Livro vendeu mais de um milhão de exemplares lá fora

Romance se passa nas etapas de uma refeição, da entrada à sobremesa Mark Kohn Zomerhuis / Divulgação

Romance se passa nas etapas de uma refeição, da entrada à sobremesa Mark Kohn Zomerhuis / Divulgação

Maurício Meireles em O Globo

RIO – A narrativa do romance “O jantar”, do escritor holandês Herman Koch — um dos maiores best-sellers da Europa de 2012, com mais de um milhão de exemplares vendidos — se desenrola durante as etapas de uma refeição. Da entrada à sobremesa, passando por vinho e prato principal. No restaurante, dois irmãos e suas respectivas mulheres comem, enquanto adiam um assunto inevitável: o crime terrível cometido por seus filhos, que, flagrado por câmeras de segurança, chocou o país. Com diálogos que começam com amenidades, mas ficam cada vez mais tensos, “O jantar” chega agora às livrarias brasileiras, pela Intrínseca, traduzido por Alexandre Martins.

A sinopse pode lembrar um pouco a peça “Deus da carnificina”, da francesa Yasmina Reza, adaptada para o cinema por Roman Polanski em 2011. Na história de Yasmina, também há dois casais que se encontram para discutir um problema com os filhos, que brigaram na escola. Mas, diferentemente da peça, que é uma sátira social, “O jantar” é construído como um thriller psicológico.

— Nunca tinha visto a peça. Só fui ouvir falar dela quando o livro foi publicado. Também só vi o filme depois, então não me inspirei em nenhum dos dois. Claro que há essa semelhança, o fato de haver dois casais brigando por causa dos filhos, mas só isso — diz o autor. — Não escrevi pensando em fazer uma sátira social. Há um pouco disso na descrição da comida do restaurante, mas esse não é o prato principal do romance.

A ideia do livro, diz Koch, é colocar em pauta a correção política. Um dos pais, afinal, é um político de sucesso na Holanda, candidato a primeiro-ministro. Aos poucos, os ressentimentos entre os dois irmãos vão sendo revelados. Até onde eles podem ir para proteger os filhos?

Narrativa inspirada na dramaturgia

Além de escritor, Herman Koch é um ator de TV de sucesso na Holanda. Não à toa, veio da dramaturgia a ideia de dividir a narrativa nas etapas de um jantar. Mesmo sem ter jamais atuado em teatro, seu desejo foi escrever uma peça em cinco atos.

— Do ponto de vista da linguagem, achei que seria desafiador escrever uma história em que os personagens continuam no mesmo cenário o tempo inteiro. É como um restaurante de verdade, de onde eles só podem sair depois de pagar a conta — diz

“O jantar” teve seus direitos vendidos para 37 países e foi traduzido para 33 idiomas. O motivo do sucesso?

— Acho que tem a ver com aquela dúvida comum a todos: o que meus filhos fazem enquanto eu não estou olhando? Será que todas as pessoas têm uma espécie de vida dupla? Será que o cara do meu lado, no ônibus, é um assassino? — indaga o autor.

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