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Uma campanha que começou na internet já arrecadou 750 mil livros. Saiba como participar

Danilo Venticinque na revista Época

Natal é tempo de encher as estantes. Com as promoções de fim de ano nas livrarias e os presentes que recebemos, qualquer leitor consegue realizar seus maiores sonhos de consumo e ocupar ainda mais a área nada pequena que reservamos aos livros em nossas casas. A conclusão é automática: precisamos de mais espaço, mais estantes e ainda mais livros. Precisamos mesmo?

 

Desde 2009, a campanha “Doe um livro no Natal” aproveita o espírito natalino para promover o desapego literário. A época em que ganhamos mais livros é a melhor época para doá-los. A ideia foi sugerida no Twitter pela professora Laura Xavier. Com o apoio de outros voluntários, tornou-se uma campanha bem-sucedida que arrecadou mais de 750 mil livros em quatro anos. Os títulos doados são encaminhados para escolas públicas e bibliotecas de todo o país. “Nossa ideia original era conscientizar as pessoas, mas com a força das redes sociais a conscientização se transformou em ação”, diz José Luiz Goldfarb, curador do prêmio Jabuti e divulgador da campanha.

 

Até o ano passado, a campanha contava com o apoio de uma rede de farmácias para receber as doações. Em 2013, é a vez dos restaurantes. Até o dia 31 de janeiro, 22 restaurantes participarão da iniciativa, batizada de Restaurant Book. Quem doar pelo menos um livro receberá um desconto de 10% no valor total da conta – um incentivo a mais para abrir mão dos livros que estão sobrando. A lista de participantes está no blog da campanha. Lá, leitores de outras cidades encontrarão endereços de outros pontos de doação, representantes de escolas podem se cadastrar para receber livros e donos de restaurantes ou bares podem se informar sobre como aderir ao Restaurant Book.

 

Falar sobre doações de livros é bonito, mas nem sempre é fácil doá-los. Quem acompanha a coluna há algum tempo sabe que o quanto é difícil enfrentar a vontade de acumular o maior número possível de títulos, mesmo quando não somos capazes de ler tudo. Vencer esse instinto de preservação da estante é difícil, mas é recompensador. O segredo é começar aos poucos, por onde dói menos. Ninguém se sente mal quando doa um livro que não gostou. Quando conseguimos fazer isso, não parece tão ruim a ideia de doar um livro que já lemos e não pretendemos reler. Ou até mesmo aquele que pretendemos reler, mas o tempo nunca permite. Com o tempo, ganhamos mais espaço na estante – e os livros ganham novos leitores.

 

Claro que pouquíssimos abrirão mão de seus livros favoritos, aqueles que sempre nos trazem de volta para suas páginas. Mas ninguém precisa fazer isso para contribuir para a campanha. “O apaixonado por livros sempre tem livros sobrando”, diz Goldfarb. “Um livro abandonado na estante, por mais mágica que seja a sua história, é um livro morto. Ele precisa de leitores para que a sua história continue viva.” Neste Natal, dê esse presente aos seus livros.

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