Escritor lança novos capítulos de sua série mais famosa 25 anos depois da original

Publicado em O Globo

Capa de ‘Sandman Overture’ desenhada por Dave McKean Reprodução

Capa de ‘Sandman Overture’ desenhada por Dave McKean Reprodução

NOVA YORK — Algumas questões permanecem sem resposta pelo que parece ser uma eternidade. Em “The Sandman Overture”, o escritor Neil Gaiman espera responder ao menos uma que vem intrigando os fãs há décadas: como Sandman pode ter sido capturado tão facilmente? Foi a prisão de Sandman que levou Gaiman a lançar o personagem da DC na Vertigo Comics, em 1988, num movimento que empurrou o autor, o personagem e a editora a um novo nível de narrativa e de vendas.

— Teve gente como Norman Mailler descrevendo o trabalho como quadrinhos para intelectuais, abençoado seja — diz Gaiman.

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“Sandman” se manteve um queridinho da crítica e dos fãs, apesar de já terem se passado 17 anos desde que Gaiman concluiu o que ele chamava de “uma série limitada de 75 capítulos”. Agora, diz o autor, chegou a hora de entregar respostas para algumas perguntas, com o lançamento nesta quarta-feira nos EUA do primeiro capítulo de uma nova série em seis partes — ilustrada por J.H. Williams III —, que ele “vinha esperando há 25 anos para escrever”.

Gaiman disse que não foi difícil voltar a “pedalar essa bicicleta”, mas agora o público é muito maior. Imagine, disse ele, “se a primeira vez que você pedala uma bicicleta está sozinho”, mas então, “gradualmente algumas pessoas começam a dizer, ‘Olha, eu gosto da forma como ele pedala’”.

— Foi um fenômeno pequeno, orgânico, mas com o passar dos anos sua pedalada se tornou uma espécie de lenda. Agora, você está num mundo onde 25 milhões de pessoas dizem, “Ai, meu Deus, ele vai subir na bicicleta!”. É natural que você fique nervoso quanto a sua habilidade.

Rich Johnston, escritor de quadrinhos e cronista da indústria, escreveu em seu site Bleeding Cool que Gaiman “escreve pela força do artista e em ‘Sandman Overture’ isso significa desenhar o impossível, uma flor que lembra Morpheus, sonha com sonhos e uma página quádrupla que se abre, retratando todos os aspectos do sonho no universo.”

Gaiman lembra que o retorno é também uma espécie de reunião. Dave McKean, desenhista da primeira fase, criou capas alternativas e o letrista Todd Klein também está de volta.

“Estou muito orgulhoso pois os personagens são os meus personagens, a história é a minha história e acho que a arte de J.H. Williams’ é provavelmente a melhor que já vi em quadrinhos periódicos”, comemora o autor.

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