Fantasia e história se misturam nesse clássico da nona arte mundial

Francisco Costa no Diário da Manhã

929-zoom_20130627110448No final do ano passado, chegou às livrarias brasileiras pela editora Nemo um dos mais aclamados quadrinhos já produzidos. Trata-se da HQ, Os Companheiros do Crepúsculo, do francês François Bourgeon. A comics é uma aventura ambientada da idade média, que entrelaça em seu enredo uma boa dose de fantasia.

A trama é divida em três capítulos. São eles O Sortilégio do Bosque das Brumas, Os Olhos de Estanho da Cidade Glauca e O Último Canto das Malaterre. Além do tom fantasioso, a coletânea traz cenas cotidianas, uma pega erótica e lutas sangrentas – tudo embalado no brilhante traço detalhadíssimo e inspiradíssimo do autor.

Desde que foi lançada, Os Companheiros do Crepúsculo levaram quase 30 anos para chegar em nossas terras. A edição brasileira traz os três volumes originais no estilo formatão 24 x 32, com o total de 240 páginas. Fernando Scheibe traduziu o material, que tem preço sugerido de R$ 94.

Obra

A cada leitura, o material de Bourgeon é capaz de revelar um novo aspecto, mesmo que despercebido a princípio. A obra traz um raro realismo visto em histórias em quadrinhos – mesmo com o tom de fantasia. É possível verificar um retrato fiel do cotidiano da época, explicitado em lutas entre nobres e plebeus, além de toda a violência presente durante a chamada Guerra dos Cem Anos.

O foco da trama é retratado por meio de três personagens. A primeira delas é a jovem e bela Mariotte. A bonita moça foi criada pela avó feiticeira. Ela é sempre maltratada pelos moradores da vila onde nasceu. O segundo deles é Anicet. Ele é, também, um jovem, porém, vive a atormentar a jovem donzela.

Por fim, o terceiro personagem de destaque na trama é um misterioso cavaleiro, cujo rosto é deformado. Ele tem a consciência pesada por se sentir culpado pela morte de seu único amor e uma maldição que o torna uma marionete das três forças que regem o universo: a branca, a vermelha e a negra.

Trama

A vila de Mariotte e Anicet acaba sendo destruída por uma tropa de soldados que andavam a ermo pela floresta. Como os dois não sabem o que fazer, decidem seguir o misterioso cavaleiro, que está em sua busca contra as forças do mal.

O improvável trio acaba seguindo caminho junto. Durante sua jornada, enfrentam uma série de obstáculos, como camponeses mal informados com a destruição provocada pela guerra, pequenos duendes e servos das forças do mal.

A narrativa de Bourgeon é repleta de sinais, enigmas, simbologia, além de misterios. Mas mesmo com a pegada complexa, ele leva o leitor em uma viagem a idade média, com enredo que mistura ficção e história. O material é uma bela pedida para quem curte o tema de fantasia medieval.

Quem curte livros como O Senhor dos Anéis ou O Nome da Rosa, pode apreciar este material. Vale ressaltar, que enquanto ainda era publicada, entre 1984 e 1991, a revista rendeu ao autor prêmios no Festival d’Angoulême e na Espanha.

O autor

O quadrinista François Bourgeon nasceu em 1945 em Paris e se formou como artista de vitrais. Porém,sua paixão por desenhos alterou o curso de sua carreira.

As primeiras ilustrações do artista foram publicadas em revistas na década de 1970. Quando a saga Os Passageiros do Vento foi serializada na revista Circus em 1979, esta se tornou reconhecida como uma das mais importantes séries em quadrinhos de sua época.

Os títulos de Bourgeon variam de temas náuticos e medievais à ficção científica, com características intensas de violência e sexualidade. Suas obras épicas giram sempre em torno de personagens femininas fortes. Isa, Mariotte e Cyann são as heroínas de cada uma de suas séries: Os Passageiros do Vento, Os Companheiros de Crepúsculo e A Saga Cyann, respectivamente.

François Bourgeon é apontado como um pesquisador minucioso e seus desenhos, desde os navios do século XVII até o vestuário do século XIV, têm a reputação de rigor histórico. Atualmente, ele vive na Cornualha, na Bretanha.

Prêmios do autor

1980: Melhor artista do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, França

1985: Prêmio FM-BD do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, França

1988: Indicado para Melhor HQ Longa e Melhor Desenhista no Prêmio Haxtur, Espanha

1991: Prêmio do Público do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême para Le dernier chant des Malaterre

1998: Prêmio Ozone, pela história em quadrinhos Le Cycle de Cyann-Six saisons sur IlO

1998: Prêmio Angoulême Alph-Art du Public pela HQ Le Cycle de Cyann-Six saisons sur IlO

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