Guilherme Genestreti, na Folha de S.Paulo

Claire é uma adolescente americana que se envolve com Patrick, outro jovem. Os dois se apaixonam intensamente, mas o fato de um deles poder se transformar em lobisomem –no caso, a garota– é um obstáculo ao relacionamento do casal.

Mas semelhanças com a saga “Crepúsculo”, de Stephanie Meyer, param por aí. O livro juvenil “Lua Vermelha”, do escritor Benjamin Percy, inclui na receita ingredientes de paranoia pós-11 de Setembro: uma nação estrangeira ocupada por tropas americanas, terroristas que sequestram aviões e uma lei que restringe os direitos civis dos cidadãos.

“Vivemos numa cultura do medo e eu queria replicar isso na obra”, afirma Percy, 34, à Folha. “Temos medo de germes. Há loções bactericidas em cada casa, em cada escritório. E o recente atentado em Boston está aí para nos lembrar que também tememos o terrorismo.”

O escritor americano Benjamin Percy, autor do novo romance juvenil "Lua Vermelha" / Jennifer May/Divulgação

O escritor americano Benjamin Percy, autor do novo romance juvenil “Lua Vermelha” / Jennifer May/Divulgação

Na obra, lançada em maio do ano passado nos EUA e em outubro no Brasil, Claire é uma licana: é portadora de um vírus que a transforma em lobisomem nos momentos de estresse.

Perseguidos durante séculos, muitos dos licanos moram em um país escandinavo que se encontra sob intervenção militar americana. Em represália, insurgentes daquele país sequestram três aviões em um atentado terrorista.

Patrick, filho de um soldado americano que desapareceu no país ocupado, é o único sobrevivente de um desses ataques às aeronaves, mas se apaixona justamente por Claire, licana que vive nos Estados Unidos.

Apesar das muitas semelhanças com o contexto da guerra contra o terror, Percy diz que não quer que os fatos descritos no livro sejam interpretados como alegoria de eventos específicos.

“É uma visão meio distorcida, borrada do nosso mundo. Estou interessado no clima de medo em que vivemos”, diz.

O escritor também não vê semelhanças entre o amor impossível de Patrick e Claire e o dos personagens Edward e Bella, de “Crepúsculo”.

“Acho Bella um modelo perturbadoramente vitoriano de feminilidade: ela permite que um homem a comande e a molde, em uma condição de dependência física e emocional. As mulheres no meu livro são os personagens mais fortes, não querem ser vítimas, estão prontas a lutar por si mesmas”

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