Página ‘Eu me chamo Antônio’ tem 700 mil seguidores no Facebook. Filho de brasileira e suíço, autor começou a falar português aos 12 anos.

Pedro Gabriel no Café Lamas, local de inspiração para seus desenhos e poesias (Foto: Lívia Torres / G1)

Pedro Gabriel no Café Lamas, local de inspiração para seus desenhos e poesias (Foto: Lívia Torres / G1)

Publicado por Jornal O Nortão

1Com caneta e guardanapo em punhos, no Café Lamas, tradicional bar do Flamengo, Zona Sul do Rio, Pedro Gabriel, de 29 anos, construiu um acervo de frases desenhadas. As ilustrações ganharam vida e são sucesso em várias plataformas na web — no Facebook, “Eu me chamo Antônio” tinha cerca de 700 mil seguidores nesta quinta-feira (26). A brincadeira virou um livro, publicado em novembro. Agora, além de viajar pelo Brasil para promover a obra que jura só conseguir produzir no bar, ele quer criar animações em stop motion (técnica que utiliza fotografia quadro a quadro) e postar no YouTube.

“Acho que o ambiente do bar me deixa muito à vontade para criar. Já sou amigo dos garçons e tudo. Até tentei criar em casa algumas vezes, mas não soava muito sincero. Nunca pensei que, em pouco mais de um ano, a história que nasceu no balcão de um bar fosse virar um livro. E mais, fosse virar um livro aceito por muita gente. Quero ver agora como as pessoas vão reagir com vídeo e não com fotografia.”

Pedro escreve suas poesias no Café Lamas (Foto: Lívia Torres / G1)

Pedro escreve suas poesias no Café Lamas (Foto:
Lívia Torres / G1)

Português aprendido aos 12
Nascido no Chade, país da África que fica ao sul do deserto do Saara, o publicitário filho de mãe brasileira e pai suíço aprendeu o português aos 12 anos, quando veio morar no Brasil. “A grafia das palavras em português foi crescendo junto comigo”, diz.

Tudo nasceu no final de 2012, quando ele voltava do trabalho e decidiu parar no bar para tomar um chope. A página foi batizada dessa forma pelo fato de ele sempre ser chamado de Pedro ou Gabriel — que é seu sobrenome —, mas nunca pelo nome do meio, Antônio, espécie de alter ego, como ele mesmo explica.

“Eu estava voltando do trabalho depois de um trânsito caótico que peguei num dia de chuva e resolvi parar lá, já que é um bar perto da minha casa. A única plataforma que eu tinha nas mãos era um guardanapo. Escrevi e fotografei, porque eu gostei do resultado. Depois de um tempo eu percebi que tinha bastante material guardado. Aí decidi criar uma página na internet para preservar essas criações e evitar que esse material não se deteriorasse com o tempo.”

Com portfólio de 1,5 mil guardanapos, Pedro conta que só consegue criar no balcão do Lamas e que todas as vezes que se arriscou a fazer os rabiscos em casa, não conseguiu mostrar o resultado final para ninguém.

Em um guardanapo, ele começou a desenhar suas poesias (Foto: Arquivo Pessoal / Pedro Gabriel)

Em um guardanapo, ele começou a desenhar suas poesias (Foto: Arquivo Pessoal / Pedro Gabriel)

Me inspiro em Paulo Leminski, Millôr Fernandes, Arnaldo Antunes e Mário Quintana”
Pedro Gabriel
Versos como “Todo cuidado é oco”, “O melhor lugar do mundo nunca foi um lugar”, “O horizonte é o abraço que você nunca me deu”, “As nossas falhas também poderiam cair no outono”, foram aos poucos ganhando novas formas e tipografias. Com frases curtas, Pedro busca referências literárias em poetas e escritores que usam versos impactantes.

“Hoje eu posso dizer que me inspiro em Paulo Leminski, Millôr Fernandes, Arnaldo Antunes e Mário Quintana. Geralmente são poetas que escrevem pouco, já que os poemas deles são curtos, mas traduzem tudo que eles querem dizer. A fonte que eu faço é desenhada, manuscrita e começou bem infantil. Meu primeiro guardanapo parecia até uma criança escrevendo, mas foi evoluindo depois de muita prática. Costumo dizer que é um labirinto de todas as coisas que eu sinto. São palavras desenhadas mesmo”, explica.

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