Especialistas falam sobre o impacto da escola nas vidas dos pequenos.
Evitar atrasos, ter paciência e não forçar amizades são algumas das dicas.

Publicado por G1

Pais podem acompanhar de perto o reinício das aulas e ajudar seus filhos na readaptação (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Pais podem acompanhar de perto o reinício das
aulas e ajudar seus filhos na readaptação
(Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Escolas de todo o país retomam as atividades entre esta semana e o início de fevereiro. Neste ano, o calendário foi reformulado e as aulas devem começar mais cedo para que o recesso do meio do ano seja conciliado com a Copa do Mundo, a partir do dia 12 de junho. O período, mesmo para as crianças que já estão acostumadas com a vida escolar, é de adaptação e exige acompanhamento dos pais.

O G1 conversou com especialistas que dão dicas de como ajudar as crianças a passarem mais tranquilamente por este período:

No primeiro dia, não se atrase

Na primeira vez que uma criança vai à escola, as reações variam e, por isso, não há uma normativa única que se aplique a todos os casos, segundo explica a psicóloga e psicanalista Vânia Ghirello Garcia. Mas um comportamento dos pais pode ser chave para evitar problemas no segundo, terceiro e demais dias de aula. “No primeiro dia é importante não atrasar para buscar a criança na escola. Porque, se atrasar, a fantasia que a criança vai criar é que ela foi abandonada, que a mãe não vem mais. E aí, como ela vai para a escola no dia seguinte?”

De acordo com Vânia, é importante cumprir o combinado para que a criança tenha confiança, e isso facilita o processo de adaptação. Em geral, as escolas já têm suas regras sobre a permanência de mães e pais na sala de aula, ou em outro espaço da escola, nos primeiros dias. Mas, assim como em outras novidades na vida infantil –como o desmame–, também vale a regra de que a tranquilidade dos pais ajuda a tranquilizar os filhos. Uma dica de Vânia é conversar com outras mães que estão passando pelo mesmo processo. “Ao ouvir alguém falar de algo pelo qual você também está passando, você fica mais confortável.”

Aulas iniciam entre esta semana e o começo de fevereiro(Foto: Edivaldo Souza/G1)

Aulas iniciam entre esta semana e o
começo de fevereiro(Foto: Edivaldo Souza/G1)

Evite frases como ‘coitado, vai para a escola’

Nos casos das crianças que já estão na escola, e agora voltam das férias, Andrea Ramal, doutora em educação, afirma que “a criança não entra no ritmo de uma hora para outra, os pais precisam entender e se envolver na dinâmica da volta às aulas”.

A especialista diz que esta é uma ótima oportunidade para que os pais reforcem a importância do estudo e evitem frases do tipo “agora acabou a brincadeira” ou “coitado, vão começar as aulas, vai ter de voltar para a escola”.

Segundo ela, “frases assim passam a ideia de que o estudo, prazer e diversão são opostos. Pais devem falar para as crianças que esta é uma época para evoluir, fazer amigos, que o estudo acrescenta, e mostrar que é algo valioso”.

Se houver resistência por muito tempo, procure a escola O período de adaptação na escola é um momento de crescimento para o aluno que vai sair de sua zona de conforto, conhecer novos colegas, novos professores, segundo Andrea. "É positivo para a criança, desenvolve outras competências, como a inteligência emocional." Apresentar resistência no início é natural, mas os pais devem observar se a criança tem problema de adaptação por muito tempo. Neste caso, o ideal é procurar a escola para verificar se há um problema específico. Mudança de escola exige paciência Quando o filho vai para uma escola nova, em uma turma que já tem grupos de amigos formados, os pais devem acompanhar sua adaptação de maneira próxima. Se a substituição ocorreu por conta de uma mudança de cidade ou de bairro, a criança pode se sentir deslocada por ter quebrado laços afetivos. Andrea suger ao pais acompanhar a criança de perto para que ela tenha a certeza de que não está sozinha. "Se possível, levá-la e buscá-la na escola, perguntar como foi o dia, mostrar interesse."Se houver resistência por muito tempo, procure a escola

O período de adaptação na escola é um momento de crescimento para o aluno que vai sair de sua zona de conforto, conhecer novos colegas, novos professores, segundo Andrea. “É positivo para a criança, desenvolve outras competências, como a inteligência emocional.”
Apresentar resistência no início é natural, mas os pais devem observar se a criança tem problema de adaptação por muito tempo. Neste caso, o ideal é procurar a escola para verificar se há um problema específico.

Mudança de escola exige paciência

Quando o filho vai para uma escola nova, em uma turma que já tem grupos de amigos formados, os pais devem acompanhar sua adaptação de maneira próxima. Se a substituição ocorreu por conta de uma mudança de cidade ou de bairro, a criança pode se sentir deslocada por ter quebrado laços afetivos. Andrea suger ao pais acompanhar a criança de perto para que ela tenha a certeza de que não está sozinha. “Se possível, levá-la e buscá-la na escola, perguntar como foi o dia, mostrar interesse.”

Nos primeiros dias, deixa rolar, para ver como vai ser, depois isso [fazer novos amigos] vai acontecer. Cada um vai ter um tempo de fazer amizade”
Vânia Ghirello Garcia,
psicóloga e psicanalista

Forçar novas amizades para reduzir a solidão do filho, porém, pode ser uma má ideia. A dica é evitar, no início do ano letivo, convites para brincar em casa e outras atitudes que obriguem o filho a conviver com os colegas recém-feitos fora da escola. “Nos primeiros dias, deixa rolar, para ver como vai ser, depois isso [fazer novos amigos] vai acontecer. Cada um vai ter um tempo de fazer amizade”, alerta a psicóloga Vânia.

Se a mudança ocorreu por um motivo negativo, como uma reprovação por exemplo, os pais devem mostrar o aspecto positivo de a criança estar numa escola, como a oportunidade de refazer a imagem, construir uma nova história. “Mudança de escola nunca é fácil, mas pode ser muito positiva”, explica Andrea.

Ano de Copa e eleições

A Copa do Mundo e as eleições prometem movimentar o currículo das escolas brasileiras neste ano. Os temas devem ser abordados de maneira mais forte e esta também será uma oportunidade de passar o conteúdo de forma interdisciplinar, aproveitando várias disciplinas, segundo Andrea Ramal.

“Será possível ligar o conteúdo da escola com a vida prática, levando o aluno a ler mais jornais, sites, competências cobradas até no Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. Mas é importante trabalhar de maneira integrada com os diversos professores para que não haja repetição de conteúdos. Vai ser um ano muito bom ser as escolas souberem aproveitar tanto no ensino fundamental como no médio”, afirma Andrea.

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