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Má Dias, no Literatortura

Nós, brasileiros, com certeza não nos surpreenderíamos tanto se abríssemos um jornal, ou até mesmo um site de notícias, e nos deparássemos com as seguintes manchetes: “Ambientalistas alertam: programadores ameaçam bosque intacto”, “Homem atira em amigo por causa de cantada”, “Esposa de alto funcionário se suicida após briga com amante” e “Zelador se revela cruel caçador de cachorros”. Infelizmente, num país em que o sensacionalismo e a tragédia invade qualquer notícia de capa e qualquer horário nobre por meio de telejornais populares, posso afirmar que estamos até um tanto saturados de tais horríveis acontecimentos. Por mais fictícios que eles sejam.

É isso mesmo: essas manchetes são fictícias, ao menos na Rússia. Elas são frutos da campanha que a Agência Federal de Imprensa e Comunicação de Massa, a União Livreira Russa e a agência de publicidade Slava produziram para incentivar a leitura de clássicos da literatura russa no país. Fixadas em sites de notícias russos, essas manchetes apresentavam por meio de um texto jornalistico os temas das histórias de obras clássicas como “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov, “Evguêni Onéguin”, de Aleksandr Púchkin, “Anna Karenina”, de Lev Tolstói, “Mumu”, de Ivan Turguênev, entre outras. O objetivo da campanha, sengundo o jornal Gazeta Russa, é fazer com que a leitura e conhecimento desses clássicos deixe de ser apenas uma obrigação escolar. Lendo a notícia, o internauta deveria se interessar pela sinopse da história apresentada e procurar a obra inteira para leitura, por meio de links que se encontravam disponíveis na própria matéria.

Ainda segundo o jornal, o instituto Fundo Opinião Pública foi responsável por uma pesquisa que aponta que, no último ano, 44% da população russa não leu um único livro. Outro dado apontado, dessa vez pelo intituto de pesquisa TNS Rossia, foi do que os russos gastam cerca de oito horas diárias para a leitura de notícias e apenas uma média de nove minutos para leitura de livros.

No ano passado, uma outra campanha de incentivo à leitura também foi feita na Rússia, volta para o publico adolescente, em que escritores como Tolstói, Tchekhov e Dostoiévski ilustravam propagandas em trajes esportivos e cantando rap.

 Tolstoi repaginado: “Não desista, você terá uma segunda wind na página 500”

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Outras atividades, como encontro de escritores, intervenções em metrô e clubes de leitura também figuram como projetos de incentivo.

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