Programa tem mapa de locais de memória e análises de canções e obras.
Projeto foi feito por professores de história, geografia, português e artes.

Ana Carolina Moreno no G1

Printscreen de aplicativo criado por alunos do 9º ano (Foto: Reprodução)

Printscreen de aplicativo criado por alunos do 9º ano (Foto: Reprodução)

Um grupo de 43 alunos do nono ano do ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo criou um aplicativo sobre a ditadura militar no Brasil. O resultado, disponível para download em tablets e celulares com sistemas operacionais Android e iOS, foi divulgado na semana passada. De acordo com a professora de história do Colégio I. L. Peretz, Melanie Grun, o aplicativo faz parte de um projeto interdisciplinar feito durante boa parte do segundo semestre letivo deste ano, que envolveu as matérias de história, português, geografia e artes.

“A gente até tem outros projetos interdisciplinares com tecnologia, mas esse acho que foi o mais completo por ter tantas matérias que acabaram participando”, explicou Melanie ao G1.

A ideia de usar a tecnologia dos smartphones no projeto teve como objetivo aproximar os alunos, que hoje têm entre 13 e 14 anos e nasceram no ano 2000, de um tema distante da realidade deles –a ditadura militar– usando uma ferramenta do cotidiano deles. “Tem muito a ver com a idade deles, de 13 a 14 anos, foi uma ferramenta que acabou estimulando muito”, disse ela.

Os alunos das duas turmas do 9º ano do colégio foram divididos em grupos e criaram 11 aplicativos sobre temas específicos, desde análise sobre poemas e músicas até a trabalhos de campo, como visitas a locais em São Paulo que ficaram marcados por episódios durante o regime militar e uma intervenção de fotografia na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Os estudantes também puderam conversar com um ex-preso político que foi ao colégio, em uma iniciativa dos professores de sensibilizar os alunos, segundo Melanie.

Aprendendo junto
A ideia do projeto levou a professora de história a aprender novas ferramentas, incluindo a criação de um aplicativo, feito inédito para ela. “Para ensinar sobre cada um dos governos, eu preparei um aplicativo e fui usando ao longo das minhas aulas.” Segundo ela, na hora em que os estudantes começaram a usar a Fábrica de Aplicativos, um site que permite a criação dos programas por pessoas que não entendem de programação, ela percebeu que eles aprenderam de forma muito mais rápida que ela.

“Eles têm uma facilidade muito maior, foram descobrindo coisas que eu não havia descoberto. No final, o que eu tinha produzido para o meu acabou sendo colocado no deles também.”

O aplicativo final, batizado de Ditadura na Memória, foi feito usando as contribuições de cada um dos 11 aplicativos criados pelos grupos de trabalho. Ele traz páginas históricas de jornais da época, textos explicativos sobre as fases do regime militar, uma rota criada a partir dos mapas do Google com pontos da cidade de São Paulo onde ocorreram fatos marcantes do período e análises de obras de arte e canções da época.

“O projeto deu muito certo, os alunos conseguiram se envolver com o período e compreendê-lo de uma forma bem interessante”, disse Melanie. Para reforçar o caráter interdisciplinar do projeto, os professores também chegaram a fazer um intercâmbio entre as salas de aulas, para que os adolescentes entendessem que “estava tudo conectado”.

O aplicativo pode ser acessado gratuitamente pela internet na Fábrica de Aplicativos e o download pode ser feito para tablets e smartphones. De acordo com Melanie, o colégio pretende incluir o programa na Apple Store ou no Google Play no futuro.

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