Fernanda Reis, na Folha de S.Paulo

O título “O Amor Chegou Tarde em Minha Vida” pode dar a impressão de que o novo livro da jornalista Ana Paula Padrão, 48, é uma autobiografia centrada em seu casamento com o empresário Walter Mundell. Não é.

Ela própria esclarece em entrevista: “Tem vários períodos no livro que falam de mim, ou da minha história, mas não chega a ser uma biografia. Usei minha história como pano de fundo para falar das mulheres da minha geração”.

O cerne do livro é a relação das mulheres com o mercado de trabalho —principalmente daquelas que ingressaram nele, como Padrão, nos anos 1980—, tema ao qual a jornalista tem se dedicado desde que deixou a bancada do “Jornal da Record”, em 2013.

A jornalista Ana Paula Padrão / Divulgação

A jornalista Ana Paula Padrão / Divulgação

Ela toma como exemplo sua própria trajetória profissional, da jovem de roupas “dark” começando no jornalismo até suas passagens pelas emissoras Globo, SBT e Record para mostrar como as mulheres de sua geração tiveram de sacrificar lazer e vida familiar pelo trabalho.

“Nossa geração não tinha modelos femininos para copiar e tinha muito desejo de entrar no mercado de trabalho. Acabamos copiando os homens sem pudor”, diz.

Ela acrescenta que essas mulheres enfrentaram custos altos por colocar a carreira em primeiro lugar. “Algumas mulheres não tiveram família. Outras tiveram casamentos dificílimos, destruídos.”

Para ela, que hoje pesquisa assuntos femininos, as empresas foram criadas por homens e para homens.

Quando se casou com Walter Mundell, em 2002, ela diz ter sentido essas questões na pele. Quando ele acordava, ela estava dormindo; quando ele chegava em casa, ela estava no trabalho, se preparando para apresentar o “Jornal da Globo” (no ar por volta da meia-noite); quando ela chegava em casa de madrugada, ele já estava dormindo.

Padrão tinha outras prioridades, que levaram-na a deixar a bancada de um dos mais importantes jornais da Globo (onde começou a trabalhar em 1987) em 2005 e, anos depois, o telejornalismo.

“Não é possível estar 100% em todos os lugares, por um motivo muito simples. Isso é ser a Mulher Maravilha, e ela não existe. Dá para ter tudo, mas não ao mesmo tempo”, afirma Padrão.

Ela avalia que a postura feminina em relação ao trabalho vem mudando porque a jovem não quer repetir a vida de sacrifício da mãe.

“Para a menina que começa a trabalhar hoje, a família, o lazer, o tempo de ócio e de ser criativa também são importantes”, afirma.

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