Comum no início do século XX, livros com governos controladores e falta de liberdade voltaram às livrarias e conquistaram o gosto dos jovens que, céticos, não se identificam mais com finais felizes

Personagem Katniss (Jennifer Lawrence), em cena do filme 'Jogos Vorazes: Em Chamas' - Divulgação

Personagem Katniss (Jennifer Lawrence), em cena do filme ‘Jogos Vorazes: Em Chamas’ – Divulgação

Raquel Carneiro, na Veja

Nos últimos anos, os best-sellers da literatura infantojuvenil vêm gradativamente ganhando tons mais escuros. Do resgate dos vampiros pela série Crepúsculo aos personagens enfermos da chamada sick-lit, o mercado de livros para jovens se aquece com histórias que, à medida que abdicam de enredos e finais felizes, ultrapassam também as prateleiras das livrarias e se transformam em bilheterias milionárias no cinema. Pelo mesmo caminho, segue o filão da literatura distópica, aquela com histórias contrárias às utopias: o cenário é quase sempre um mundo em frangalhos, a partir do qual o futuro é projetado de forma negativa, sem esperanças. São séries como Feios, Destino e  Divergente, outra a caminho do cinema, além de Jogos Vorazes, a maior estrela do grupo, que na próxima sexta-feira, 15 de novembro, faz no Brasil a estreia mundial de seu segundo longa, Em Chamas.

Em comum, essas sagas têm protagonistas adolescentes acossados por governos totalitários e ambientes violentos. Além de boa vendagem, claro. Juntas, as séries já tiveram mais de 800.000 exemplares comercializados no Brasil, especialmente a partir de março de 2012, quando a história da americana Suzanne Collins, com Jennifer Lawrence à frente, chegou às salas de exibição. Jogos Vorazes, sozinha, teve meio milhão de livros vendidos no Brasil (confira mais números na lista abaixo). A série até hoje figura entre as 20 primeiras na lista dos livros mais vendidos de VEJA. De carona no lançamento do segundo filme da franquia, que chega aqui antes do restante do mundo, a Rocco, editora dos livros no país, vai lançar nesta semana um box digital com os três títulos originais, de uma vez.

“Os jovens leitores imaginam a possibilidade de estar inseridos em uma sociedade que cerceará sua liberdade pessoal. Como isso acontece em determinadas partes do mundo, a ficção se torna verossímil”, explica Ana Martins, gerente editorial da Rocco Jovens Leitores, responsável no Brasil pelas sagas Jogos Vorazes e Divergente.

Durante as manifestações ocorridas no Brasil em junho, era comum encontrar nas ruas — e em fotos sorridentes postadas nas redes sociais —, adolescentes segurando cartazes com as frases “Toda revolução começa com uma faísca” e “Se nós queimarmos, você queimará conosco!”, ambas retiradas da trilogia Jogos Vorazes.

Com o sucesso de vendas, outros títulos no estilo estão previstos para chegar ao Brasil, que já conta com pelo menos sete representantes importantes do filão. A Galera Record, que editou no Brasil a série Feios, a primeira a desembarcar por aqui, em 2010, junto com Jogos Vorazes, tem agendado para o fim deste mês o lançamento de Eva, saga da autora Anna Carey, em que homens e mulheres vivem segregados e atuam em campos de trabalho forçado. Em 2014, a Rocco lança a distopia sobrenatural Bone Season (ainda sem título em português), da jovem autora inglesa Samantha Shannon.

As distopias infantojuvenis que são destaque no Brasil

As obras abaixo estão avaliadas em uma escala de 0 (nota mínima) a 5 (máxima)

'Jogos Vorazes' Composta pelos livros Jogos Vorazes, Em Chamas e A Esperança, a trilogia distópica escrita pela americana Suzanne Collins foi lançada em 2008 nos Estados Unidos e em 2010 no Brasil. É a mais bem sucedida do filão, com mais de 50 milhões de cópias impressas vendidas nos Estados Unidos e 500 000 exemplares no Brasil. A história se passa em um futuro sombrio e apresenta o país fictício de Panem. Localizado onde atualmente é a América do Norte, ele é formado por 12 distritos e pela Capital, sede do governo ditatorial que limita a liberdade e impõe deveres a cada região. Para validar o seu poder, uma vez por ano a Capital promove os Jogos Vorazes, um reality show televisado em que 12 pares de jovens, entre 12 e 18 anos, são sorteados em cada distrito e levados para uma arena onde devem lutar até a morte. Entre os selecionados, está Katniss, que se voluntaria para participar dos jogos quando a sua irmã de 12 anos é sorteada. Ao demonstrar coragem desde esse momento, a jovem de 16 anos se torna um símbolo para a população cansada de viver sob o regime totalitário. Ao longo dos três livros, ela se torna, como diz um trecho de um dos volumes, a fagulha que inicia a revolução pela liberdade de Panem. Jogos Vorazes (tradução de Alexandre D'Elia, Rocco, 400 páginas, 39,50 reais) Em Chamas (tradução de Alexandre D’Elia, Rocco, 416 páginas, 39,50 reais) A Esperança (tradução de Alexandre D’Elia, Rocco, 424 páginas, 39,50 reais) Classificação: 5

‘Jogos Vorazes’
Composta pelos livros Jogos Vorazes, Em Chamas e A Esperança, a trilogia distópica escrita pela americana Suzanne Collins foi lançada em 2008 nos Estados Unidos e em 2010 no Brasil. É a mais bem sucedida do filão, com mais de 50 milhões de cópias impressas vendidas nos Estados Unidos e 500 000 exemplares no Brasil. A história se passa em um futuro sombrio e apresenta o país fictício de Panem. Localizado onde atualmente é a América do Norte, ele é formado por 12 distritos e pela Capital, sede do governo ditatorial que limita a liberdade e impõe deveres a cada região.
Para validar o seu poder, uma vez por ano a Capital promove os Jogos Vorazes, um reality show televisado em que 12 pares de jovens, entre 12 e 18 anos, são sorteados em cada distrito e levados para uma arena onde devem lutar até a morte. Entre os selecionados, está Katniss, que se voluntaria para participar dos jogos quando a sua irmã de 12 anos é sorteada. Ao demonstrar coragem desde esse momento, a jovem de 16 anos se torna um símbolo para a população cansada de viver sob o regime totalitário. Ao longo dos três livros, ela se torna, como diz um trecho de um dos volumes, a fagulha que inicia a revolução pela liberdade de Panem.
Jogos Vorazes (tradução de Alexandre D’Elia, Rocco, 400 páginas, 39,50 reais)
Em Chamas (tradução de Alexandre D’Elia, Rocco, 416 páginas, 39,50 reais)
A Esperança (tradução de Alexandre D’Elia, Rocco, 424 páginas, 39,50 reais)
Classificação: 5

'Divergente' Escrita pela americana Veronica Roth, a trilogia formada pelos livros Divergente, Insurgente e Convergente foi lançada em 2011 nos EUA e chegou no ano seguinte ao Brasil, onde o terceiro título é previsto para março. A saga apresenta uma falsa utopia: a sociedade descrita como ideal, na verdade, se mostra ineficiente e com alto controle sobre a liberdade de seus indivíduos. A nação foi dividida em cinco facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. Seus representantes possuem funções e trabalhos voltados para o perfil de cada grupo. Muitos nascem e crescem dentro de uma facção e lá permanecem para o resto da vida, mas aos jovens adolescentes é oferecida, uma única vez, a oportunidade de troca. Os que optam pela mudança são proibidos de viver com a família. Se não forem aceitos pela nova comunidade, que os testa, podem ser expulsos e abraçar uma existência de marginalidade e miséria, em que não pertencerão a nenhum grupo. A protagonista Beatrice, de 16 anos, decide sair de seu grupo na tentativa de se encontrar em outro. No caminho, ela descobre que é divergente, adjetivo usado para designar pessoas que não podem ter a mente controlada pelos soros de simulações aplicados pelos líderes (oficiais ou não) de cada facção. A característica deve ser mantida em segredo para que ela possa sobreviver. A saga ganhou uma adaptação cinematográfica com as atrizes Shailene Woodley e Kate Winslet, prevista para março de 2014. No Brasil, os dois primeiros livros venderam juntos mais de 50 000 exemplares. Mesmo não sendo uma obra-prima da literatura, consegue prender o leitor graças à criatividade da autora e ao desenvolvimento dos personagens. No entanto, o texto é repetitivo, o que atrapalha a narrativa Divergente (tradução de Lucas Peterson, Rocco, 504 páginas, 39,50 reais) Insurgente (tradução de Lucas Peterson, Rocco, 512 páginas, 39,50 reais) Classificação: 4

‘Divergente’
Escrita pela americana Veronica Roth, a trilogia formada pelos livros Divergente, Insurgente e Convergente foi lançada em 2011 nos EUA e chegou no ano seguinte ao Brasil, onde o terceiro título é previsto para março. A saga apresenta uma falsa utopia: a sociedade descrita como ideal, na verdade, se mostra ineficiente e com alto controle sobre a liberdade de seus indivíduos. A nação foi dividida em cinco facções: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. Seus representantes possuem funções e trabalhos voltados para o perfil de cada grupo. Muitos nascem e crescem dentro de uma facção e lá permanecem para o resto da vida, mas aos jovens adolescentes é oferecida, uma única vez, a oportunidade de troca. Os que optam pela mudança são proibidos de viver com a família. Se não forem aceitos pela nova comunidade, que os testa, podem ser expulsos e abraçar uma existência de marginalidade e miséria, em que não pertencerão a nenhum grupo.
A protagonista Beatrice, de 16 anos, decide sair de seu grupo na tentativa de se encontrar em outro. No caminho, ela descobre que é divergente, adjetivo usado para designar pessoas que não podem ter a mente controlada pelos soros de simulações aplicados pelos líderes (oficiais ou não) de cada facção. A característica deve ser mantida em segredo para que ela possa sobreviver.
A saga ganhou uma adaptação cinematográfica com as atrizes Shailene Woodley e Kate Winslet, prevista para março de 2014. No Brasil, os dois primeiros livros venderam juntos mais de 50 000 exemplares. Mesmo não sendo uma obra-prima da literatura, consegue prender o leitor graças à criatividade da autora e ao desenvolvimento dos personagens. No entanto, o texto é repetitivo, o que atrapalha a narrativa
Divergente (tradução de Lucas Peterson, Rocco, 504 páginas, 39,50 reais)
Insurgente (tradução de Lucas Peterson, Rocco, 512 páginas, 39,50 reais)
Classificação: 4

'Destino' A história de Destino, primeiro livro da trilogia da americana Ally Condie, lançada em 2010 nos EUA e no Brasil, se passa num futuro em que a humanidade vive dentro de parâmetros que beiram a perfeição -- outra falsa utopia. Todos têm bons empregos, as cidades são limpas e organizadas, a comida é entregue diariamente em cada casa em porções ideais e quentes, a saúde vai bem, obrigada e as pessoas praticam exercícios físicos. O governo, chamado de Sociedade, controla cada passo dos cidadãos, cria cronogramas para o trabalho e indica a profissão que todos devem seguir, a hora em que podem se divertir (a liberdade do cidadão se limita à escolha de uma opção de entretenimento de uma lista com duas ou três), a pessoa com quem irão se casar e o momento em que devem morrer. A personagem principal, Cassia, é feliz com o sistema. Aos 17 anos, ela é convocada para o Banquete do Par, onde conhecerá aquele que será seu futuro marido. A surpresa deixa a vida, que ela já achava perfeita, ainda melhor: o seu melhor amigo, Xander, é o seu prometido pela Sociedade. A suspeita de que algo está errado por trás de tanta perfeição surge apenas quando o avô da jovem precisa ser morto, já que chegou a hora determinada para ele pelo governo. Antes de receber a aplicação de uma injeção letal, ele entrega a ela poemas do passado, censurados. A leitura a intriga e, em seguida, um erro no sistema do seu computador faz com que Cassia descubra que o seu par predestinado, na verdade, era o colega de escola Ky. Com o coração dividido e algumas palavras de revolução, a garota começa sua caminhada a uma custosa liberdade. Destino é seguido pelos livros Travessia (2012) e Conquista, lançado no Brasil em setembro. Juntos, os títulos totalizam mais de 20 000 cópias vendidas no país. A trilogia teve os direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Disney. Destino (tradução de Lívia de Almeida, Suma de Letras, 240 páginas, 29,90 reais) Travessia (tradução de Renato Marques, Suma de Letras, 280 páginas, 32,90 reais) Conquista (tradução de Elise Olímpio, Suma de Letras, 356 páginas, 39,90 reais) Classificação: 3,5

‘Destino’
A história de Destino, primeiro livro da trilogia da americana Ally Condie, lançada em 2010 nos EUA e no Brasil, se passa num futuro em que a humanidade vive dentro de parâmetros que beiram a perfeição — outra falsa utopia. Todos têm bons empregos, as cidades são limpas e organizadas, a comida é entregue diariamente em cada casa em porções ideais e quentes, a saúde vai bem, obrigada e as pessoas praticam exercícios físicos. O governo, chamado de Sociedade, controla cada passo dos cidadãos, cria cronogramas para o trabalho e indica a profissão que todos devem seguir, a hora em que podem se divertir (a liberdade do cidadão se limita à escolha de uma opção de entretenimento de uma lista com duas ou três), a pessoa com quem irão se casar e o momento em que devem morrer.
A personagem principal, Cassia, é feliz com o sistema. Aos 17 anos, ela é convocada para o Banquete do Par, onde conhecerá aquele que será seu futuro marido. A surpresa deixa a vida, que ela já achava perfeita, ainda melhor: o seu melhor amigo, Xander, é o seu prometido pela Sociedade.
A suspeita de que algo está errado por trás de tanta perfeição surge apenas quando o avô da jovem precisa ser morto, já que chegou a hora determinada para ele pelo governo. Antes de receber a aplicação de uma injeção letal, ele entrega a ela poemas do passado, censurados. A leitura a intriga e, em seguida, um erro no sistema do seu computador faz com que Cassia descubra que o seu par predestinado, na verdade, era o colega de escola Ky. Com o coração dividido e algumas palavras de revolução, a garota começa sua caminhada a uma custosa liberdade. Destino é seguido pelos livros Travessia (2012) e Conquista, lançado no Brasil em setembro. Juntos, os títulos totalizam mais de 20 000 cópias vendidas no país. A trilogia teve os direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Disney.
Destino (tradução de Lívia de Almeida, Suma de Letras, 240 páginas, 29,90 reais)
Travessia (tradução de Renato Marques, Suma de Letras, 280 páginas, 32,90 reais)
Conquista (tradução de Elise Olímpio, Suma de Letras, 356 páginas, 39,90 reais)
Classificação: 3,5

'A Seleção' A trilogia iniciada em 2012, ano do lançamento nos EUA e no Brasil, é composta pelos livros A Seleção, A Elite e A Escolha -- único ainda não publicado por aqui, ele é previsto para maio. De autoria da americana Kiera Cass, é uma das mais leves entre as atuais distopias infantojuvenis. Uma mistura de reality show casamenteiro com a magia dos contos de fadas, a saga conta a história da jovem America, que vive em uma monarquia absolutista, com a sociedade dividida em castas, sem mobilidade social. Numeradas, as castas apresentam indivíduos com diferentes graus de instrução, funções e condições financeiras. A jovem protagonista faz parte da casta 6, uma classe pobre e designada para artistas. Há duas formas de uma garota mudar de posição social. A primeira é ela se casar com alguém de uma casta acima. Outra é ser escolhida para a Seleção, um reality show que confina no castelo do rei 35 garotas com o intuito de conquistar o coração do príncipe. America se cadastra no programa para que sua família receba os benefícios do governo e para fugir do ex-namorado, que partiu seu coração. Com teor de conto de fada, os livros adotam um tom mais político quando America tenta mostrar ao príncipe a realidade da pobreza vivida pelas camadas mais baixas da sociedade. Ela, por sua vez, descobre que além dos limites da cidade existem grupos rebeldes que pretendem tomar o poder. No Brasil, os dois primeiros livros venderam mais de 70 000 cópias. A Seleção (tradução de Cristian Clemente, Seguinte, 368 páginas, 29,90 reais) A Elite (tradução de Cristian Clemente, Seguinte, 360 páginas, 29,90 reais) Classificação: 3

‘A Seleção’
A trilogia iniciada em 2012, ano do lançamento nos EUA e no Brasil, é composta pelos livros A Seleção, A Elite e A Escolha — único ainda não publicado por aqui, ele é previsto para maio. De autoria da americana Kiera Cass, é uma das mais leves entre as atuais distopias infantojuvenis. Uma mistura de reality show casamenteiro com a magia dos contos de fadas, a saga conta a história da jovem America, que vive em uma monarquia absolutista, com a sociedade dividida em castas, sem mobilidade social.
Numeradas, as castas apresentam indivíduos com diferentes graus de instrução, funções e condições financeiras. A jovem protagonista faz parte da casta 6, uma classe pobre e designada para artistas. Há duas formas de uma garota mudar de posição social. A primeira é ela se casar com alguém de uma casta acima. Outra é ser escolhida para a Seleção, um reality show que confina no castelo do rei 35 garotas com o intuito de conquistar o coração do príncipe.
America se cadastra no programa para que sua família receba os benefícios do governo e para fugir do ex-namorado, que partiu seu coração. Com teor de conto de fada, os livros adotam um tom mais político quando America tenta mostrar ao príncipe a realidade da pobreza vivida pelas camadas mais baixas da sociedade. Ela, por sua vez, descobre que além dos limites da cidade existem grupos rebeldes que pretendem tomar o poder. No Brasil, os dois primeiros livros venderam mais de 70 000 cópias.
A Seleção (tradução de Cristian Clemente, Seguinte, 368 páginas, 29,90 reais)
A Elite (tradução de Cristian Clemente, Seguinte, 360 páginas, 29,90 reais)
Classificação: 3

'Delírio' Na trilogia da americana Lauren Oliver, lançada nos EUA em 2011 e aqui em 2012, o amor é uma doença tão perigosa que o governo decidiu erradicá-lo. A “cura”, "concedida" aos cidadãos quando eles completam 18 anos, mantém a população sob controle, sem euforias ou sentimentos, e sem os problemas causados pelas paixões e idealismos, que podem acender revoluções. Após o procedimento, as autoridades escolhem a faculdade e o cônjuge de cada um. A personagem principal, Lena, é totalmente conformada com as imposições do governo, que incluem um toque de recolher, a censura à produção artística e a prática das patrulhas-surpresas pela cidade. Uma semana antes da cura, Lena se apaixona, o que atrapalha seus planos. Recusar-se a passar pelo procedimento é o mesmo que entregar-se à morte pelas mãos do governo ou viver à margem da sociedade, na “Selva”. Os que retornam e são curados se tornam “zumbis”, termo utilizado pelos fugitivos para denominar as pessoas sem emoções. A narrativa é intensa, mas não foge do comum no nicho. O foco no amor e nas paixões como motivação é o ponto que a difere das outras. A trilogia é composta pelos livros Delírio, Pandemônio e Requiem (o último ainda sem previsão de chegar ao Brasil). A narrativa está em processo de adaptação para se tornar um filme no canal Fox. A atriz Emma Roberts foi a escolhida como protagonista.  Delírio (tradução de Rita Sussekind, Intrínseca, 352 páginas, 29,90 reais) Pandemônio (tradução de Regiane Winarski, Intrínseca, 304 páginas, 29,90 reais) Classificação: 3

‘Delírio’
Na trilogia da americana Lauren Oliver, lançada nos EUA em 2011 e aqui em 2012, o amor é uma doença tão perigosa que o governo decidiu erradicá-lo. A “cura”, “concedida” aos cidadãos quando eles completam 18 anos, mantém a população sob controle, sem euforias ou sentimentos, e sem os problemas causados pelas paixões e idealismos, que podem acender revoluções. Após o procedimento, as autoridades escolhem a faculdade e o cônjuge de cada um. A personagem principal, Lena, é totalmente conformada com as imposições do governo, que incluem um toque de recolher, a censura à produção artística e a prática das patrulhas-surpresas pela cidade.
Uma semana antes da cura, Lena se apaixona, o que atrapalha seus planos. Recusar-se a passar pelo procedimento é o mesmo que entregar-se à morte pelas mãos do governo ou viver à margem da sociedade, na “Selva”. Os que retornam e são curados se tornam “zumbis”, termo utilizado pelos fugitivos para denominar as pessoas sem emoções.
A narrativa é intensa, mas não foge do comum no nicho. O foco no amor e nas paixões como motivação é o ponto que a difere das outras. A trilogia é composta pelos livros Delírio, Pandemônio e Requiem (o último ainda sem previsão de chegar ao Brasil). A narrativa está em processo de adaptação para se tornar um filme no canal Fox. A atriz Emma Roberts foi a escolhida como protagonista.
Delírio (tradução de Rita Sussekind, Intrínseca, 352 páginas, 29,90 reais)
Pandemônio (tradução de Regiane Winarski, Intrínseca, 304 páginas, 29,90 reais)
Classificação: 3

'Feios' Composta pelos livros Feios, Perfeitos, Especiais e Extras, a saga escrita por Scott Westerfeld teve a primeira história lançada em 2005 nos EUA -- 2010 aqui -- e já vendeu mais de 3 milhões de exemplares no mundo, cerca de 100 000 deles no Brasil. Na ficção criada pelo autor, a sociedade é dividida geograficamente entre os feios, que ocupam uma cidade onde ninguém se importa com a aparência, e os perfeitos, que vivem em uma cidade glamourosa e repleta de festas e alegrias. Ao completar 16 anos, os “feios” são submetidos a uma cirurgia plástica, para corrigir sua aparência e torná-los “perfeitos”. Quem foge à cirurgia vai para a cidade dos feiosos. Tally está ansiosa para passar pelo procedimento, que lhe dará a vida digna de uma celebridade, destinada apenas aos que possuem boa aparência. O desaparecimento da melhor amiga da protagonista, no entanto, faz com que ela descubra o lado obscuro da sociedade, as suas reais intenções. Com narrativa tediosa e uma ficção cheia de conceitos e nomes estranhos, a série é lembrada pela crítica -- bem rasa, por sinal -- à busca pela aparência física. O tema também é tratado em Jogos Vorazes, com a condenação da sociedade do espetáculo e da frivolidade da elite que se esbanja em festas, comilanças e cirurgias plásticas, enquanto o restante do país padece.  Classificação: 2,5 Feios (tradução de Rodrigo Chia, Galera Record, 416 páginas, 39,90 reais) Perfeitos (tradução de Rodrigo Chia, Galera Record, 400 páginas, 39,90 reais) Especiais (tradução de André Gordirro, Galera Record, 352 páginas, 39,90 reais) Extras (tradução de André Luís Silva, Galera Record, 416 páginas, 39,90 reais)

‘Feios’
Composta pelos livros Feios, Perfeitos, Especiais e Extras, a saga escrita por Scott Westerfeld teve a primeira história lançada em 2005 nos EUA — 2010 aqui — e já vendeu mais de 3 milhões de exemplares no mundo, cerca de 100 000 deles no Brasil. Na ficção criada pelo autor, a sociedade é dividida geograficamente entre os feios, que ocupam uma cidade onde ninguém se importa com a aparência, e os perfeitos, que vivem em uma cidade glamourosa e repleta de festas e alegrias. Ao completar 16 anos, os “feios” são submetidos a uma cirurgia plástica, para corrigir sua aparência e torná-los “perfeitos”. Quem foge à cirurgia vai para a cidade dos feiosos.
Tally está ansiosa para passar pelo procedimento, que lhe dará a vida digna de uma celebridade, destinada apenas aos que possuem boa aparência. O desaparecimento da melhor amiga da protagonista, no entanto, faz com que ela descubra o lado obscuro da sociedade, as suas reais intenções.
Com narrativa tediosa e uma ficção cheia de conceitos e nomes estranhos, a série é lembrada pela crítica — bem rasa, por sinal — à busca pela aparência física. O tema também é tratado em Jogos Vorazes, com a condenação da sociedade do espetáculo e da frivolidade da elite que se esbanja em festas, comilanças e cirurgias plásticas, enquanto o restante do país padece.
Classificação: 2,5
Feios (tradução de Rodrigo Chia, Galera Record, 416 páginas, 39,90 reais)
Perfeitos (tradução de Rodrigo Chia, Galera Record, 400 páginas, 39,90 reais)
Especiais (tradução de André Gordirro, Galera Record, 352 páginas, 39,90 reais)
Extras (tradução de André Luís Silva, Galera Record, 416 páginas, 39,90 reais)

'Starters' Na história lançada em 2012 (EUA e Brasil) pela americana Lissa Price, um vírus matou todas as pessoas entre 18 e 65 anos, os únicos que não haviam sido vacinados contra o mal. A sociedade ficou então dividida entre os Starters, grupo de crianças e adolescentes que perderam os pais, e os Enders, os sobreviventes mais velhos. Órfãos, a adolescente Callie e seu irmão mais novo e doente, Tyler, passam a viver em prédios abandonados e a batalhar para conseguir comida. Para lidar com a situação, Callie decide procurar o Prime Destinations, banco de corpos ilegais -- onde sobreviventes mais ricos podem escolher e adotar corpos de jovens pobres, que têm a consciência desligada. Por causa da medicina avançada, a população pode chegar até os 200 anos de idade, mas não faz sentido viver tanto sem ter condições físicas. A protagonista então é sedada e aluga o seu físico para que um Ender rico possa viver nele, como uma possessão. A consciência dela deveria ficar adormecida, mas as suas funções cerebrais despertam e a jovem se vê envolta em situações adversas. Mesmo com uma qualidade inferior à dos demais livros no estilo, Starters vendeu mais de 50 000 exemplares só no Brasil e está sendo disputado por estúdios americanos, que querem adaptar a duologia para o cinema. O segundo e último livro, Enders, está previsto para ser lançado por aqui em fevereiro de 2014. Classificação: 2 Starters (tradução de Ivar Panazzolo Júnior, editora Novo Conceito, 368 páginas, 29,90 reais)

‘Starters’
Na história lançada em 2012 (EUA e Brasil) pela americana Lissa Price, um vírus matou todas as pessoas entre 18 e 65 anos, os únicos que não haviam sido vacinados contra o mal. A sociedade ficou então dividida entre os Starters, grupo de crianças e adolescentes que perderam os pais, e os Enders, os sobreviventes mais velhos.
Órfãos, a adolescente Callie e seu irmão mais novo e doente, Tyler, passam a viver em prédios abandonados e a batalhar para conseguir comida. Para lidar com a situação, Callie decide procurar o Prime Destinations, banco de corpos ilegais — onde sobreviventes mais ricos podem escolher e adotar corpos de jovens pobres, que têm a consciência desligada. Por causa da medicina avançada, a população pode chegar até os 200 anos de idade, mas não faz sentido viver tanto sem ter condições físicas. A protagonista então é sedada e aluga o seu físico para que um Ender rico possa viver nele, como uma possessão. A consciência dela deveria ficar adormecida, mas as suas funções cerebrais despertam e a jovem se vê envolta em situações adversas.
Mesmo com uma qualidade inferior à dos demais livros no estilo, Starters vendeu mais de 50 000 exemplares só no Brasil e está sendo disputado por estúdios americanos, que querem adaptar a duologia para o cinema. O segundo e último livro, Enders, está previsto para ser lançado por aqui em fevereiro de 2014.
Classificação: 2
Starters (tradução de Ivar Panazzolo Júnior, editora Novo Conceito, 368 páginas, 29,90 reais)

Jovens adultos – O filão, na verdade, não é novo. Embora esteja em alta mais uma vez, a distopia teve os seus maiores representantes na primeira metade do século XX, após a Primeira Guerra Mundial, período de clássicos como Admirável Mundo Novo, de 1932, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell, lançado em 1949. A novidade, agora, reside no interesse de jovens entre 14 e 23 anos que nunca conviveram com governos totalitários. Público diferente do que presenciou o lançamento de 1984, quando o mundo testemunhava a escalada do comunismo e o temor da aproximação de um futuro ditatorial.

Nos Estados Unidos, o nicho em que as distopias estão inseridas foi apelidado de “YA”, sigla em inglês para “Young Adults” (jovens adultos, em português). A classificação, no entanto, diz pouco sobre esse público, formado por leitores conectados e engajados. “Eles são bastante ativos na internet. Quando vêm à livraria ou visitam o site, já sabem o título que buscam. Quando se tornam fãs, mobilizam clubes e páginas especializadas com conteúdo e comentários e os divulgam”, conta Benjamin Magalhães, gestor de marketing da Travessa, rede de livrarias do Rio de Janeiro.

Outra grande rede de livrarias, a Nobel, também tem um olhar especial para esse público. Os jovens leitores de distopias respondem por 10% das vendas da empresa, de acordo com seu diretor operacional, Guilherme Netti. “Hoje, os jovens leem, na média, muito mais do que seus pais liam na mesma idade”, diz Netti. Ele ressalta como trunfo do nicho o fato de um livro nunca vir sozinho. Conhecidas como sagas, as histórias possuem no mínimo três livros. “Sequências conseguem um destaque maior no ponto de venda, pois todos os títulos ficam expostos juntos e possuem capas com identidade visual similar, o que facilita a identificação pelo consumidor.”

No Brasil – Para a brasiliense Bárbara Morais, 23 anos, que lançou em setembro A Ilha dos Dissidentes (Gutenberg , 303 páginas, 34,90 reais), primeiro volume da trilogia brasileira Anômalos, a literatura distópica se destaca por fugir dos finais felizes. “Na adolescência, você fica desiludido e cético, percebe que os adultos não são heróis e que não há muito no que acreditar”, explica a jovem que estuda economia e frequenta cadeiras de ciência política na Universidade de Brasília (UnB).

Outras obras do segmento podem ser citadas na literatura brasileira. “Não Verás País Nenhum de Ignácio de Loyola Brandão, lançado em 1981, é um clássico desse tipo de literatura no Brasil. O futuro é triste, o meio ambiente está destruído e a população é dividida em castas. Até mesmo Monteiro Lobato se aventurou em algo parecido no livro A Chave do Tamanho, de 1942”, conta João Ceccantini, professor de literatura brasileira da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sobre o livro em que a personagem Emília, do Sítio do Picapau Amarelo, tenta desligar a “chave da guerra”, para tirar Dona Benta da depressão causada pela Segunda Guerra Mundial.

Em um passado mais recente, Monte Veritá, de Gustavo Bernardo, é um exemplo de distopia lançado pela Rocco em 2009. Assim como Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva, editado pela Objetiva em 2007.

Desilusão – Segundo a psicóloga Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o grande interesse por distopias está relacionado a uma contradição. “Por se sentirem demasiadamente livres e às vezes até mesmo abandonados pela família e pelo governo, os jovens se sentem atraídos por histórias com líderes controladores”, diz ela.

As séries em geral retratam sociedades repressoras. O melhor exemplo dessa linha está na leitura de Destino, primeiro livro da trilogia escrita pela americana Ally Condie e lançada em 2010. Na história, os personagens vivem em uma sociedade que cuida de cada detalhe da vida de seus membros, desde a comida diária, as opções de entretenimento (são cerca de três por dia) e o matrimônio, decidindo com quem cada um deve se casar. Em certo momento, os leitores percebem que no fundo, assim como os personagens que acompanham, preferem a liberdade.

“Esses livros estabelecem uma relação em que o leitor cresce junto com o personagem”, diz Guilherme Netti, das livrarias Nobel.

Manifestantes usam frase de 'Jogos Vorazes' em protesto no Brasil - Reprodução/Facebook

Manifestantes usam frase de ‘Jogos Vorazes’ em protesto no Brasil – Reprodução/Facebook

Manifestante exibe bandeira brasileira com o símbolo da saga 'Jogos Vorazes' no centro, em protestos no Brasil - Reprodução/Facebook

Manifestante exibe bandeira brasileira com o símbolo da saga ‘Jogos Vorazes’ no centro, em protestos no Brasil – Reprodução/Facebook

Manifestante exibe cartaz com frase do livro 'A Esperança', da série 'Jogos Vorazes', em protesto no Brasil - Reprodução/Facebook

Manifestante exibe cartaz com frase do livro ‘A Esperança’, da série ‘Jogos Vorazes’, em protesto no Brasil – Reprodução/Facebook

Manifestante usa frase de 'Jogos Vorazes' em cartaz, durante protesto no Brasil - Reprodução/Facebook

Manifestante usa frase de ‘Jogos Vorazes’ em cartaz, durante protesto no Brasil – Reprodução/Facebook

Manifestante usa frase de 'Jogos Vorazes' em cartaz, durante protesto no Brasil - Reprodução/Facebook

Manifestante usa frase de ‘Jogos Vorazes’ em cartaz, durante protesto no Brasil – Reprodução/Facebook

Montagem publicada na internet por fãs da saga 'Jogos Vorazes' compara os protestos no Brasil com o início da revolução em Panem - Reprodução/Facebook

Montagem publicada na internet por fãs da saga ‘Jogos Vorazes’ compara os protestos no Brasil com o início da revolução em Panem – Reprodução/Facebook

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments