Alunos de escola no Rio mandam mensagens querendo fugir da recuperação, mas professora publica post avisando que não vai rolar

Montagem com posts da professora Carolina Pavanelli Reprodução da internet

Montagem com posts da professora Carolina Pavanelli Reprodução da internet

Lauro Neto em O Globo

RIO – Fim de ano na escola para quem vai ficar em recuperação é como a reta final do Campeonato Brasileiro para time que está lutando contra rebaixamento: calculadora na mão para ver quantos pontos é preciso somar para se salvar. Tem gente que tenta até recorrer ao tapetão. No caso dos alunos, o novo recurso é apelar às redes sociais para implorar aos professores aqueles preciosos décimos ou pontinhos que impedirão uma prova final ou até a reprovação.

Para Carolina Pavanelli, professora de Língua Portuguesa da rede Pensi, a regra é clara. E impiedosa. Depois de receber inúmeras mensagens inbox no Facebook de estudantes implorando “pelo amor de Deus” para passá-los de ano, ela resolveu responder publicamente com a seguinte postagem: “Alunos, mais uma vez: não vou responder a NENHUMA mensagem inbox pedindo ponto. As notas que foram lançadas não serão alteradas. Por favor, parem (e digo isso por TODOS os professores). Ok?”.

– Eles mandam mensagens do tipo “professor pelo amor de Deus, me dá um ponto e meio, senão vou repetir!”. Sempre com abreviações e sem a vírgula antes do vocativo. Nem para usar a vírgula depois de “professora” para tentar me impressionar – brinca Carolina. – É compreensível a ansiedade de querer saber a nota, mas temos temos que ter muito cuidado com o que respondemos, pois são crianças numa rede social. Isso acaba atrasando o nosso trabalho de correção.

Carismática, a professora também publicou outra montagem adaptada com o seguinte recado “Caro aluno, não é por 2 décimos! São várias faltas durante o semestre. São vários trabalhos malfeitos ou copiados. São várias aulas que você não prestou atenção ou ficou conversando no celular”. Como Carolina também é escritora, mantém uma página no Facebook para divulgar seus livros. Apesar de considerar a rede social uma extensão da sala de aula, importante para compartilhar textos com os estudantes, ela conta que já teve aluno usando isso como argumento para pedir ponto:

– Achei engraçado o aluno que escreveu na prova que precisava de pontos, alegando que tinha curtido minha página no Facebook.

Colega de Carolina, a professora de química Raquel Berco já recebeu mais de 20 mensagens no Facebook pedindo uma forcinha para passar de ano. Vale até chantagem emocional para tentar sensibilzar a professora.

– Tem aluno que fala coisas do tipo: “professora, lembra que eu te dei uma caixa de bombom?”. Outros dizem “Se eu passar, você vai entrar mais cedo de férias”. Se estou em casa tranquila, respondo com carinho. Senão, ignoro. Tem uma que está pedindo 1 ponto. Eles perdem a noção. Normalmenete, levamos os casos para o conselho de classe decidir – explica Raquel.

Professor de matemática do mesmo colégio, Daniel Fadel diz que recebeu seis mensagens somente ontem com o mesmo pedido. Segundo Fadel, muitos alunos usam o argumento de que ficaram em recuperação apenas na sua disciplina:

– Sempre respondo para dar uma satisfação, mas corto logo o assunto. Explico de uma forma didática para ele entender que isso não é permitido. Digo que a melhor forma de ajudar é mandando dúvidas para tirar pelo Facebook.

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