Há livros cuja existência pode ameaçar a humanidade. “A revolução por meio da ciência ou fim às guerras”, escrita por um cientista russo, Mikhail Filippov, foi um de tais manuscritos. A obra, destruída pela polícia czarista, nunca foi publicada. Que perigo guardava o livro para o mundo?

Foto: aristeya.livejournal.com

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Anna Fedorova, no Voz da Rússia

Em outubro de 1903, à noite, Mikhail Filippov foi encontrado morto em seu laboratório. Segundo as lendas, o cientista foi assassinado por uma ordem do czar Nicolau II. A polícia apreendeu todos os papéis, inclusive o manuscrito “maldito” “Fim às Guerras”. Como se dizia, o imperador Nicolau II estudou pessoalmente o caso de Filippov, sendo posteriormente o laboratório destruído e os papéis queimados.

Mikhail Filippov estudava o espectro eletromagnético de ondas milimétricas e realizava experiências de transmissão de energia explosiva à distância. O cientista escrevia numa carta ao jornal Boletim de São Petersburgo:

“Sendo muito jovem, li numa obra de Buckle em que se afirmava que a invenção da pólvora tornou menos sangrentas as guerras. Desde então fui dominado pela ideia sobre a possibilidade de uma invenção que poderia fazer as guerras quase impossíveis. Há dias, fiz uma descoberta cuja realização prática acabará de fato com a guerra. Trata-se da minha invenção de um método de transmissão elétrica à distância da onda explosiva, sendo possível transmiti-la a milhares de quilômetros, fazendo, por exemplo, uma explosão em São Petersburgo e transmitindo o seu efeito para Constantinopla. O método é surpreendentemente fácil e barato. Mas, tal guerra à distância se torna um delírio e deve ser erradicada. Vou publicar os pormenores no próximo outono em memórias da Academia de Ciências”.

Esta publicação deveria ser a 301ª obra científica do estudioso. O método de Filippov não teve caráter teórico, o cientista fez de fato uma descoberta extraordinária. Se ele conseguiria publicar a sua pesquisa e esta seria utilizada na Primeira Guerra Mundial, o mundo, possivelmente, deparasse com uma catástrofe. “Posso reproduzir toda a força explosiva através de feixe de ondas curtas. A onda explosiva se transmite completamente ao longo da onda eletromagnética portadora e, deste modo, uma carga de dinamite explodida em Moscou pode transmitir seu efeito a Constantinopla”, escrevia em uma das suas cartas.

Deste modo, Nicolau II salvou da morte a humanidade, mandando assassinar Filippov e destruir suas obras. Como destacou Jaques Bergier na sua obra “Os Livros Malditos”, “A invenção de Filippov, sendo utilizada por militares ou revolucionários, faz parte, a meu ver, daquelas que podem levar ao extermínio total da civilização. Os inventos do gênero devem ser sujeitos a um controle muito rigoroso”.

A personalidade surpreendente de Mikhail Filippov suscita grande interesse: divulgador da ciência, estudioso, escritor, experimentador e revolucionário convicto que era vigiado pela polícia desde os tempos do assassinato do imperador Alexandre II. Ele compôs o Dicionário Enciclopédico de três volumes, fundou na Rússia a primeira séria revista científico-popular Panorama da Ciência, traduziu para francês “Bases da Química” de Mendeleev e publicou o artigo de Konstantin Tsiolkovsky “Estudo do Espaço Interplanetário através de Foguetes”. Filippov era dotado de intelecto extraordinário, capaz de trabalhar na junção de muitas ciências e de sintetizar. O manuscrito “maldito” abria caminho a descobertas contemporâneas, mas também podia causar muitas mortes.

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