Editora diz que quer corrigir forma como os negros são retratados no romance original

Mammy era um dos personagens principais do romance que inspirou o famoso filme Divulgação

Mammy era um dos personagens principais do romance que inspirou o famoso filme Divulgação

Publicado em O Globo

RIO – Mammy, a escrava dedicada a sua senhora Scarlet O’Hara, em “E o vento levou”, terá sua própria história contada em um livro escrito por Donald McCaig. De acordo com o editora da obra, a iniciativa é uma “correção necessária” sobre o jeito como os personagens negros são retratados no best-seller de Margaret Mitchell adaptado para o cinema em 1939.

Já autorizado pelo espólio da escritora, o romance se passará antes dos acontecimentos de “E o vento levou”. McCaig, o novo autor, deu um passado e um nome de verdade para Mammy, que se chamará Ruth. A obra será publicada em outubro pela editora americana Atria. Em nota, a editora afirma que o escritor faz um retrato de uma Mammy “intensa e cheia de nuances, uma disciplinadora que jamais experimentou a liberdade.”

Em “E o vento levou”, a personagem de Mammy — que rendeu um Oscar de atriz coadjuvante a Hattie McDaniel na versão cinematográfica da história — não é descrita com muitos detalhes. Ela é retratada como uma parte leal e amorosa da família de Scarlet O’Hara. O livro com sua história começa na ilha de Saint Domingue, hoje Haiti, local de origem da família de Mammy. Ela é salva por imigrantes franceses, que a levam para os Estados Unidos.

Peter Borland, diretor editorial da Atria, disse ao “New York Times” considerar Mammy um personagem tão “fascinante e crucial” que desejou criar uma história própria para ela. “O mais notável do livro escrito por Donald McCaig é como ele respeita e honra o romance original, mas também promove uma correção necessária de um dos aspectos mais perturbadores do romance, que é a forma como os negros são representados”, disse Borland.

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