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Patricia Oliveira, no Literatortura

Se, ao escrever uma crônica, um poema, um livro ou algo do gênero, você recebeu apenas comentários positivos de um público em geral – não apenas de conhecidos -, sem ao menos uma crítica, mesmo que de cunho construtivo, então saiba que tem algo errado: alguém mentiu ou se omitiu. E, caso tenha recebido, não se preocupe, pois não está sozinho. Grandes escritores também estão fadados a receber grandes críticas. E grandes críticos, consequentemente, a ser criticados por sua vez. O problema é quando, além de críticos, são também colegas de profissão. Confira na lista abaixo alguns de nossos escritores favoritos comentando a respeito uns dos outros de uma maneira que poucos iriam imaginar, e veja se algum deles pensa como você:

Evelyn Waugh sobre Marcel Proust:

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“Estou lendo Proust pela primeira vez. É uma coisa muito pobre. Eu acho que ele tinha algum problema mental.”

Virginia Woolf sobre James Joyce:

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Virginia declara após ler um dos romances mais conhecidos do irlandês: “Ulisses é o trabalho de um estudante universitário enjoado coçando as suas espinhas.”.

Oscar Wilde sobre Alexander Pope:

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“Existem duas formas de se odiar poesia: uma delas é não gostar, a outra é ler Pope.”

William Faulkner e Ernest Hemingway:

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O autor de O Som e a Fúria declarou o seguinte: “Hemingway nunca foi conhecido por usar uma palavra que faça o leitor consultar um dicionário”

Ao passo que, quando questionado sobre isso, Ernest diz: “Pobre Faulkner, realmente acredita que grandes emoções vêm de grandes palavras?”.

Fico na dúvida entre Mark Twain ou Vladimir Nabokov para considerar como o Ingmar Bergman da literatura, no que se refere aos inúmeros disparates realizados aos inúmeros colegas de profissão. Veja alguns casos de ambos e tire suas próprias conclusões:

Vladimir Nabokov sobre Joseph Conrad:

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O autor de Lolita declara: “Eu não consigo tolerar o estilo loja de presentes de Conrad e os navios engarrafados e colares de concha de seus clichês românticos.”.

Vladimir Nabokov sobre Sigmund Freud:

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Quando questionado sobre o porquê de tanto odiar o pai da psicanálise, em uma entrevista concedida para o canal de televisão americano National Educational Television, o russo declarou o seguinte: ” Eu acho que ele é grosseiro, eu acho que ele é medieval, e não quero um senhor idoso de Viena com um guarda chuva impondo seus sonhos pra cima de mim. Eu não tenho os sonhos que ele discute nos livros. Eu não vejo guarda-chuvas em meus sonhos. Ou balões.”.

Vladimir Nabokov sobre Fiódor Dostoievski:

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A falta de bom gosto de Dostoievski, seus negócios monótonos com pessoas sofrendo de complexos pré-Freudianos, o jeito que se chafurda nas trágicas desventuras da dignidade humana – tudo isso é difícil de admirar

Mark Twain sobre Jane Austen:

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Twain, após explicar que não se acha no direito de criticar uma obra, a não ser que a odeie, cita Austen e declara: “Cada vez que leio Orgulho e Preconceito tenho vontade de desenterrá-la e golpeá-la no crânio com sua própria tíbia”.

Mark Twain sobre James Fenimore Cooper:

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“A arte de Cooper tem alguns defeitos. Primeiramente, em “Deerslayer”, em um espaço restrito de 2/3 de página, Cooper conseguiu realizar 114 ofensas contra a arte literária, além de uma possível 115ª. Isso bate o recorde.”.

Charles Baudelaire sobre Voltaire:

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“Eu cresci entediado na França. E o maior motivo para isso é que todo mundo aqui me lembra o Voltaire… o rei dos idiotas, o príncipe da superficialidade, o antiartista, o porta-voz das serventes, o papai Gigone dos editores da revista Siecle.”

Truman Capote sobre Jack Kerouac:

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Truman declara, após ler Na Estrada – obra também conhecida como a “Bíblia Hippie” – o seguinte: “Isso não é escrever. Isso é só datilografar.”.

George Moore sobre Gustave Flaubert:

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Sobre o autor de Madame Bovary, o novelista afirma: “Flaubert me entedia. Quantas coisas sem noção falam sobre ele!”.

Henry James sobre Edgar Allan Poe:

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“Entusiasmar-se em relação a Poe é decididamente um sinal de estágio primitivo de reflexão.”
Ao que nosso querido Poe com certeza responderia: “Tenho muita esperança em tolos – autoconfiança é o que meus amigos diriam.”.

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