‘As duas guerras de Vlado Herzog: da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil’, de Audálio Dantas, foi escolhido o livro do ano de não ficção
Vencedores foram anunciados em cerimônia realizada na noite desta quinta-feira na Sala São Paulo

O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo / Neco Varella

O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo / Neco Varella

Marcia Abos em O Globo

SÃO PAULO — Em cerimônia realizada na noite desta quarta-feira na Sala São Paulo, foram anunciados os vencedores da 55ª edição do prêmio Jabuti, a mais antiga e conhecida premiação de literatura do Brasil. Sagrou-se como livro do ano de ficção “Diálogos impossíveis” (Objetiva), de Luis Fernando Veríssimo. “As duas guerras de Vlado Herzog: da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil” (Civilização Brasileira), de Audálio Dantas, foi escolhido o livro do ano de não ficção. Os dois vencedores recebem R$ 35 mil cada um, além de R$ 3.500 pela vitória nas categorias contos e crônicas e reportagem, respectivamente.

Devido a compromissos na Feira do Livro de Porto Alegre, Luis Fernando Veríssimo não compareceu à premiação em São Paulo. Foi representado por seu editor, Mauro Ventura, e por sua agente literária, Lucia Riff. Para o jornalista Audálio Dantas, a vitória de seu livro deve-se também à luta contra a ditadura militar.

— Ofereço esse livro à memória de Vladimir Herzog. A vitória representa muito para mim, porque fui também personagem dessa história — disse Dantas, que na época do assassinato de Herzog era presidente do sindicato dos jornalistas de São Paulo. — Acompanhei caso por caso. Antes do Vlado foram presos e torturados 11 jornalistas em São Paulo. Foram os dias mais angustiantes da minha vida.

O autor levou um ano e meio para escrever o livro reportagem. Encontrou dificuldades para acessar documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI). Para Dantas, o papel da Comissão da Verdade é fundamental para a sociedade tomar conhecimento dos fatos ocorridos durante a ditadura militar.
A mestre de cerimônias do prêmio foi a jornalista Mônica Waldvogel. O curador do prêmio, José Luiz Goldfarb, lembrou em seu discurso a polêmica das biografias, elogiando a quantidade de biografias não autorizadas inscritas no prêmio e pedindo “longa vida ao livro com liberdade”.

Concorrem aos prêmios de livro do ano os primeiros colocados em algumas das 27 categorias do Jabuti. Em livro do ano de ficção, concorrem os vencedores das categorias poesia, romance, contos e crônicas, infantil e juvenil. Em livro do ano de não ficção concorrem os primeiros colocados das categorias arquitetura e urbanismo, artes e fotografia, biografia, ciências exatas, tecnologia e informática, ciências humanas, ciências naturais, ciências da saúde, comunicação, didático e paradidático, direito, economia e administração, negócios, educação, gastronomia, psicologia e psicanálise, reportagem, teoria e crítica literária.

A escolha dos grandes vencedores do Jabuti é feita por meio de votação. Todos os associados à Câmara Brasileira do Livro, a organizadora do prêmio, podem votar. Nesse ano, mais de 2 mil obras publicadas em 2012 foram inscritas para concorrer ao Jabuti.

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