Chico Felitti na Folha de S.Paulo

Enquanto Roberto Carlos e Caetano Veloso lutam para que artistas tenham o direito de decidir se sua biografia pode sair ou não, Rita Cadillac espera sentada o livro com a história de sua vida chegar às livrarias.

A dançarina de 59 anos permitiu que Jefferson Gorgulho Peixoto escrutinasse sua vida e a colocasse no papel. Cadillac inclusive deu várias entrevistas a Peixoto nos últimos cinco anos e até deixou o autor acompanhar a gravação de um dos filmes pornográficos que estrelou.

“Mas mato ele com uma bundada, se não gostar do resultado”, brinca a chacrete, rindo. Isso porque ela não quer ver o trabalho em andamento. “Ele que conte da maneira que ele acha que deve. É a visão dele, não a minha”, explica Rita da casa onde mora, em Santana (zona norte da cidade).

A biografada e o biógrafo se conheceram por causa do dr. Drauzio Varella, que escreveu “Estação Carandiru”, livro que narra o dia dia da cadeia e traz cenas com Cadillac dançando para os presidiários. Peixoto é genro de Varella e ficou obstinado por retratar a trajetória da carioca.

“Já tinham proposto fazer biografias antes”, conta ela, “mas ficava só na palavra, para lá e para cá. Ele de fato foi atrás e está trabalhando muito”.

Se ela espera um naco das vendas, outro cavalo de batalha de Roberto Carlos e companhia? “É o livro dele, é claro que vou ganhar uma parte. É claro que tem que ter [participação].”

Rita Cadillac participa da gravação da novela da TV Record, ‘Dona Xepa’

 

A sãopaulo conversou com o biógrafo da dançarina, Jefferson Gorgulho Peixoto. Leia trechos abaixo.

Como nasceu a ideia de biografar a Rita?
O interesse por Rita vem de muito tempo. Em 2002, eu fui pesquisador de um documentário sobre o fechamento da Casa de Detenção. Ela deu uma das entrevistas mais fortes do filme, algo que ninguém esperava, no meio de uma cerimônia com autoridades e clima de festa. Achei aquela mulher muito interessante, mas só a procurei para escrever o livro em 2007. De lá para cá, sempre tive minha empresa de comunicação como atividade principal, a pesquisa do livro (e ainda está sendo feita) em finais de semana, férias, e algumas paradas que me forcei a fazer na rotina.

Como ela reagiu ao convite?
Rita gostou da ideia desde o início, e nunca fez nenhuma objeção à minha pesquisa. Na verdade, ela sempre disse que só quer ler o livro depois de pronto.

Quantas entrevistas fez (ou fará ainda) no processo?
Minha lista está com 84 nomes.

Ficou acordada alguma remuneração à Rita?
Não.

Já tem título?
“Rita de Cássia Cadillac”, por enquanto. Quero lançar no ano que vem, quando ela completa 60 anos.

A biografia aborda os filmes adultos, trecho da vida que ela já se recusou a abordar em entrevistas?
Sim, inclusive cheguei a acompanhar uma gravação. Reitero que ela não colocou qualquer objeção aos temas que eu estou abordando no livro.

Como você vê a polêmica envolvendo o grupo Procure Saber e a liberdade de biografia?
Só vejo, um motivo suficientemente forte na posição da Procure Saber para fazer com que essas pessoas manchem suas biografias com a tinta da censura: o econômico. Talvez, eles tenham uma ideia de que o nosso mercado literário vá se transformar em algo parecido com o que acontece nos EUA e na Inglaterra, onde há uma quantidade enorme de biografias não-autorizadas. Acho que eles gostariam de controlar tudo o que é produzido sobre eles, e ganhar mais com isso.

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