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Caio Raphael Passamani, no Literatortura

Neste dia 8 de Abril comemora-se mundialmente o Combate ao Câncer. A data tem como intuito conscientizar líderes políticos e a sociedade para o crescimento dos índices da doença. Em consonância com o IBGE, o acometimento da doença vem crescendo das últimas duas décadas.

É em tal viés que, a fim de homenagear a heroica luta travada por pacientes acometidos pelo câncer, o Literatortura publica aqui uma resenha dum dos maiores fenômenos literários dos últimos meses:A Culpa É Das Estrelas, escrito por John Green.

A resenha apresenta pouquíssimos spoilers para que aqueles que ainda não leram a obra literária o façam – antes de assistir à sua adaptação cinematográfica que estreia, a nível nacional, em 12 de Junho deste ano. O texto conta ainda com uma breve explanação sobre a inspiração de Green para escrever seu best-seller. Boa Leitura!

Nome da obra: A Culpa É Das Estrelas
Nome do autor: John Green
Ano: 2012
Páginas: 288
Editora no Brasil: Intrínseca
Assunto: Literatura Estrangeira
Média de preço: R$30,00

A Culpa É Das Estrelas (original: The Fault In Our Stars) é o quarto romance escrito por John Green, publicado ao redor do mundo no ano de 2012. A despeito de a obra ser considerada como infanto-juvenil (ou YA: Young-Adult), a abordagem temática segue uma linha bastante próxima à realidade – nada idealizada, nada fantasiosa. Por meio duma narrativa eletrizante composta por momentos tanto cômicos quanto trágicos, o autor traz a lume a batalha diária travada por aqueles que têm câncer – assunto que, até o momento, pouco fora abordado em âmbito literário.

A história do livro é narrada por Hazel Grace: uma adolescente de 16 anos que, desde os 13, tem de encarar um câncer na tireoide que evoluiu para uma metástase no pulmão. Seu cotidiano difere-se dos demais ao passo que, a fim de conseguir respirar, a jovem há de andar a todo o momento com um cilindro de oxigênio e uma cânula no nariz. Somando-se a isso, a doença terminal a coloca numa constante expectativa de morte. Ao perceber o recorrente comportamento módico e recatado de Hazel, sua mãe resolve levá-la ao médico que, finda a análise, alega o estado de depressão da jovem. Por tal razão, Hazel começa a frequentar um grupo de apoio uma vez por semana.

Não obstante, sua vida muda por completo quando conhece, na tal reunião semanal, Augustus Waters (Gus): um adolescente de 17 anos que perdeu uma perna para o osteosarcoma (um tipo de câncer nos ossos que se propaga para outros membros) e, por conseguinte, teve de interromper sua carreira enquanto jogador de basquete. Neste ponto, John Green trabalha de maneira fluida duas posições antagônicas que pessoas com câncer (ou sem) podem tomar: ao passo que Gus teme o esquecimento e é vidrado em deixar sua marca no mundo, Hazel pouco liga para tal questão afirmando que, por ser uma “bomba-relógio”, quanto menos pessoas ela machucar quando morrer, melhor.

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Na adaptação cinematográfica, ShaileneWoodley faz o papel de Hazel Grace e AnselElgort, de Augustus Waters.

A divergência de ideias quanto à posição existencial não os impede de se apaixonarem um pelo outro. E então o leitor se depara com outro dilema que, assim como Hazel, outros pacientes acometidos por doenças terminais enfrentam: frente a uma grande paixão, é melhor se entregar de corpo e alma ou restringir os impulsos humanos para – caso a morte bata à porta – não causar sofrimento em terceiros? A narrativa de Green revela com o passar dos capítulos que, a bem da verdade, não há vez para opções como controlar e vetar sentimentos.

A protagonista apresenta o seu livro predileto para Augustus (a obra fictícia Uma Aflição Imperial) e este, ao perceber que o livro não apresenta um fim para cada personagem, faz com que os dois possam ir à Holanda – local onde o fictício autor mora – em busca das respostas literárias pelas quaisHazel Grace tanto esperava. É nesse vertente que os dois adolescentes ficam juntos e aproveitam o pequeno infinito que a vida lhes reserva.

A proposta escolhida por John Green certamente é algo que foge da normalidade – não é sempre que temáticas como o câncer são tratadas numa prosa literária. O diferencial do autor é trazido a lume ao observar o modo como ele conseguiu discorrer sobre o tal assunto. Isso porque, num primeiro momento, tem-se como clara a seriedade dos meandros que circundam doenças terminais: as batalhas travadas pelo paciente que sofre com a doença terminal e as possíveis infelicidades que podem acontecer. Não obstante, em A Culpa É Das Estrelas, Green consegue desenvolver a temática evidenciando tanto momentos cômicos quanto momentos trágicos da vida de Hazel Grace – sem perder o devido respeito que há de ser apresentado.

Vale ressaltar que a ideia para escrever a obra literária advém do trabalho que John fez num hospital infantil. Partindo das experiências adquiridas no local, o autor quis criar uma narrativa em que o paciente duma doença terminal não fosse retratado como um estranhoexcluso, mas sim como um ser humano como outro qualquer.

Em tal ponto, é de bom siso dizer que a protagonista Hazel Grace foi inspiradaem Esther Earl: uma colega de John que, aos 16 anos, morreu de câncer na tireoide. Segundo Green, a jovem demonstrou que uma vida curta podia ser uma vida completa. A inspiradora passagem de Esther pela Terra contribuiu para que sua família criasse a instituição This Star Won’t Go Out (Esta Estrela Não Vai Se Apagar) – uma organizaçãonão-governamental cujo intuito é amparar famílias de crianças com câncer. Posteriormente, Earl teria os relatos de seu diário compilados na biografia A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar (Intrínseca; 448 páginas), que conta com uma introdução escrita por Green.

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Esther Earl

A obra de John Green, como dita o hábito da literatura infanto-juvenil, apresenta um romance arrebatador (que foi mencionado acima). Ponto esse resulta diretamente no aumento do número de vendas – especificamente em meio àqueles que estão passando por mudanças sócio-hormonais. Green, em A Culpa É Das Estrelas, apresenta linguagem e escrita condizentes com a realidade juvenil vigente, o que implica a leitura fluida e natural da obra. A visão nada utópica da realidade social, por sua vez, leva o leitor a reflexões até então pouco exploradas, visto que a literatura fantasiosa fascinou o público infanto-juvenil pela maior parte do século presente.

A Culpa É Das Estrelas atingiu grande popularidade ao redor do mundo: atingiu o posto de livro mais vendido por sites como Amazon.com e Barnes &Noble; revistas como Veja e jornais como The New York Times(neste, permaneceu como mais vendido por 7 semanas consecutivas). Há de se dizer, não obstante, que esse sucesso é resultado das ações do próprio autor. Divergindo da normalidade do meio literário, John Green mantém, desde 2007, juntamente a seu irmão, um canal no site Youtube no qual discorre tanto sobre assuntos literários quanto outras temáticas que permeiam o cotidiano da juventude contemporânea. Iniciativa essa cria certamente uma maior proximidade para com o leitor.

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Da esquerda para a direita: o ator da personagem Isaac, John Green, o ator de Augustus e de Hazel

Qual fora a aceitação entre o público jovem, a obra literária ganhará uma adaptação cinematográfica, produzida pela 20th Century Fox e dirigida por Josh Boone.Confira abaixo o trailer legendado do filme:

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