Úrsula Passos, na Folha de S.Paulo

“Para mim a ilustração editorial brasileira se divide em AM/DM, antes e depois de Mariza”, diz Orlando Pedroso na apresentação do livro “…E Depois a Maluca Sou Eu!”, de Mariza Dias Costa.

Organizado pelo ilustrador, o volume reúne ilustrações de Mariza feitas para o “Diário da Corte”, de Paulo Francis, de 1978 a 1990, e para a coluna do psicanalista Contardo Calligaris desde 1999, publicada às quintas na Folha.

“Sempre quis ver tudo reunido, porque você acaba perdendo a noção de conjunto de seu próprio trabalho quando vai publicando e não vai arquivando à vista”, diz Mariza.

Caricatura de Paulo Francis (Reprodução)

Caricatura de Paulo Francis (Reprodução)

Ao final do livro há um depoimento fartamente ilustrado da artista, escrito durante sua primeira internação para redução de danos do uso de drogas, em 2001.

Nascida em 1952 na Guatemala, filha de diplomata, Mariza morou em lugares como Roma, Paris e Bagdá.

Suas ilustrações sempre foram bem além do nanquim. Mariza foi a primeira a fazer uso pouco ortodoxo da máquina de xerox, para reproduzir texturas de objetos, como tecidos e guardanapos.

“Era uma espécie de heroína da Redação”, diz a repórter da Folha Laura Capriglione, que apresenta, no livro, a história da ilustradora.

“A ilustração de imprensa era muito inocente até ela entrar no circuito. Mariza usava técnicas que ninguém pensava em usar”, diz Orlando.

“Hoje, infelizmente, não estão mais tão disponíveis o que eu chamava de tintas de farmácia, como azul de metileno, violeta de genciana, iodo”, lembra Mariza.

Ilustração de Mariza feita para um texto do psicanalista Contardo Calligaris (Reprodução)

Ilustração de Mariza feita para um texto do psicanalista Contardo Calligaris (Reprodução)

Ela faz os desenhos em casa. Como não usa e-mail, passa na Redação para pegar o texto, ou alguém telefona e lê a coluna da semana para ela.

“O Paulo Francis falava de várias coisas e sempre com um ponto de vista peculiar, que causava muita polêmica. Já o Contardo se fixa nas atitudes e comportamentos humanos, que também produz como resultado um mosaico muito variado”, diz Mariza sobre os textos que ilustra.

O colunista diz abrir o jornal com curiosidade para ver como seu texto foi ilustrado. “Ela é a primeira no dia que me revela algo que estava no meu texto e eu não sabia.”

O livro foi parcialmente financiado por amigos da ilustradora. Para bancar o restante, a edição está em pré-venda, no Catarse, site de “crowdfunding” -espécie de vaquinha virtual. Uma mostra com originais da ilustradora será aberta hoje em São Paulo.

LANÇAMENTO E EXPOSIÇÃO
QUANDO hoje, às 20h, abertura e noite de autógrafos; demais dias, sob agendamento; até 15/2/14
ONDE La Mínima Galeria (av. Pedroso de Morais, 822; tel. 0/xx/11/3578-0003)
QUANTO grátis

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