Ranking de consultoria britânica listou as 100 melhores instituições de ensino de 22 nações em desenvolvimento
Entre as faculdades brasileiras, as melhores são USP (11º lugar), Unicamp (24º), UFRJ (60º) e Unesp (87º)

Brasil tem quatro instituições no ranking O GLOBO

Brasil tem quatro instituições no ranking O GLOBO

Leonardo Vieira em O Globo

RIO – Um dos países que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e dono da 6ª maior economia do mundo, o Brasil não tem nenhuma universidade entre as 10 melhores de 22 países emergentes, segundo um ranking internacional feito elaborado consultoria britânica de educação superior Times Higher Education (THE). A inédita pesquisa “Brics & Economias Emergentes” gerou uma lista das 100 instituições mais fortes das nações em desenvolvimento.

Conheça as melhores universidades dos países emergentes.

Para o estudo, a THE levou em conta não só os cinco membros dos Brics, mas também 17 outras economias emergentes. Das 100 instituições de ensino da lista, apenas quatro são brasileiras. A melhor posicionada no ranking entre as nacionais é a USP, em 11º lugar, seguida pela Unicamp, em 24º. Bem mais abaixo na tabela estão as outras duas universidades brasileiras: UFRJ, em 60º, e Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 87º.

No topo da lista, nenhuma surpresa. Além de ostentar as duas primeiras colocações, com a Universidade de Pequim e a Universidade de Tsinghua, respectivamente, a China é o país com maior número de instituições da lista, com 23. Sua vizinha Taiwan vem em seguida, acumulando 21 universidades dentre as 100. Numa comparação entre as nações que compõem os Brics, depois dos chineses, os indianos aparecem com 10 instituições, seguidos pela África do Sul, com cinco universidades, Brasil, com quatro nomes, e Rússia, com duas faculdades.

Para o editor da THE, Phil Baty, o desempenho do Brasil não condiz com o tamanho de sua economia. Mesmo elogiando o programa Ciência Sem Fronteiras, que dá bolsas de intercâmbios para brasileiros estudarem no exterior, e dizendo que o programa pode gerar indicadores positivos em longo prazo, Baty definiu o resultado nacional como “decepcionante”. Segundo ele, os pontos fracos das universidades brasileiras estão na pesquisa e na publicação de artigos em inglês, fatos que estariam entrelaçados:

– As pesquisas do Brasil não têm o mesmo impacto que alguns concorrentes dos Brics. Não são tão amplamente lidas e compartilhadas, o que sugere que sejam de qualidade inferior. E parte do problema pode ser a falta do inglês: muitos países adotaram a publicação em língua inglesa para garantir que a investigação seja compartilhada e compreendida em todo o mundo, e que suas universidades recebam o devido reconhecimento pelo seu trabalho inovador – ressalta o editor da THE.

A pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa da UFRJ, Debora Foguel, comemorou a presença da instituição no ranking, mas não deixou de salientar como o ensino no Brasil precisa evoluir:

– O país ainda não tem uma política destinada a colocar suas universidades entre as seletas instituições de classe mundial. Há gargalos que precisamos encarar. E um dos principais deles está justamente relacionado à pesquisa. A disponibilização de recursos voltados diretamente a essa área ainda não é uma realidade nas universidades federais. Precisamos investir maciçamente nisso – comentou.

O reitor da USP, João Grandino Rodas, destacou que o fato de se tratar de uma universidade onde se fala um idioma que não é internacional dificulta o alcance das primeiras posições em rankings. Entretanto, medidas adotadas recentemente devem mudar esse quadro.

– Criamos o programa USP Internacional, para fortalecer a presença da universidade no exterior. Também foi estabelecido um programa de bolsas de intercâmbio para alunos de graduação, no qual mais de dois mil estudantes tiveram oportunidade de desenvolver atividades acadêmicas em instituições estrangeiras. Esse projeto abrange áreas não contempladas pelo Ciência sem Fronteiras – mencionou.

Falta de políticas consistentes

Dentre os Brics, o Brasil tem a segunda maior economia do grupo, somente atrás dos chineses. Entretanto, essa realidade segue em descompasso com os indicadores educacionais. Segundo o professor de relações internacionais da PUC-Rio João Nogueira, que é membro do Brics Policy Center, isso acontece porque os resultados na educação dependem de políticas públicas consistentes e de longo prazo.

– Os chineses há muito têm priorizado o crescimento rápido do ensino superior como caminho para estimular a inovação e enfrentar os problemas futuros de oferta de mão de obra. Dezenas de milhares de estudantes de países como a Coréia do Sul vão estudar nas universidades chinesas atualmente. Ao lado da ampliação do sistema, a China investiu na qualificação de seus pesquisadores em centros de excelência no exterior, com os resultados que vemos nas pesquisas. No caso brasileiro, o dinamismo econômico não foi suficiente para vencer a complacência de seus governantes quando se trata de educação, tratada mais como política social do que como estratégia associada ao desenvolvimento do país – afirma.

Desempenho por continente

Por continente, África e Américas aparecem com nove universidades cada. Para a consultoria, o grande destaque do ranking ficou com a Turquia, que não só tem sete instituições na lista, como também três delas aparecem dentre as 10 primeiras: Universidade de Boğaziçi (5º), Universidade Técnica de Istambul (7º) e Universidade Técnica do Oriente Médio (9º).

Assim como em outros rankings elaborados pela consultoria, a metodologia da pesquisa foi baseada em 13 indicadores divididos entre as seguintes áreas: ensino (30% da pontuação geral do ranking) leva em consideração qualidade e reputação do ensino praticado; pesquisa (30%) mede a relevância das pesquisas desenvolvidas; citações (30%) é a frequência com que trabalhos da universidade são citados em pesquisas ao redor do mundo; presença na indústria (2,5%) mede a utilização de tecnologias e ideias desenvolvidas pelas universidades nas industrias; e perspectiva internacional (7,5%), leva em consideração a diversidade de alunos de diferentes origens dentro da universidade.

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