Para fazer amigos, vale aproveitar as festas organizadas para os ‘bixos’.
Atividades extracurriculares também enriquecem experiência, dizem veteranos.

Estudantes da USP na Praça do Relógio, na Cidade Universitária em São Paulo (Foto: Cecília Bastos/Jornal da USP/Divulgação)

Estudantes da USP na Praça do Relógio, na Cidade Universitária em São Paulo (Foto: Cecília Bastos/Jornal da USP/Divulgação)

Ana Carolina Moreno e Vanessa Fajardo, no G1

Os mais de 11 mil candidatos aprovados na primeira chamada da Fuvest 2014 precisam confirmar suas matrículas na Universidade de São Paulo (USP) nesta terça (4) e quarta-feira (5), no site www.fuvest.com.br. Até o dia 12 de fevereiro, quando começa o período de matrícula presencial, duas novas chamadas devem ser divulgadas para convocar candidatos para vagas remanescentes.

O G1 ouviu veteranos da instituição que estudam nos campi no Butantã, Pinheiros e no Centro de São Paulo para saber que dicas eles gostariam de ter recebido quando ainda eram calouros. Veja abaixo as recomendações, truques e segredos de quem já estuda na USP para aproveitar ao máximo a experiência na universidade:

Diego Santos é veterano da educação física (Foto: Arquivo pessoal/Diego Santos)

Diego Santos é veterano da educação física
(Foto: Arquivo pessoal/Diego Santos)

Aprenda a se virar sozinho

Muito diferente do colégio, a universidade dá mais liberdade aos estudantes, mas também exige mais, segundo os veteranos. “No colégio era mais fácil, os professores ajudavam, te davam assessoria, na faculdade já é diferente porque é cada um por si. Você precisa aprender o mais rápido possível a correr atrás das coisas”, afirma Beatriz Hida, que na Fuvest 2013 foi aprovada no curso de engenharia civil, na Escola Politécnica.

Segundo ela, nas aulas da faculdade não há tempo para que um professor explique tudo “tintim por tintim”, até que todos os alunos aprendam. Além disso, os prazos de trabalhos são diferente da lição de casa do ensino médio e, por isso, cada estudante precisa organizar sua agenda.

Diego de Souza Gonçalves, que em 2014 passou para o segundo ano de educação física, alerta aos candidatos que passarem no vestibular para o curso que as provas da Fuvest foram as últimas “fáceis” que eles farão. “Seu primeiro ano será enlouquecedor e você precisará estudar de verdade”, diz.

Verônica estuda letras na USP (Foto: Flavio Moraes/G1)

Verônica estuda letras na USP
(Foto: Flavio Moraes/G1)

Deixe o preconceito do lado de fora

Famosa desde a época da ditadura militar pelo ativismo de seu movimento estudantil, a USP e suas faculdades em geral são rotuladas de acordo com as especificidades de seus cursos, professores e alunos.

Verônica Rodrigues Souza, de 22 anos, foi aprovada em letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) no ano passado, e acredita que todos os calouros e calouras, de qualquer curso, se beneficiarão caso entrem na instituição com a mente aberta.

“Acho que eles precisam entrar sem medo, sem nenhum preconceito. Esse tipo de coisa que dizem, que na Poli só tem reacionário, ou que todo mundo da FFLCH é de esquerda, que só tem barbudo andando de chinelo, essas coisas, não é verdade. Tem gente de todo tipo.”

Edelvan está no 6º ano de medicina na USP (Foto: Arquivo pessoal/Edelvan Gabana)

Edelvan está no 6º ano de medicina na USP
(Foto: Arquivo pessoal/Edelvan Gabana)

Participe dos eventos para os ‘bixos’

A maneira mais fácil de fazer novos amigos na USP são os eventos e festas organizados pelos veteranos. Algumas, como a semana de recepção, com o famoso trote, e o evento esportivo Bixusp, são feitas especialmente para a integração dos novatos. “No começo do ano dão muita oportunidade para conhecer o máximo de pessoas que você pode, é algo muito legal, e só tem no começo do ano”, avisa Beatriz Hida, da Poli.

Na medicina, no campus de São Paulo, o trote foi substituído por uma semana de recepção que inclui visitas monitoradas e churrasco com alunos de todos os anos. Aluno do 6º ano, Edelvan Gabana, de 26 anos, se lembra da semana de recepção com muito carinho. “É um momento inesquecível, o calouro é tratado como rei, todo mundo tenta ajudar, e é o melhor período para conhecer gente da própria sala e de outros anos.”

No resto do ano, não faltam cervejadas e festas que já se tornaram tradicionais em diversas unidades da USP. “Toda quinta tem Quinta & Breja na ECA [Escola de Comunicação e Artes] e se você quiser gente legal, esse é o lugar”, recomenda Diego, da educação física.

Para os mais tímidos, Diego lembra que os alunos mantêm o grupo “Spotted USP” no Facebook para facilitar a busca de pessoas interessantes encontradas nas festas ou no dia-a-dia do campus.

Wagner Coraça passou em artes visuais na USP em 2012, aos 60 anos (Foto: Flavio Moraes/G1)

Wagner Coraça passou em artes visuais na USP
em 2012, aos 60 anos (Foto: Flavio Moraes/G1)

Busque atividades extracurriculares

O engenheiro aposentado Antonio Wagner Coraça voltou à sala de aula com 60 anos para o curso de artes visuais da USP. Calouro em 2012, o agora aluno do terceiro ano recomenda que os novatos não percam tempo em descobrir as variadas oportunidades de cursos, grupos e atividades além da graduação. “A universidade proporciona uma grande gama de oportunidades, tanto de cursos paralelos de desenvolvimento, de atividades pessoais, não só dentro da especialidade que o aluno está cursando, como de todas as outras faculdades que compõem a universidade.”

No campus da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo, é possível encontrar grupos de maracatu ensaiando ao ar livre, por exemplo. Além disso, as unidades oferecem cursos de extensão universitária de vários tipos. É possível, ainda participar voluntariamente de projetos sociais, como cursos de redação grátis para pessoas com baixo poder aquisitivo.

Outras facilidades para os estudantes são os cursos esportivos oferecidos no Centro Poliesportivo (Cepe), também na Cidade Universitária, onde é possível usar diversas quadras, campos e piscinas.

Viníccius Martins Boaventura estuda direito na USP (Foto: Arquivo pessoal/Viníccius Martins Boaventura)

Viníccius Martins Boaventura estuda direito na USP
(Foto: Arquivo pessoal/Viníccius Martins Boaventura)

Aproveite a vida universitária

Viníccius Martins Boaventura, de 20 anos, está no terceiro ano de direito e recomenda aos novos calouros que procurem privilegiar a vida universitária em detrimento dos estágios, principalmente o primeiro ano. “Muita gente começa a estagiar no primeiro ano, mas a faculdade abre um monte de portas lá dentro mesmo. São várias atividades extracurriculares dentro da USP que podem acrescentar mais do que um estágio.”

Aos calouros de medicina, a dica de Edelvan Gabana é aproveitar bem o primeiro ano para fazer atividades extracurriculares, porque nos anos seguintes, o curso tende a ficar mais puxado e os estudantes terão pouco tempo disponível. A recomendação de Gabana é se informar na atlética que oferece atividades esportivas que vão do beisebol, xadrez até os esportes mais tradicionais. “O primeiro ano de faculdade para os alunos de medicina é importante para que eles voltem a fazer o que gostavam antes da época do cursinho. Voltar sair, estudar idiomas, etc. Todo calouro se sente perdido, é uma sensação unânime, mas é um ano fantástico, de muito crescimento”, diz Gabana.

Como as disciplinas da grade do primeiro ano de medicina são básicas os alunos têm opção de participar das ligas, que estão vinculadas a departamentos diferentes do Hospital Universitário, e que permitem que os alunos atendam pacientes sob supervisão. “Algumas ligas são abertas ao primeiro ano e, como o início as matérias são muito básicas, essas atividades suprem a ânsia que o calouro tem da prática da medicina.”

Para quem está fora da Cidade Universitária, vale caprichar nas optativas

Em geral, o currículo dos cursos de graduação incluem horários livres para que os estudantes escolham disciplinas optativas dentro e fora de suas próprias unidades. Alunos de relações públicas podem se aventurar em matérias da física, e vice-versa. Quem estuda em campi fora da Cidade Universitária, onde fica a maioria das faculdades e escolas, pode aproveitar esses horários para frequentar o campus Butantã.

Essa é a dica que Viníccius dá aos calouros de direito. Ele diz que um lado agridoce de estudar no Largo São Francisco é o isolamento dos demais cursos. “O mais legal é tentar procurar fazer optativas em outros cursos, tem várias matérias na FFLCH e na ECA que podem complementar bastante o que vê em direito. E você vê a vida no campus, que é bem diferente.” Segundo ele, uma optativa bastante popular na FFLCH entre os alunos do direito é uma de sociologia que aborda os presídios.

Bandejão e as melhores lanchonetes

Segundo a estudante de letras Verônica, a Cidade Universitária tem três “bandejões”, como são conhecidos os restaurantes universitários com preço baixo: o central, que fica próximo aos prédios de residência estudantil, e os bandejões nos institutos de química e de física. “No próprio site da Coseas [ligada à Superintendência de Assistência Estudantil] colocam o cardápio da semana, é bom pro pessoal se organizar, e os horários são bons, bem estendidos. É a melhor opção”, explica ela. Coraça, da ECA, afirma que o bandejão central tem recebido elogios dos colegas nos últimos anos, e o preço da refeição, com suco e sobremesa, é convidativo: R$ 1,90.

Algumas unidades, como a Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis (FEA), possem restaurantes por quilo menos baratos, mas também elogiados. E há ainda uma série de lanchonetes espalhadas pelo campus. Minipizzas, churros, tapiocas e a famosa pipoca com provolone estão entre as opções para saciar a fome dos universitários.

A lanchonete da ECA, localizada atrás do prédio central, é a mais citada pelos veteranos. “Recomendaria a ECA para comer, é barato e gostoso, gosto da tapioca e do churros”, revelou a estudante da Poli Beatriz. “Tem ainda a cantina do teatro-laboratório, o pastel do lado do Sintusp, com tapioca, o restaurante do lado do CA [da ECA]”, lista Coraça.

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