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Ana Martins, no Literatortura

Antes de qualquer coisa, eu gostaria que você imaginasse uma biblioteca. Pronto? Bem, aposto que a maioria pensou em estantes de madeira abarrotadas de livros, mesas, cadeiras e poltronas para leitura e um silêncio ininterruptível. Não posso discordar do fato de que este é um belo modo de se imaginar uma biblioteca, mas seria esse o único?

Este texto tem a missão de provar que a resposta para a minha última pergunta é: não. É possível extrapolar na imaginação e adicionar até mesmo elementos como… um burro – o animalzinho mesmo! – na sua biblioteca. E, se ainda restam dúvidas, aqui estão 10 motivos para que você acredite em mim:

Biblioburro: Delivery de livros através de burros

A primeira biblioteca da lista é a Biblioburro: uma livraria ambulante onde Luis Soriano – um professor colombiano que dá aulas no Ensino Fundamental – leva livros até as crianças que não poderiam ter acesso a eles de outra forma utilizando seus dois burrinhos: Alfa e Beto. A biblioteca itinerante de Luis começou nos anos 90 com 70 livros e, hoje, por meio de doações, já extrapola 4800 obras.

Ao ser questionado sobre seu projeto, o professor afirma que “tudo começou como uma necessidade, então se tornou uma obrigação; e depois disso, um hábito. Agora é uma instituição.”.

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The Garden Library: Catalogando histórias emocionais

Localizada no Lewinsky Park, em Israel, esta biblioteca foi feita para refugiados e trabalhadores migrantes. Nela não existem portas nem paredes, é feita com apenas duas estantes iluminadas, uma para adultos e outra para literatura infantil, que reúnem, em seu total, mais de 3500 livros. Os gêneros literários que podem ser encontrados por lá são os mais diversos: quadrinhos, clássicos, best-sellers, entre outros, mas não é exatamente isto que influencia a organização dos livros.

O critério utilizado para a disposição do livros é a emoção do último leitor ao terminar de lê-lo. Assim, são utilizadas etiquetas coloridas que representam emoções como entediante, assustado, depressivo, feliz, bizarro, inspirador.

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Arma de Instruccíon Masiva: Ressignificação a partir de quatro rodas

O Ford Falcon (veículo da imagem acima) representa um período negro na história da Argentina, visto que era dirigido pelo exército e pela polícia secreta anti-comunista durante a ditadura militar que aconteceu no país. Entretanto, o artista Raul Lemesoff sabiamente transformou aquilo que antes era símbolo de medo em conhecimento, quando decidiu fazer do automóvel uma biblioteca que se locomove pelas ruas de Buenos Aires e regiões próximas que não têm acesso às bibliotecas tradicionais.

O intuito de Raul é levar o “ataque de conhecimento” a diversos outros países em breve.

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Bibliotecas mecânicas: 24/7

Existentes desde a década de 1930, as “bibliotecas mecânicas” são uma boa opção para aqueles leitores que buscam praticidade ou que, simplesmente, estão sofrendo de insônia e desejam conferir e emprestar alguns livros. Elas tornaram-se mais populares recentemente, e os primeiros estudos sobre o tema feitos na Califórnia sugerem que a circulação dos livros aumentou em 8% no primeiro ano, enquanto que, em Pequim, o percentual chega a 31% de aumento dos empréstimos de livros.

É claro que este serviço automatizado não pode substituir a sensação de um leitor dentro de uma livraria tradicional, mas concordemos que uma medida que funcione quanto ao interesse na leitura não pode ser de todo mal.

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Biblioteca Sandro Penna: Um OVNI repleto de histórias

Projetada pelo arquiteto Ítalo Rota, a Biblioteca Sandro Penna, localizada na cidade de Perúgia, pode parecer um OVNI – ou um cogumelo – cor-de-rosa fluorescente, mas não passa de uma biblioteca pública que presta serviços à população da cidade. O local foi nomeado em homenagem ao poeta italiano Sandro Penna e possui paredes de vidro que permitem a passagem da luz solar durante o dia e emitem um brilho intenso durante a noite.

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Epos: A livraria flutuante

Financiado por três bibliotecas dos condados que recebem os serviços literários, o barco intitulado como Epos carrega aproximadamente 6000 livros até 250 pequenas comunidades das ilhas no fiorde norueguês, entre os meses de setembro e abril, anualmente. No verão, porém, torna-se um barco para cruzeiros de entretenimento.

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A biblioteca de Sttugart City: Colocando apenas os livros em foco

Por fora, um cubo perfeito cujos ângulos são perfeitamente alinhados com os quatro pontos cardeais; por dentro, uma imensidão branca e angulosa repleta de corredores e estantes, escadas que lembram as obras de Escher e mobília retangular, quebrada apenas pelo colorido das capas dos livros disponíveis para empréstimo. Esta é a biblioteca de Sttugart, na Alemanha, que realiza muito bem sua intenção de focar a atenção dos visitantes apenas nos livros presentes no local.

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Os camelos-biblioteca: Levando a literatura à grupos nômades

Se você achava que só os burros colombianos Alfa e Beto eram capazes de carregar livros das costas, você precisa conhecer os camelos quenianos. Estes camelos carregam não só livros, mas também o equipamento de camping dos bibliotecários. A caravana visita comunidades nômades onde o percentual de alfabetização é de cerca de 15%, pois uma das causas principais é a falta de acesso à materiais.

O programa iniciou-se em 1985 e, desde então, os animais e os bibliotecários ambulantes atravessam o deserto com o fim de distribuir conhecimento. Há uma demanda para que o projeto engrandeça e possa alcançar maiores áreas, o que gera problemas, visto que os camelos utilizados na iniciativa são todos machos. O que resta é torcer para estes rapazes de corcovas encontrem um par e possam continuar um programa tão significativo.

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Mini bibliotecas: Transformando objetos em estantes de livros

Em memória a sua mãe, Todd Bol colocou uma casinha de madeira com livros em frente a sua casa com um aviso para, quem passasse por ali, levar ou deixar um livro. Quatro anos depois foram confirmadas mais de 6000 pequenas livrarias em 40 países, tinha nascido o projeto Little Free Library.

Na Inglaterra, os livros são disponibilizados nas famosas cabines telefônicas; Na Alemanha são feitas “florestas de livros”. Desta forma, cada nação que adotou a troca de livros adaptou a iniciativa de acordo com a cultura local para propagar o incentivo e amor à leitura.

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Biblioteca de Vasconcelos: Entrando na matriz

A biblioteca de Vasconcelos, no México, também é conhecida como a Megabiblioteca. Criada por Alberto Kalach – vencedor de diversos prêmios de arquitetura – a biblioteca parece ter saído diretamente da obra cinematográfica Matrix. Os 500.000 exemplares estão dispostos sobre estantes de cristal, o que nos faz ter a sensação de que eles estão suspensos no ar.

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