Instituição cobra até R$ 143 mil por ano; estudante ganhou bolsa de 80%.
Larissa Mendes disse que estudava das 6h45 até as 23h todos os dias

Isabella Formiga no G1

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A estudante Larissa Mendes, de 17 anos, que foi
aprovada na Universidade de Columbia, nos EUA
(Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)

A estudante Larissa Geovanna Mendes, de 17 anos, moradora de Taguatinga, no Distrito Federal, foi aceita por uma das instiuições de ensino mais prestigiadas do mundo, a Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. De acordo com a revista americana “Forbes”, a universidade é considerada a quinta melhor do mundo, e aparece em 13º lugar no ranking da revista inglesa Times Higher Education.

As mensalidades na instituição custam por ano o equivalente a R$ 143 mil, dos quais 80% serão bancados pela própria universidade. A jovem disse que ainda não sabe como vai pagar o restante – cerca de R$ 25 mil anuais.

Larissa é ex-aluna do Colégio Militar, em Brasília, onde estudou desde a 5ª série. Em julho deste ano, aos 16 anos de idade, ela foi aprovada em quarto lugar em jornalismo na Universidade de Brasília, curso que pretende fazer nos Estados Unidos.

Segundo a jovem, o sonho de estudar em Columbia surgiu no próprio Colégio Militar, depois que um ex-aluno e estudante da universidade palestrou na escola.

“Todo ano alguns ex-alunos que foram para Ivy League [composta pelas oito universidades americanas de maior prestígio, entre elas Columbia, Harvard, Princeton e Yale] palestram no colégio sobre a possibilidade de sair, ir para fora, procurar outras coisas além do que tem no Brasil”, disse. “No primeiro ano do ensino médio percebi que tinha a chance e resolvi fazer.”

Ainda no primeiro ano, Larissa disse que, além de aperfeiçoar as notas, resolveu ampliar as atividades extra-curriculares.

“Comecei com a ajuda da Fundação Estudar, que seleciona alunos do Brasil todo que tem potencial”, diz. “Eu fiz aula de literatura estrangeira, campanha para Organizações Não Governamentais internacionais, participei de conferências do Invisible Children [organização contra atividades do grupo armado LRA – Lord’s Resistance Army, em Uganda, na África], escrevi para o jornal do colégio, estagiei em um projeto da Secretaria de Educação”, diz.

“Como morei um tempo na área rural, também era bastante envolvida com jornais comunitários e com a movimentação comunitária. Também ganhei um concurso de discursos em inglês de ‘public speaking’ [oratória] e sempre escrevi, gostei de escrever, ganhei vários concursos de redação a nível de Brasília e a nível nacional.”

A jovem, que na época vivia na área rural do Gama, conta que no último ano de ensino médio, chegava à escola, na Asa Norte, em Brasília, às 6h45 e, depois de almoçar, estudava até as 23h, diariamente.

“Era bem maluco, porque eu tinha que conciliar o primeiro semestre do terceiro ano [do Ensino Médio] para manter as notas altas e estudar para as provas específicas do processo de aplicação dos SATs, que são provas do sistema americano, próximo do que seria um Enem americano”, diz. “Estudava em ritmo dobrado. Durante meu primeiro semestre, eu chegava em casa e estudava. Não fazia muito outra coisa. Estudei muito.”

Reprodução de site da Universidade de Columbia (Foto: Columbia University/Reprodução)

Reprodução de site da Universidade de Columbia
(Foto: Columbia University/Reprodução)

“Claro que tinha dias que eu chegava em casa que não conseguia, que precisava sentar e assistir a um filme, fazer nada. Mas era só entrar no site, olhar as fotos da Columbia que eu lembrava do meu sonho”, disse.

Segundo a jovem, a escola em que estudou sempre estimulou a competitividade entre os alunos, o que a ajudou a manter o foco. Segundo ela, no último ano de ensino médio, ela ficou em 30º lugar no ranking de alunos com melhores notas entre 550 estudantes.

Além disso, ela disse que buscava motivação em pessoas próximas que sempre trabalharam muito, como a avó, que é enfermeira aposentada. “Moro com ela e ela sempre foi uma grande inspiração para mim porque gosta de estudar. Ela passou isso pra mim”, disse. “Estar em um círculo social de pessoas que sempre estiveram trabalhando muito para alcançar os sonhos também ajudou. Durante toda a vida tive isso, soube que o esforço recompensa.”

“Columbia para mim sempre foi um sonho nesse sentido, e sonho grande, porque não era fácil. Eu queria entrar na quinta melhor universidade do mundo. Era um sonho que fazia parte de outros sonhos, sonhos maiores.”

Planos

Localização da Universidade de Columbia, em Manhattan, nos EUA

Localização da Universidade de Columbia, em Manhattan, nos EUA

Larissa diz que pretende trabalhar com jornalismo. “Sonhei muito em trabalhar como repórter, escrever como jornalista, escrever para jornal”, disse. “Mas depois disso tenho vontade de trabalhar um pouco na área empresarial, ser acionista de um jornal e também tenho vontade de trabalhar com arte e até transformar isso em um negócio social.”

A jovem tem muitos planos para o futuro, mas ainda não sabe se pretende voltar ao Brasil depois de formada. “Quero fazer algum trabalho no Brasil, gostaria de investir aqui, mas meu primeiro plano é ficar lá”, diz. “Quero conseguir um estágio para conseguir sair de lá trabalhando num lugar legal para eu poder crescer e fazer minha carreira a partir daí.”

Em 2014, Larissa vai trancar a matrícula na UnB, mas disse que quer concluir a segunda fase do vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Se aprovada, pretende cursar o primeiro semestre de jornalismo em janeiro até o início das aulas em Columbia, que começam em agosto.

“Não consigo ficar parada. Para mim, férias é bem complicado quando não estou viajando, porque não gosto de não fazer nada”, disse. “Acho que quando as oportunidades aparecem você tem que aproveitar, porque pode sentir falta delas um dia.”

Larissa disse que estava em um shopping quando soube da aprovação na universidade. “Liguei para minha avó porque queria que ela fosse a primeira a saber”, disse. “Chorei bastante. Depois contei para os meus amigos e a gente saiu para comemorar em um barzinho. Lá, eles me pintaram de azul, que é a cor de Columbia”, disse.

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