Estudante de Recife, de 17 anos, se inscreveu em curso apenas para ter um parâmetro. Ele quer ser engenheiro

O estudante João Lucas Fernandes nunca quis ser médico Divulgação

O estudante João Lucas Fernandes nunca quis ser médico Divulgação

Eduardo Vanini em O Globo

RIO – A história de João Lucas Fernandes dos Santos, de 17 anos, vai fazer muito vestibulando se contorcer. O morador de Recife ficou com o primeiro lugar geral da Universidade de Brasília (UnB), mas abriu mão da sua vaga. Ele se inscreveu para o curso de Medicina da UnB no Sistema Integrado de Seleção Unificada (Sisu), e foi aprovado, claro, mas nem se matriculou. O jovem, que também foi o primeiro lugar no vestibular tradicional da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) onde se candidatou ao curso de Física, quer cursar Engenharia Aeronáutica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ele não foi aprovado este ano, mas vai tentar de novo no próximo vestibular.

– Fiz minha inscrição no Sisu só para ter um parâmetro do meu potencial, mas nunca tive vontade de fazer Medicina. Escolhi a UnB pelo nível da universidade e para comparar meu desempenho com alunos de outras regiões – conta o garoto, que teve a média final de 848,77 pontos, além de uma pontuação de 860 na redação.

Filho de uma enfermeira e um professor, João sonha com o ITA há alguns anos. Desde o 9º ano, ele participa de olimpíadas de matemática, física e química, para as quais cursa atividades específicas de preparação. Fora isso, ele usa livros de nível superior para se aprofundar nessas disciplinas. Segundo ele, o conhecimento acumulado nestes anos “deu um gás” para alcançar uma nota tão alta no Enem.

– O que faz a diferença é buscar sempre mais do que o exigido pelos seus professores – define.

Tanto empenho, entretanto, não foi suficiente para assegurar o ingresso no ITA, onde a disputa era de 170 candidatos por vaga. Após enfrentar a maratona de quatro dias de provas em dezembro do ano passado, ele acabou com uma média final cinco pontos inferior à do último candidato aprovado.

– Para entrar no ITA você tem que estar com fome de ITA 24 horas por dia. E eu não estava assim na primeira prova. Estava muito relaxado e não usei uma boa estratégia. Em vez de priorizar as questões mais fáceis, fiz os itens pela ordem em que apareciam e acabei perdendo tempo com questões mais difíceis – lamenta.

Mas nada disso abalou o garoto. Munido da autoconfiança gerada pelo resultado no Sisu, ele está pronto para encarar um ano de cursinho e se aprofundar ainda mais aos estudos em 2014. As aulas começam no próximo dia 5.

– Quero me dedicar bastante ao cursinho, respeitando todas as metodologias e dicas passadas pelos professores, além de fazer todas as atividades extraclasse que forem oferecidas. Também já me programei para estudar até seis horas por dia em casa – planeja.

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