Helena Miguel limpa a casa, cozinha e até acorda os jovens pela manhã.
Pais a consultam para saber sobre o dia a dia dos estudantes da Esalq.

Helena Miguel trabalha há 21 anos em república da Esalq em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)

Helena Miguel trabalha há 21 anos em república da Esalq em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)

Publicado por G1

Helena Miguel, de 58 anos, tem três filhos e trabalha há 21 anos na república Fazendinha, onde moram estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP). A emprega doméstica, no entanto, considera sua família bem maior, já que ela “adotou” os universitários que passaram e os que ainda vivem na moradia por todos estes anos. Ela já os acordou para estudar com balde de água, mas evita dar “pitaco” nos namoros.

Em pouco mais de duas décadas de dedicação, ela diz que já cuidou de mais de 50 alunos. A república Fazendinha existe há 56 anos e é uma das mais antigas da Esalq. Mesmo com tanta tradição, a bagunça esperada para uma moradia de jovens estudantes não é vista quando se visita a casa, que fica no Bairro dos Alemães. Boa parte desta organização, segundo os moradores, é obra da “Dona Helena”, como ela é carinhosamente chamada.

Helena Miguel trabalha há 21 anos em república da Esalq em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)

Helena Miguel trabalha há 21 anos em república
da Esalq em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)

De acordo com Helena, as tarefas são muitas. “Eu faço de tudo: limpo a casa, lavo as roupas e cozinho”, disse a doméstica. Mas as tarefas dela vão além das da casas, de acordo com o morador da república José Henrique de Sanctis, conhecido como “D-pois” na faculdade. “Ela acaba sendo nossa mãe longe de casa, pois cobra que a gente estude e mantenha a casa arrumada”, explicou o rapaz.

Ainda segundo o estudante, Helena acorda os moradores quando eles perdem hora e já chegou até a jogar água em alguns quando se recusavam a acordar. “Ela não gosta que a gente durma até muito tarde. Ela quer que a gente levante e vá estudar para deixar o quarto vazio para ela limpar”, contou Sanctis.

“De vez em quando tenho que dar um puxão de orelha nesses meninos. Eles são os filhos que eu adotei, por isso eu tenho que cuidar”, afirmou Helena, que contou também que não conseguiria trabalhar em uma casa de família porque sentiria falta da diversão.

De acordo com Carlos Ballaminut, conhecido na faculdade como “Ballantainis”, que morou na república por dez anos, Helena funciona como um “Google” dos pais dos moradores. “Eles ligam para ela para levantarem informações sobre os filhos. Ela dedura tudo o que fazemos de errado. Mas nós sabemos que ela faz isso porque se preocupa com a gente”, contou o rapaz.

Helena Miguel trabalha há 21 anos em república da Esalq em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)

Helena Miguel trabalha há 21 anos em república da Esalq em Piracicaba (Foto: Leon Botão/G1)

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