Carlos Minuano no UOL

O biógrafo americano Laurence Bergreen (dir.), observado pelo jornalista Mário Magalhães, em palestra no Festival Internacional de Biografias, em Fortaleza

O biógrafo americano Laurence Bergreen (dir.), observado pelo jornalista Mário Magalhães, em palestra no Festival Internacional de Biografias, em Fortaleza

“Nos EUA, o nível de liberdade para escrever é bem maior”, afirma ao UOL o americano Laurence Bergreen, autor das biografias de Louis Armstrong e Al Capone, entre outras. Para ele, a liberdade de expressão e o direito à informação valem mais do que a privacidade. “A tendência é abrir cada vez mais”, acrescenta.

O escritor, casado com uma cearense, estava no Brasil durante o Festival de Biografias, que aconteceu na semana passada em Fortaleza, e foi convidado a participar do evento. “Escritores americanos têm liberdade muito grande e, se escreverem mentiras, sabem que serão processados”, afirma Bergreen.

Em relação à atual polêmica sobre biografias não autorizadas, o escritor se diz surpreso com o debate e se posiciona a favor da liberdade da imprensa e de biógrafos. “Pensei que a legislação fosse igual aos EUA”, declara.

Mas mesmo em ambiente de contornos legais mais flexíveis, o autor revela que já teve problemas ao escrever sobre segredos militares e quando fez a biografia do compositor americano Irving Berlin, na década de 1990.

“Depois que escrevi 600 páginas com autorização da família do músico, mudaram de ideia”. Mas graças à legislação americana, a publicação não pôde ser proibida. “Só não foi possível usar as letras das canções”, conta Bergreen. Assim como nos Estados Unidos, no Brasil os artistas também já têm os direitos sobre sua obra protegidos por lei, que impede a utilização sem autorização.

Outro problema que Bergreen teve ao fazer biografias aconteceu há cerca de duas décadas, quando viu a publicação de um livro quase pronto, sobre a família Kennedy, ser cancelada. “Houve uma pressão informal e a editora quebrou o contrato, poderia ter procurado outro editor, mas o episódio me desagradou muito e resolvi partir para outro livro”, explica.

Apesar dos embates que já enfrentou, o escritor elogia a liberdade que tem em seu país. “Nos EUA não precisa de autorização, é bem melhor assim porque se você for pedir, geralmente querem dinheiro e tentam interferir no trabalho”, argumenta. “Informação tem que ser livre”, arremata.

De Marco Polo a Colombo
Biógrafo premiado e autor de best-sellers nos EUA, Bergreen tem diversos livros publicados por aqui. Entre eles, “Marco Polo”, sobre as viagens do célebre navegador italiano, que será adaptado para o cinema pela Warner (e que deve ter Matt Damon no papel principal), e “Além do Fim do Mundo”, que conta a desconhecida expedição do português Fernão Magalhães, primeiro a dar a volta ao mundo pelos mares. Ambos foram publicados pela editora Objetiva.

Outro livro do biógrafo americano sobre as viagens de outro grande navegador italiano chega em breve às livrarias brasileiras: “Colombo”, que já esteve na lista dos mais vendidos do jornal “The New York Times”, tem lançamento previsto no Brasil para janeiro de 2014. Nos EUA, Bergreen lança a biografia do conquistador Casanova.

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