João Alberto Pedrini na Folha de S.Paulo

“Se você me der uma Ferrari 2014 eu não te dou essa minha coleção. Mas, se for para uma biblioteca da USP, dou de graça.”

A afirmação é do promotor aposentado Octávio Verri Filho, 68, dono de um dos mais completos acervos de livros que tratam da história e da memória dos municípios das regiões de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) e sul de Minas Gerais.

Com cerca de 2.000 obras ele quer, agora, disponibilizar ao público da internet quase todos os livros que juntou durante cerca de 40 anos.

Os livros ficam em prateleiras, organizados por temas e fechados por portas. Os mais antigos são plastificados ou embalados em plástico. O ambiente é climatizado.

Silva Junior/ Folhapress
O promotor aposentado Octávio Verri Filho, 68, ao lado de obras em sua biblioteca em Ribeirão Preto
O promotor aposentado Octávio Verri Filho, 68, ao lado de obras em sua biblioteca em Ribeirão Preto

O local não é aberto ao público, mas Verri conta que já recebeu inúmeros pesquisadores no local.

“Tem livro aqui que eu duvido que você encontre em qualquer outra biblioteca da região”, afirmou.

No acervo, há raridades, como o livro de 1907 “Almanaque de Ribeirão Bonito”, organizado e escrito por J. V. Guimarães e Gustavo de Suckow.

Para fazer parte da biblioteca de Verri, o livro tem de abordar temas regionais ou “da terra”. Ele reúne obras de aproximadamente 135 cidades que estão num raio de cerca de 200 quilômetros de Ribeirão Preto.

Também há referências a 20 cidades mineiras. Foram por elas que, segundo ele, chegaram os primeiros colonizadores da região.

E não são apenas livros históricos que fazem parte do acervo. Há também monografias, dissertações de mestrados, teses de doutorados e outros trabalhos acadêmicos.

Entre as raridades históricas de sua biblioteca, Verri destaca três livros.

O primeiro é “Álbum Comemorativo do 1º Centenário da Fundação da Cidade de Ribeirão Preto”, de 1956, organizado por João Emboaba da Costa. O segundo, “Almanach Ilustrado de Ribeirão Preto”, de 1913, editado por Sá, Maraia & Cia.

Por fim, “Contribuição à História Natural e Geral de Pirassununga”, escrito por M. P. de Godoy, com 220 páginas escritas à mão.

DIGITALIZAÇÃO

Para disponibilizar as obras na internet, ele disse precisar de R$ 250 mil. É o custo para digitalizar as páginas e publicar no site, que já está no ar.

Por meio do site www.plataformaverri.com.br é possível conhecer quais livros constam da biblioteca de Verri. Por enquanto é possível para acessar a capa, um resumo, o sumário e o índice.

Mas o promotor aposentado quer oferecer, em até três anos, todo o conteúdo, que versa sobre a criação dos municípios, a colonização, a política, a história das famílias, a cultura e as ferrovias.

Verri afirmou que espera conseguir isso com leis de incentivo à cultura. A intenção é captar recursos de empresas que podem patrocinar o projeto e ter descontos no imposto de renda.

Depois de iniciada, toda a digitalização da biblioteca deve ser concluída em dois anos.

O trabalho pode ser um pouco mais demorado porque Verri precisa da autorização de todos os autores para inserir as páginas dos seus livros na internet.

“É um sonho que eu tenho. Não quero que tudo isso fique aqui, apenas para poucos verem”, afirmou. “Quero que qualquer um veja, leia, pesquise, tenha acesso”, disse o promotor aposentado.

Apesar de querer disponibilizar todo o acervo digitalmente, Verri está tentando doar a biblioteca para a USP.

De acordo com ele, os livros ficariam na BHM (Biblioteca de História da Medicina), da Faepa (Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência) do Hospital das Clínicas de Ribeirão, da USP, que fica na avenida 9 de Julho.

“Quero um local onde os livros permaneçam, independentemente das pessoas”, disse. “Mas só vou doar mediante várias condições”, afirmou Verri.

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