palindromista Ziro Roriz

palindromista Ziro Roriz

Publicado por RIC Mais

Você sabe o que são Palíndromos? E palindromia? Leia abaixo uma entrevista que foi feita pela Claudia Cozzela, do Acontece Curitiba, com o palindromista Ziro Roriz e descubra!

Em poucas palavras, o que é palindromia e como você, um professor de matemática, se apaixonou por isso?

Palindromia é uma característica que qualquer idioma possui, desde que um alfabeto fonético (aquele que na escrita produz o som das palavras) seja o padrão de escrita. Quer seja, palíndromo é a possibilidade de um texto ser lido ao contrário da leitura normal, e que assim fazendo, esta leitura contrária reproduzirá, literalmente, letra por letra, a mesma leitura da escrita normal. Desconheço, que línguas com escrita ideográfica (a língua japonesa é um exemplo), possam contemplar a característica palindrômica na escrita. Até mesmo línguas que tenham a escrita normal da direita para a esquerda (o língua árabe e o hebraico são exemplos), e que tenham alfabeto fonético, podem ter textos e palavras palindrômicas.

Compreender os números ajuda a brincar com as letras?

As fórmulas matemáticas são por natureza palindrômicas. Por exemplo o Teorema de Pitágoras, cuja fórmula é: a2 + b2 = c2.Trata-se de uma fórmula palindrômica pois c2 = b2 + a2. Entretanto o que creio ser determinante para a confecção e criação de palíndromos é o vocabulário. Quero dizer, o tamanho ou a quantidade de palavras que o pretendente a palindromista deve conhecer. Para ser mais específico, quanto maior for o vocabulário de domínio da pessoa, tanto mais facilmente poder-se-á criar palíndromos. Desde que se tenha gosto ou curiosidade ou afeição pela palindromia.

Você é autor do mais extenso texto palindrômico em Língua Portuguesa. Quanto tempo você demorou para criar este texto e como foi o processo de criação?

Foi relativamente simples. Pois eu já havia criado mais de 2.000 palíndromos, e algumas frases palindrômicas bem longas, com 50, 70, 90 letras, Então foi sentar-se no computador e começar com uma frase central. Depois fui colocando à direita e à esquerda da frase central, outras frases palindrômicas. Algumas eu já as havia criado, e outras e as criava com o fim específico para aquele texto palindrômico que estava a criar. Creio que demorei, entre várias seções de trabalho, umas 30 horas para compor um palíndromo com umas 200 palavras. Depois fui colocando mais frases palindrômicas até chegar a 285. Quando o palíndromo estava com 285 palavras, o divulguei. Depois aumentei um pouco mais, e cheguei nas 371 palavras (incluso o título que também é palindrômico). E já estou matutando, para aumentá-lo um pouco mais, a ponto de ultrapassar as 400 palavras.

Ana Rita, Leno e Leonel esmagaram-se por acaso ou há sentido na palindromia?

Veja que ANA RITA, quando se faz a leitura palindrômica (da direita para a esquerda) resulta A TIRANA, o que proporcionará um palíndromo. Ou seja, A TIRANA ANA RITA. Agora, LENO E LEONEL, poderá ser uma dupla de cantores sertanejos, e a dupla terá nomes próprios palindrômicos. A palavra esmagam-se, já o é palindrômica. Tudo depende em que contexto ela é colocada na frase. E esmagam-se poderá ser uma bela palavra de ligação entre dois palíndromos.

Escrever um texto palindrômico é fruto de muito estudo ou um talento nato? Pergunto isso porque sem dúvida é muito divertido ler e dá vontade de sair fazendo… Mas realmente parece ser um dom seu.

Como disse Albert Einstein, “a imaginação vem depois do conhecimento”. Digo que, relativamente aos palíndromos, se tem que ter um conhecimento maior que a média da língua, no caso, da língua portuguesa, e depois ter curiosidade e gosto para criar algo diferente. Isto é o que todo o inventor ou criador tem como princípio. E isto ocorre em qualquer atividade humana. Veja os inventores. A lâmpada elétrica não existia, até que alguém resolveu criá-la. O telefone não existia, até que alguém resolveu criá-lo. O perfume Chanel nº 5, não existia, até que alguém resolveu criá-lo. O avião não existia, até que alguém resolveu criá-lo. O rádio … o telégrafo … a roda … o arco e flecha … os objetos de barro ou cerâmica … Nada disto já existia na natureza, até que alguém resolveu os criar.

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