Escritores e ilustradores brasileiros mostram o que vão levar na bagagem na volta ao Brasil. A lista é uma ótima oportunidade de conhecer bons livros para comprar para seu filho – mesmo que pela internet

Feira do Livro Infantil de Bolonha (Foto: Aryane Cararo)

Feira do Livro Infantil de Bolonha (Foto: Aryane Cararo)

Aryane Cararo, na Revista Crescer

CRESCER perguntou aos escritores e ilustradores brasileiros que foram à Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, quais livros eles adquiriram e vão colocar na bagagem de volta ao Brasil – afinal, é a primeira edição em que uma livraria é montada para vender as obras expostas nos estandes. A lista ajuda a mostrar o pensamento dos artistas brasileiros, suas influências e é uma ótima indicação de literatura para dar para os filhos. Mesmo que elas sejam em outras línguas, não há barreiras para inventar histórias a partir das imagens – e os sites de compras estão aí para facilitar muitas dessas aquisições agora ou assim que forem lançadas.

Marilda Castanha (dir.) e Eva Montanari (esq.)

Marilda Castanha (dir.) e Eva Montanari (esq.)

 

 

 

 

A autora Marilda Castanha (dir.) vai colocar na mala Henri é Matisse e io… chi sono?, um presente da autora Eva Montanari (esq.). Mas também levará Um Leone a Parigi (de Beatrice Alemagna), que queria comprar há bastante tempo. “É um livro que me arrebatou desde a primeira vez que vi e não pode faltar na minha estante.” Ela também comprou Le Ballon Rouge, um livro de imagens, por causa da narrativa. “Todos os livros, de certa forma, são para consulta, para ter mais ousadia nessa volta para casa.”

Eva Furnari

Eva Furnari

 

 

 

 

 

Eva Furnari também levará sacolas de livros para casa. Alguns, ela sequer consegue ler o título, pois os caracteres são indecifráveis para ocidentais. Outros são no idioma natal de Eva, que é italiana, mas criada no Brasil, como o Cimpa la Parola Misteriosa, de Catarina Sobral. “Escolhi livros pela imagem, só coisas que me alimentam e me levam, talvez, a modificar meu trabalho ou ter ideias ou estéticas que me acrescentam algo”, conta. Outro critério que Eva adotou para escolher o que levar foi perguntar o que as crianças estavam lendo e comprando. Além disso, ela adquiriu obras do leste europeu, mais difíceis de encontrar em sites de compras de livros.

Fernando Vilela (esq.) e Stela Barbieri (dir.)

Fernando Vilela (esq.) e Stela Barbieri (dir.)

 

 

 

 

 

 

O casal de autores Stela Barbieri e Fernando Vilela chegará ao Brasil com mais de 30 livros adquiridos na Feira de Bolonha. Entre seus principais achados, eles destacam La Chica de Polvo, de Jung Yumi, que ganhou o BolognaRagazzi Award categoria New Horizons, Coleurs du Jour, de Kveta Pacovska, e Fiume Lento un Viaggio Lungo il Po, de Alessandro Sanna. “Para a gente, tem uma coisa do livro como obra de arte. Procuramos obras com recursos gráficos, intencionalidade de cores, os recursos usados para contar as histórias”, explica Stela.

 

Eloar Guazzelli e sua escolha

Eloar Guazzelli e sua escolha

 

 

 

 

 

O ilustrador Eloar Guazzelli levará na bagagem o livro Minhas Primeiras 80 mil Palavras, da editora espanhola Media Vaca. A obra é um apanhado das palavras favoritas de 333 artistas de 33 países.

 

Dálcio Machado

Dálcio Machado

 

 

 

 

 

 

O cartunista e autor infantil Dálcio Machado veio com um objetivo: levar todos os livros de Oliver Jeffers e da argentina Isol que não tem em casa. “O Oliver tem uma pegada de cartunista, um humor refinado. E é um bom artista plástico, ele pega tudo o que sabe de trabalho acadêmico e simplifica para o desenho infantil. É uma simplicidade enganadora”, explica Dálcio.

Sobre o trabalho de Isol, ele diz que já gostava dela desde quando era só música, mas que ficou encantado depois do livro Ter um Patinho é Útil. “Não é só a história ou o desenho, é a maneira como eles são mostrados, o formato.”

Odilon Moraes

Odilon Moraes

 

 

 

 

 

 

 

Odilon Moraes saiu da feira cheio de sacolas. Além de ilustrador, ele dá aulas de história do livro ilustrado e procurou raridades como 2 Quadrados, publicado pela MeMo, que é um livro construtivista russo de 1922. “Por conta das aulas, procuro comprar os livros que não têm no Brasil e que nunca vão ter.”

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