Paula Lago na Folha de S.Paulo

Título original: “Nenhuma criança no mundo teve uma aula de política como nossos alunos”

A professora Aline Mora, 34, conta que, até o ano passado, não sabia muito bem como funcionava a Câmara Municipal. Hoje ela conhece os vereadores por nome e partido, defende as mobilizações populares, deu entrevistas para jornais estrangeiros e explica aos alunos a importância de participar da política da cidade.

A virada veio com sua atuação, juntamente com a de outros professores, pais e alunos, na campanha vitoriosa contra a derrubada da Escola Municipal Friedenreich, parte do complexo Maracanã, no Rio de Janeiro, onde ela dá aulas há dez anos. “Aprendi muito e peguei o gostinho de brigar pelo que acho justo”, afirma.

Toda a mobilização foi orientada e planejada pelo Meu Rio, dos finalistas do Prêmio Empreendedor Social de Futuro 2013 Miguel Lago e Alessandra Orofino, que, com uma plataforma digital interativa, conecta os cidadãos cariocas com seus representantes políticos e cria mobilizações de interesse público, abrindo espaço para a participação política além do voto.

Na Lata
Por meio da Meio Rio, Aline Mora aprendeu como funciona o trabalho da Câmara Municipal
Por meio da Meio Rio, Aline Mora aprendeu como funciona o trabalho da Câmara Municipal

 

Leia seu depoimento:

“Em 2009, veio a primeira ameaça de derrubar a escola, que atende 300 alunos de 5 a 10 anos. Os pais se mobilizaram, e a prefeitura voltou atrás. Em 2012, jornais publicaram que a escola seria demolida juntamente com os outros aparelhos [do complexo Maracanã] para a construção de um estacionamento ou uma quadra de aquecimento para a Copa do Mundo.

Não houve comunicado oficial. Não aceitamos, mas também não sabíamos o que fazer. Muita criança chorou. Uma mãe entrou em contato com o Meu Rio e foi lançada a campanha para evitar a demolição. O apoio deles foi essencial, mostraram o que devia ser feito.

Conseguimos 20 mil assinaturas numa petição. Depois, em outubro, foi marcada uma audiência pública. O Meu Rio explicou como funcionava, levamos 200 pessoas para participar, mas fomos ignorados.

Passamos a ir todas as terças e quintas à Câmara, com um aluno do lado, para falar com cada vereador, pedindo a aprovação do projeto de tombamento da escola. Nunca tínhamos entrado lá. A primeira votação passou, foi uma choradeira geral, mas uma emenda tirou o tema de pauta, e a Câmara entrou em recesso. Tivemos de aguardar.

Fizemos passeatas, foi uma mobilização muito grande. A prefeitura se assustou e recuou. Fomos vitoriosos, mas a campanha não acabou, queremos o tombamento federal.

Aprendemos muito com o Meu Rio, e a parceria continua. Vimos que podemos brigar pelo que queremos -e vamos brigar sempre. Nenhuma criança no mundo teve uma aula de política tão prática como a dos nossos alunos. Eles falam com políticos e dão entrevistas. É uma experiência que nunca vão esquecer.”

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