JD Salinger

Diego Santos, no Literatortura

Resultante de um trabalho de 9 anos pesquisa e mais de 200 entrevistas, acaba de ser lançada a biografia de Jerome David Salinger.

JD Salinger, escritor americano que, de certa forma, introduziu um novo estilo na literatura, terá nova biografia, com mais de 700 páginas, escrita pelo cineasta Shane Salerno e o escritor David Shields.

A obra conta sobre os momentos vividos por Salinger em relação a sua família, o período em que esteve na 2ª Guerra Mundial e sua aproximação com a filosofia oriental e o zen-budismo.

Os autores acreditam que os traumas da guerra tiveram extrema importância para a formação de Salinger, até no que diz respeito a sua literatura. Eles afirmam que “Ele esteve em cinco batalhas sangrentas na 2.ª Guerra e, durante algum tempo, transformou seu sofrimento acumulado em arte perecível”, escrevem os autores(…) Esses golpes físicos não só definiram sua arte como também o transformaram em um artista que exigia de si mesmo nada menos que a perfeição.”

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Salinger e os rascunhos de “O Apanhador”. Foto tirada durante a Guerra.

Eles afirmam ainda que, os traumas convertidos em Literatura, como em O Apanhador no Campo de Centeio foi o que levou tanta gente a se identificar com as obras. Identificação essa que levou John Hinckley a tentar assassinar o presidente Ronald Reagan em 1981. E até mesmo Mark David Chapman, que quando assassinou seu ídolo John Lennon, carregava nos braços um exemplar d’O Apanhador.

Shields e Salerno tentam compreender várias questões e traumas de Salinger que teriam sido transferidas para sua obra em forma de arte. Acreditam que pelo fato do escritor ter nascido com apenas um dos testículos, fizeram com que ele associasse a sexualidade adulta a vulgaridade, por isso, em seus contos era possível notar um tipo de atração por pés femininos, uma espécie de “sexualidade não genital”. Além disso, acreditam que o envolvimento dele com mulheres mais jovens seria devido a inexperiência sexual de suas parceiras, que fariam com que seu “defeito físico” passasse despercebido.

A biografia também dá destaque a reclusão do escritor. JD Salinger morreu aos 91 anos de idade, na cidade de Cornish em North Hampshire, onde se isolava há mais de 50 anos. Preferia não dar entrevistas, mas gostava de saber o que acontecia ao seu redor. Era querido pelas pessoas da cidade onde morava e aparecia de vez em quando em algumas festas, numa forma de não ser esquecido.

Gostava de saber o que era dito obre ele e sobre sua obra e aparecia para o mundo quando algum tipo de resposta era necessário.

O biógrafo Paul Alexander teria dito que Salinger era um recluso que gostava de flertar com o público para lembrá-lo de que era um recluso.

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