Incentivo à leitura e monitoria de alunos também foram importantes

Publicado no Midia News

A diretora Sibele Lopes passou 15 dias nos Estados Unidos e voltou a MT com prêmio

Investimento na qualificação dos professores, projetos criativos voltados para o bem da comunidade e incentivo à leitura. Ações como essas levaram a Escola Estadual “Luiza Nunes Bezerra”, de Juara (709 km ao norte de Cuiabá), ao título de escola com melhor gestão do Brasil em 2013.

O trabalho de aprimoramento do ensino-aprendizagem é feito pela instituição desde 1990, de modo contínuo, e vem sendo reconhecido por meio de prêmios e bons índices de desenvolvimento da educação. A escola – que não aderiu à greve este ano – tem índice zero de evasão e metas ousadas para a redução do índice de alunos que necessitam de aulas de reforço.

Confira a entrevista com a diretora da escola, Sibele Lopes, que voltou de Brasília nesta sexta-feira (1º) com o troféu da 14ª edição do Prêmio Gestão Escolar.

Quais foram os critérios avaliados no prêmio gestão escolar?

Foram avaliados quatro aspectos: pedagógico, administrativo, gestão de pessoas e gestão de alunos. São quatro aspectos importantes que regem diariamente as nossas ações dentro da escola. Para participar desse prêmio é feito um diagnóstico de perguntas e respostas avaliando a instituição em todos os seus aspectos. Escrevemos um projeto com base nas respostas e mandamos para a assessoria pedagógica, a assessoria pedagógica analisa e manda para a Secretaria de Estado de Educação que manda o projeto para o Ministério da Educação.

Em que a escola mais se destacou?

Foram um conjunto de aspectos positivos como evasão escolar zero, participação da comunidade diariamente nos projetos que a escola desenvolve e, principalmente, o projeto ‘Sala do Educador’ que acontece semanalmente na escola desde 1990.

Como funciona o projeto Sala de Estudos?

Os professores se reúnem semanalmente para discutirem desafios que são elencados no início do ano. É realizada uma coletânea com todos os aspectos necessários, com tudo o que é preciso estudar, e os métodos para enfrentar cada problema durante o ano. Discutimos por quatro horas toda semana para que os professores consigam adequar a proposta pedagógica a realidade dos alunos.

Quais as vantagens deste projeto?

Ele é nosso carro chefe, a menina dos nossos olhos, porque é nele que temos a possibilidade de discutir as nossas dificuldade e traçar as metas que devemos atingir. Não é à toa que nosso Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) vem dando ótimos resultados. No último índice tivemos 6.7 no quinto ano e 6.3 no nono ano – ultrapassando a meta brasileira que era de 4.6 (1º ao 5º ano) e 3.9 (6º ao 9º ano).

Quais os outros projetos da sua escola que merecem destaque?

Temos três projetos importantíssimos. O primeiro é o de educação ambiental “Nossas Mãos Podem Salvar o Planeta – LIXO transformado em arte”. A iniciativa ganhou um prêmio nacional do Instituto Akatu, organização não-governamental que trabalha pela conscientização para o Consumo Consciente. O projeto é realizado por uma professora que pega resíduos plásticos, como embalagens de xampus e amaciantes, corta em pedacinhos e os alunos trabalham com mosaico. Eles estudam determinadas temáticas e transformam esse conhecimento em uma imagem do que eles estudaram.

Dentro deste projeto é realizada a coleta dos plásticos. Uma comunidade carente de Juara recolhe, prensa e vende para transformar em renda. É também um projeto de cunho social e solidário. A escola também funciona como ponto de coleta para resíduo de óleo que seria jogado na natureza. As mães cadastradas passam, recolhem, fazem sabão, vendem e transformam em verba para ajudar no sustento da família.

O segundo projeto é a “Sala de Leitura”. Nele as crianças vão todos os dias para determinada sala para fazer leitura livre e trocar ideias sobre os livros, com o apoio de um auxiliar. Os alunos fazem um resumo que precisam apresentar. Às vezes eles fazem paródias, teatro e jograis, depende do que os professores decidirem na semana pedagógica. Tem dado bons resultados. Os nossos alunos, que antes não tinham o gosto pela leitura, adoram. Hoje temos uma biblioteca muito bem montada e os alunos gostam de estar lá. Quando a biblioteca está fechada todos reclamam e pedem para abrir.

Outro projeto importante e que tem sido um marco em nossa escola é “O estudante solidário”. Neste os alunos que estudam no período oposto vêm ajudar no contraturno. Tomar leitura dos menores, ajudar na quadra com as atividades esportivas e na horta pedagógica. É uma monitoria que ajuda muito a escola.

Como vocês alcançaram o índice zero de evasão escolar?

É um trabalho formiguinha. Como viemos nos destacando, o compromisso dos profissionais dessa escola é muito grande, sem falar dos nossos bons índices no Ideb. Por isso temos muita procura por vagas, temos até lista de espera. Então os pais têm muito cuidado para que seus filhos não percam a vaga. Quando têm faltas sempre ligamos para os pais e perguntamos o que está acontecendo. Esclarecemos que se ele ficar faltando muito vai perder a vaga. Ligamos, mandamos mensagem, ligamos para o conselho tutelar. Mas a base é a qualidade na educação. Esse ano muitos queriam tirar filhos das escolas particulares para colocar em nossa escola.

Quais os outros prêmios que a escola vem conquistando?

Ficar em primeiro lugar no estado já foi uma grande vitória para a gente. A reforma que há muito tempo esperávamos foi um dos prêmios; uma viagem do prêmio sobre o meio ambiente do Instituto Akatu, além de alguns prêmios locais pela participação em algumas ações de empresas. E agora esses R$ 30 mil que ganhamos por temos sido escolhidos a escola pública com a melhor gestão no Brasil.

O sindicato madeireiro de Juara fez um concurso para premiar os melhores desenhos de natureza e nossa escola participou com o maior número de trabalhos. Ganhamos o data show e o aluno ganhou uma câmera digital. Em todas as oportunidades estimulamos os nossos alunos a mostrarem o que sabem fazer para a sociedade.

Desde quando realizam ações para melhorar a educação?

Essa escola tem um histórico de longa data. Eu assumi a escola em março deste ano, mas já acompanhava o trabalho realizado. A instituição sempre buscou melhorar o ensino e a aprendizagem. Esse é o nosso foco. Quando atuamos na formação continuada, quando atuamos diretamente com aluno, quando nos preocupamos com a merenda escolar, o foco é sempre a melhoria do ensino. Esse prêmio não foi conquistado de uma hora para outra. Esse investimento na formação acontece desde 1990 e começou a ser reconhecido a partir de 2005 quando os índices do Ideb mostraram bons resultados. A escola iniciou as atividades em 1983 e desde 1990 tem tido um trabalho mais intenso de formação continuada, traçando metas.

Para os próximos anos quais são as metas?

No início deste ano foi traçada meta para reduzir os índices de “Progressão com Plano de Apoio Pedagógico” – PPAP. No Estado não temos mais a nota e sim a Progressão Simples – PS, quando o aluno consegue se desenvolver; e o PPAP, quando o aluno precisa de reforço. Quando o aluno está com PPAP ele precisa do apoio do professor e de um articulador. Queremos que estes alunos consigam melhorar seus índices. Em 2011 estávamos com um índice de 13% de PPAP, ano passado caiu para 6,5%, e nossa meta é reduzir para abaixo de 4% até o final de 2014.

Qual o apoio do governo de Mato Grosso para a escola?

A secretaria de educação é sempre um apoio. Ali dentro temos contato com todos os profissionais. Não temos privilégio em relação às outras escolas, mas devido ao prêmio conseguimos agilizar o nosso processo de reforma e ampliação da escola. Tudo o que pedimos somos muito bem atendidos.

Quais os planos para o prêmio de R$ 30 mil?
Temos em vista alguns projetos como investir um pouco mais na musicalidade, comprar instrumentos musicais. Temos uma sala de projetos que precisa ser mobiliada. Acho até que esse dinheiro não vai dar para tantos projetos!

Como foi a viagem para aos EUA com os representantes de outras escolas do Brasil?

Os 27 gestores de cada estado que se destacaram no prêmio Gestão Escolar ganharam uma viagem para os Estados Unidos. Visitamos por 15 dias a cidade de Waxhaw, na Carolina do Norte. Nestas duas semanas tivemos dias intensos de muito trabalho. Íamos a entre três e quatro escolas por dia, acompanhando as aulas, olhando o trabalho da equipe, o espaço físico. Também visitamos escolas de educação especial. Foram muitas coisas que vimos. A estrutura física é muito boa. Os alunos não sujam, a sala é acarpetada, eles têm muitos livros e muita organização. Também participamos de reuniões que definiam a legislação para a educação. Lá vi todos juntos, comunidade e professores, brigando pela causa.

O que a escola mais absorveu?

Gostei muito de ver o chamamento da família para a escola e a participação da comunidade. Vi também a questão do comprometimento dos profissionais com a educação. E questões como organização da sala de aula, quantidade de material. Certamente vou tentar fazer algumas adequações parecidas.

O ministro da Educação anunciou uma bolsa de mobilidade para oferecer aos gestores escolares que forem destaques. Como você avaliou essa iniciativa?

Nós vamos nos informar mais sobre este assunto, mas espero que venha a somar. Porque toda experiência que temos fora abre os horizontes e serve para aprender coisas incríveis que podem ser adequada à realidade da sua escola, na medida da sua realidade, sempre para melhorar.

 

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