Conferências do escritor foram editadas em áudio-livro após quase 50 anos

Jorge Luis Borges Daniel Merle / Arquivo

Jorge Luis Borges Daniel Merle / Arquivo

Publicado em O Globo

MADRID — As conversas de Borges sobre o tango permaneceram quase meio século na obscuridade, mas agora foram finalmente reveladas. A Casa do Leitor e a Fundação Jorge Luis Borges coeditaram um áudio-livro com cinco horas de gravação feitas em Buenos Aires, em 1965. As fitas foram doadas pelo escritos Bernardo Atxaga à Casa do Leitor.

Na manhã desta terça-feira, a viúva de Borges, María Kodama, explicou em Madrid, na Espanha, que as fitas repetem a estrutura encontrada nos contos do livro “O Aleph”: “Parte de algo e vai abrindo (o tema) e te leva para outras coisas. Para Borges o conhecimento era isso, não era algo rígido ou enclausurado.”

Apesar do domínio que mostra nas conferências sobre o tango, Borges não costumava escutá-los em casa: “Dizia que era um surdo musical, não se sentava para escutar o música, ainda que gostasse de jazz, gospel, música medieval e Brahms. Beethoven, no entanto, ele achava muito barulhento, contou Kodama, pouco antes da audição dos trechos de conferências.

César Antonio Molina, diretor da Casa do Leitor, sugere que o tango é uma “desculpa para falar do mundo”. Em suas falas, Borges cita Walt Whitman, Homero e Mark Twain. E deixa entrever como gostava pouco de Gardel.

“Não o ataca diretamente, é irônico, mas reconhece o seu valor”, diz Molina.

O autor de “História universal da infâmia” prefería os tangos da vleha guarda e as milongas. Em sua opinião, Gardel havía degenerado essa música. “Dizia que havia tornado (o tango) sentimental e chorão”, relembra María Kodama.

Trechos da conferência podem ser ouvidos no site do jornal espanhol El País.

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