Para ter a escola, ela fez bolos de madrugada, trabalhava e estudava. Após 18 anos de sucesso, ela está prestes a abrir uma segunda unidade

Mariane Rossi, no G1

Vanessa e um dos bolos que vendia na feirinha (Foto: Mariane Rossi/G1)

Vanessa e um dos bolos que vendia na feirinha (Foto: Mariane Rossi/G1)

Uma professora de Santos, no litoral de São Paulo, conseguiu construir a própria escola a partir da venda de bolos em uma feirinha da cidade. Após 18 anos de sucesso, ela está prestes a abrir uma segunda unidade com a certeza de que a educação mudou a sua vida e pode transformar a de muitas crianças.

Ainda jovem, Vanessa Lucia da Silva, tinha o grande desejo de se tornar uma professora e transformar vidas por meio da educação. Por isso, ela foi fazer uma faculdade de pedagogia e começou a trabalhar em uma pequena escola de educação infantil. Apesar disso, Vanessa queria mais. O sonho dela era ter a própria escola, onde pudesse oferecer uma educação diferenciada para as crianças.

Para alcançar esse objetivo, ela precisou encontrar uma forma de juntar mais dinheiro. A jovem resolveu vender bolos em uma feirinha da cidade nos fins de semana. “Eu não tinha condições financeiras para montar a escola. Eu fazia faculdade, dava aula em uma escolinha e na quinta-feira, de madrugada, já começava a fazer bolos”, conta ela. Ela aprendeu as receitas com a sogra e o namorado, na época, a ajudava a montar os bolos e prepará-los para a venda. “Tive que fazer na raça. De madrugada, ficávamos fazendo bolos, lavando a louça. Todos os fins de semana tínhamos que fazer 20 bolos”, lembra Vanessa.

Escola foi crescendo ao longo dos anos (Foto: Antonio Marcos/G1)

Escola foi crescendo ao longo dos anos (Foto: Antonio Marcos/G1)

Os bolos da jovem ficaram famosos. Ela conta que as pessoas faziam filas para pegar um pedaço do bolo ou até levar um inteiro para casa. “Eu chegava lá (na feirinha) e já tinha gente me esperando”, conta.  A cada bolo que Vanessa vendia, a jovem acreditava que estava mais perto de conseguir montar sua escola. Todo o dinheiro que vinha da venda dos doces, ela guardava para a única finalidade de abrir a unidade educacional. O sacrifício valeu a pena. Em dois anos, ela conseguiu juntar o valor suficiente para reformar um imóvel do pai.

A família de Vanessa se mobilizou e fez toda a reforma da casa que viria a ser a escola. “Toda a construção foi feita pela minha família. Meus irmãos, tios, meu pai. A casa era antiga do meu pai e foi reformada e ampliada”, conta ela.

O Núcleo de Recreação Infantil Castelo Mágico recebeu sua primeira turma de alunos há 18 anos. A escola abriu com apenas uma classe com 15 anos. Vanessa se virava como podia para dar conta do serviço. “Eu ficava na cozinha, era diretora, faxineira, professora”, lembra. No ano seguinte, ela já conseguiu ter o dobro de alunos. A unidade foi crescendo, funcionários foram contratados, o número de classes e alunos foi aumentando. Em 2000, no mesmo imóvel, abriu o Colégio Conhecer Escola de Ensino Fundamental. Agora, em 2013, as escolas têm 25 funcionários, recebem cerca de 150 alunos de 2 a 11 anos, do maternal ao ensino fundamental. “Não temos mais aluno por causa do espaço físico. Estamos abrindo uma nova unidade agora”, revela.

Diretora conversa com as professores sobre projetos na escola (Foto: Antonio Marcos/G1)

Diretora conversa com as professores sobre projetos na escola (Foto: Antonio Marcos/G1)

Agora, aos 38 anos, além de trabalhar com as crianças, ela também quer ensinar outros professores a terem um olhar mais sensível à sociedade. As professoras passaram a trabalhar  em um trabalho voluntário na creche da Tia Nilda, que presta um serviço assistencial à população da Zona Noroeste que vive em vulnerabilidade social. “Eu tiro uma funcionária da minha escola para auxiliar na parte pedagógica, incentivar as atividades, ajudamos com mantimentos, fraldas, roupas, leite”, conta ela”. A diretora da escola acredita que isso motiva os professores porque eles se deparam com uma outra realidade. Eles têm outra experiências e acabam dando valor para o que tem”, afirma.

A coordenadora pedagógica da escola, Stephani Lucia da Silva, de 27 anos, vive o dia a dia da escola. Ela trabalha com Vanessa há três anos e, depois que soube da história da escola, passou a admirar ainda mais o trabalho da diretora. “Nesses anos criamos um vínculo mais que profissional. Ela precisa servir de impulso para outras pessoas”, comenta.

Vanessa olha para o passado e sabe que venceu em nome da educação. Ela acredita que a vitória veio aos poucos e que foi o resultado de um trabalho em conjunto, com a participação dos pais. “Em primeiro lugar respeito aos alunos, pais e funcionários. Temos uma educação diferente. É uma escola muito familiar, damos uma atenção grande, é uma dedicação. Os pais acabam tendo um laço de afetividade muito maior. Eu falo para os pais, meus alunos eles são durante um tempo, quem vai receber esse fruto são vocês, para o futuro”, diz.

Vanessa sabe que a recompensa de anos de dedicação vem com um gesto simples, no dia a dia. “Criança quer atenção, carinho e respeito. A alegria recompensa tudo”, finaliza a diretora.

Diretora e professoras da escola (Foto: Antonio Marcos/G1)Diretora e professoras da escola (Foto: Antonio Marcos/G1)

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