Autora gaúcha lança seu primeiro livro para adolescentes, nesta terça-feira, na Livraria da Travessa de Ipanema

A gaúcha Clara Averbuck, autora do aclamado ‘Máquina de pinball’ Divulgação

A gaúcha Clara Averbuck, autora do aclamado ‘Máquina de pinball’ Divulgação

Marina Cohen em O Globo

RIO – Consagrada como musa da literatura underground após seu primeiro romance, “Máquina de pinball”, de 2002, a escritora Clara Averbuck esta se aventurando, agora, no território dos livros infanto-juvenis. A gaúcha moradora de São Paulo lança “Eu quero ser eu”, para leitores de 12 a 15 anos, na Livraria da Travessa de Ipanema, nesta terça-feira, às 19h. Mas a autora avisa logo que não se trata de um livro típico para adolescentes.

— O livro não contém respostas para eles, só perguntas. A personagem principal, Iracema, é muito questionadora. Ela faz perguntas o tempo todo e não se conforma com os padrões — comenta Clara, que acredita que as garotas vão se identificar bastante com a história. — Fiz o livro pensando nelas. Quero ajudar a fortalecer a autoestima das meninas, para que elas não sejam suscetíveis à aprovação de um ou outro grupo.

Com 68 páginas, “Eu quero ser eu” conta a história de uma garota — Ira, para os íntimos — rotulada como rebelde, que acaba de chegar a um colégio novo, depois de ser “convidada a se retirar” da escola anterior. A melhor amiga de Ira é Rob, uma garota lésbica que, assim como ela, adora rock n’ roll e não se veste ou se comporta para para ter a aprovação de ninguém.

— Só que a Ira começa a gostar do garoto mais coxinha da escola. Ele não tem nada a ver com ela, mas a moça começa a se apaixonar por ele. Ao mesmo tempo, ela não quer abrir mão da sua personalidade para ficar com ele — resume a autora, que fez questão de criar uma heroína nada perfeitinha. — Como toda adolescente, é cheia de contradições. Ela fala que não está nem aí para que os outros pensam, mas usa roupas para tentar esconder os seios, por exemplo.

A escritora, que tem 34 anos, demorou sete anos para finalizar o livro, e ele acabou saindo bem diferente do que tinha imaginado originalmente.

— Agora percebo que eu não estava pronta para falar com esse público naquela época. A demora foi ótima. Nesse meio tempo, tive mais contato com o feminismo e mudei meu discurso. A Ira se questiona muito sobre os papéis das mulheres e dos homens. Por que meninos precisam agir de um jeito e as meninas de outro? — exemplifica Clara.

A autora queimou os neurônios para lembrar de sua adolescência e passar as sensações dessa fase conturbada da vida para as páginas. Mas avisa logo que a obra não é autobiográfica, apesar da personagem principal ter um pouco a ver com a Clara adolescente sim.

— Eu era questionadora também e não me encaixava nos grupinhos que existiam no colégio — lembra a gaúcha. — O chato de ser adolescente é que a gente quer ser independente, mas não é. Se eu tivesse me feito as peguntas que a Ira se faz no livro, teria passado por essa fase com mais tranquilidade.

Animada com a linha direta que construiu com os leitores adolescentes, Clara cogita até transformar a história de Iracema em uma série.

— Fiquei com vontade de escrever uma continuação do livro. Há muitas histórias que ainda podem ser desenvolvidas a partir dele — sugere.

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