Listamos dez gibis que poderiam não ser publicados caso o Código Civil brasileiro valesse em todo o Mundo

Ramon Vitral na revista Galileu

Editora Globo

Franz Kafka ilustrado pelo cartunista Robert Crumb (Foto: divulgação)

O estrago seria imenso caso a batalha das biografias alastrasse para o mundo das histórias em quadrinhos. Se o Código Civil brasileiro valesse ao redor do mundo em relação à exigência de autorização dos biografados ou seus familiares antes da publicação de uma obra, alguns clássicos recentes dos quadrinhos poderiam não ter sido publicados.

Além de autobiografias aclamadas do gênero, como Persépolis, de Marjane Satrapi, e Retalhos, de Craig Thompson, há uma imensa leva de gibis contemporâneos protagonizados por artistas, atletas, personalidades históricas e pessoas próximas aos autores das obras. Listamos alguns quadrinhos que poderiam não ter acontecido caso a lei brasileira fosse padrão no mundo.

Maus, de Art Spielgeman (Companhia das Letras): vencedor de um Prêmio Pulitzer especial em 1992, o quadrinhos narrado pelo autor conta a história de seu pai Vladek Spielgeman (1906-1982), um judeu polônes sobrevivente do holocausto.

Kiki de Montparnasse (Record), de Cate e José-Louis Boucquet: a vida da atriz, cantora, pintora e modelo francesa Alice Prin (1901-1953) foi contada nessa biografia focada principalmente nos anos da artista como musa do bairro parisiense de Montparnasse.

Che – Os Últimos Dias de um Herói (Conrad), de Hector Oesterheld e Alberto Breccia: lançado em 1968, em seguida à morte de Che Guevara (1928-1967), a HQ resultou em problemas para seus autores, que passaram a ser perseguidos pelo governos ditatoriais de seus países.

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O Zen de Steve Jobs (Devir), de Caleb Melby: o quadrinho foca na relação entre Steve Jobs (1955-2011) e um de seus gurus, o monge zen budista Kobun Chino Otogawa (1938-2002), mostrando como o fundador da Apple aplicou nos seus negócios os ensinamentos de Kobun.

Kafka de Crumb (Desiderata), de Robert Crumb e David Zane Mairowitz: mistura de ensaio com quadrinhos, o álbum narra a vida e adapta alguns trechos de livros do escritor Franz Kafka (1883-1924), autor de clássico das literatura mundial, como O Processo (1925).

Johnny Cash: Uma Biografia (8Inverso), de Reinhard Kleist: o quadrinista alemão Reinhard Kleist utilizou canções do músico Johnny Cash (1932-2003) para narrar passagens importantes da vida do cantor, como uma apresentação numa penitenciária em 1968.

O Boxeador (8Inverso), de Reinhard Kleist: do mesmo autor da biografia de Johnny Cash, o gibi conta a história de Hertzko Haft (1925-2007), um judeu polonês que começou sua carreira de boxeador no campo de concentração de Auschwitz.

A Arte de Voar (Veneta), de Antonio Altarriba e Kim: biografia do pai do autor, o quadrinho narra a vida de Antonio Altarriba pai a partir de seu suicídio, em 2001, e sua participação an Guerra Civil Espanhola e na resistência francesa na 2ª Guerra Mundial.

Fun Home (Conrad), de Alison Bechdel: a quadrinista conta a vida de seu pai, Bruce Bechdel, um professor de inglês de ensino médio e dono de uma casa funerária que escondeu sua homossexualidade durante toda a vida e se matou aos 44 anos.

Você é Minha Mãe? (Companhia das Letras), de Alison Bechedel:Seis anos apôs expor a relação com seu pai, Bechdel apresentou a história de sua mãe, uma atriz amadora de teatro, e a dinâmica do relacionamento entre elas.

 

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