica o autor da biografia Getúlio (1930-1945): Do Governo Provisório à Ditadura do Estado Novo.

Lira Neto / Crédito/Renato Parada

Lira Neto / Crédito/Renato Parada

KATIA CANTON

A memória de Katia Canton trouxe um clássico da literatura para os pequenos, além de um poema. “Lembro-me de ficar impressionada com o livro O Menino do Dedo Verde. Na escola, falávamos da importância da natureza, mas eu queria mesmo era ter um dedo mágico daquele e transformar tudo em flores e plantas! No Ensino Médio, lembro de ouvir o professor de Português, Flávio de Giorgio, recitar ‘Tabacaria’. O poema de Fernando Pessoa na voz dele ganhou uma urgência e uma força pungente que nunca mais esqueci. Foi tudo tão intenso que, na hora de falar sobre ir à janela, Flávio debruçou-se e por pouco não caiu pelo janelão que ficava na sala”, conta a escritora de Fantasias.

Katia Canton

Katia Canton

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