Em entrevista ao G1, João Paulo Cuenca fala sobre escolha de escritores.
XI edição do evento começa nesta sexta-feira (8) e vai até domingo (17).

Danutta Rodrigues no G1

João Pauo Cuenca é curador do Café Literário da Bienal do Livro Bahia (Foto: Danutta Rodrigues/G1)

João Pauo Cuenca é curador do Café Literário da Bienal do Livro Bahia (Foto: Danutta Rodrigues/G1)

Um espaço de reflexão sobre a identidade brasileira através da Bahia. Esse é o objetivo do romancista João Paulo Cuenca com a realização dos debates no espaço Café Literário da XI edição da Bienal do Livro Bahia.

O evento, que começa a partir desta sexta-feira (8) e vai até o dia 17 de novembro, em Salvador, no Centro de Convenções, em Salvador, vai ser palco do encontro de grandes nomes da literatura nacional e local, entre eles, João Ubaldo Ribeiro, José Carlos Capinam, Antônio Risério,  Zuenir Ventura, Antônio Torres e João Filho, e a escritora mexicana Guadalupe Nettel.

Curador do Café Literário, João Paulo Cuenca escolheu nomes de diferentes gerações para compor um dos espaços de maior destaque da Bienal do Livro da Bahia. Para a abertura do Café Literário nesta segunda-feira (8), a partir das 19h30, Cuenca elencou José Carlos Capinam e Antônio Risério, dois poetas baianos que vão falar sobre o tema O Brasil a partir da Bahia, com mediação de Miguel Jost.

Em entrevista ao G1, Cuenca também destacou a escolha dos mediadores, que, para ele, é fundamental para a condução do debate. “Eu fiz questão de escolher pessoas que eu confio e que vão encaminhar o debate para lugares interessantes. O Miguel Jost é um acadêmico do Rio de Janeiro, um dos curadores do centenário de Vinícius, e a Josélia Aguiar é uma jornalista fantástica daqui (de Salvador), biógrafa do Jorge Amado e vai participar de uma mesa junto com o Mário Magalhães, biógrafo do Marighella. Então, eu acho muito importante essa figura do mediador porque eu estou fazendo mesas e participando de sessões literárias há mais de dez anos e eu já vi muitas delas serem jogadas fora porque o mediador também não sabe conduzir o debate”, conta Cuenca.

Além dos nomes tradicionais da literatura, uma das mesas que, segundo Cuenca, promete refletir sobre os últimos acontecimentos do país, terá Bruno Torturra e Rafucko, sob mediação de Paulo Werneck, com o tema Brasil 2013 – Mídia Ninja e Ativismo Online. “Achei importante chamar o Bruno Torturra, que é o homem da mídia ninja e o Rafucko, um cyber ativista. Eles vão passar os vídeos deles e vão abrir esses vídeos para debate, vão falar da mídia hoje em dia. Eu acho que eu quis também que a Bienal fosse quente. Eu não acho que os livros têm que ser separados da realidade”, revela João Paulo Cuenca.

Homenagem
Para Cuenca, falar de identidade nacional e cultura brasileira é falar sobre a afro-descedência, que estará presente em todas as mesas da Bienal.

“O nosso Brasil começa aqui nesse lugar, quando cinco milhões de escravos negros da África desembarcaram aqui. Se a gente está falando de cultura brasileira, de identidade nacional, a gente não pode deixar de falar da afro-descendência. Está no nosso DNA cultural. Isso vai estar presente em todas as mesas que discutir esse tema, vai estar presente na mesa de Antônio Risério e Capinam, na do João Ubaldo, vai estar presente na mesa de Antônio Torres, na mesa da Ana Maria Gonçalves e do Haroldo Costa. Não dá pra fugir desse tema”, disse João Paulo.

Para a literatura baiana, o curador fez questão de incluir grandes nomes do cenário local. Segundo Cuenca, a Bienal do Livro poderia ser feita apenas com autores baianos, mas o interessante também é trazer nomes para incrementar as discussões e proporcionar o encontro com outros escritores. “Não dá pra fazer todos baianos porque também eu acho interessante que venham pessoas de fora, mas poderia ser feito também só com autores baianos. É interessante abrir um panorama. E um panorama para quem está, pra quem vai à Bienal pra ver as mesas e pra mim também. Eu vou aprender em cada um desses debates, e vou ouvir novos nomes e novas indicações para que eu faça um trabalho ainda mais interessante na próxima vez que me convidarem”, conclui.

Território Jovem
A 11ª Bienal do Livro da Bahia também reserva um espaço voltado para o público adolescente. Na abertura do espaço, a partir das 18h, o escritor Fabrício Carpinejar vai abordar o tema Borralheiros e Borralheiras: Consultório Sentimental. A curadoria do espaço é a poeta, autora de livros infantis, ensaísta e professora de literatura Suzana Vargas. (No vídeo ao lado, confira a entrevista com a curadora do espaço sobre a escolha dos temas e autores).

Para ela, o Território Jovem vai funcionar como um programa de entrevistas e vai abordar temas como drogas, relacionamentos, bullying e cyberbullying, Copa do Mundo e religião. Entre os destaques está a participação da escritora e Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, que vai conversar com os jovens sobre os Orixás do cotidiano.

Baú de Histórias
Para as crianças, a programação especial do espaço Baú de Histórias terá o livro como protagonista de um espetáculo teatral. Com o objetivo de seguir a tradição dos “griots” (narradores africanos), as histórias serão contadas através de peças de teatro. O espetáculo vai unir a lingguagem da contação com adereços cênicos. (No vídeo ao lado, a curadora do Baú de Histórias fala mais sobre o espaço).

 

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