Murong Xuecun (Foto: DV)

Murong Xuecun (Foto: DV)

Bruno Astuto, na Época

O escritor chinês Murong Xuecun é uma das raras vozes que se levantam contra o cerceamento à liberdade de expressão em seu país natal. Com mais de 8,5 milhões de seguidores no Weibo, espécie de Twitter chinês, é um dos autores mais populares e polêmicos da China, escreve para o jornal The New York Times e chega ao Brasil nesta semana para lançar na 2a Bienal de Brasília seu romance de estreia, Deixe-me em paz (Geração Editorial), que vendeu mais de 1 milhão de exemplares em todo o mundo. Antes de embarcar, ele falou a ÉPOCA.

Que tipo de censura você ainda sofre na China?

Na China, todos os jornais, emissoras de televisão e editoras são propriedades do governo, os diretores são também funcionários do governo, e podem ser destituídos por esse de seus cargos a qualquer momento. Além disso há uma censura prévia às publicações. O censor exclui tudo o que lhe parece problemático. Só recentemente alguns dos meus antigos livros foram publicados. Devido ao meu discurso dos últimos anos, muitos editores têm medo de meus livros.

Por que você acha que o governo não censura seus posts no Weibo?

Claro que o governo revisa meu microblog, a maioria dos meus comentários são excluídos, aparecem criptografados, só eu posso ver, e frequentemente está lento; minhas publicações demoram a carregar. Sou amordaçado. Além disso, o governo cancela minha conta constantemente, desde maio do ano passado até agora, já cancelaram 12 vezes.

Muitos países da América Latina estão enfrentando problemas em relação à restrição à imprensa. Que conselho poderia nos dar?

Qualquer tipo de liberdade não vem espontaneamente; exige muito esforço e luta. Para escritores, repórteres e editores dos meios de comunicação, a liberdade de expressão é um dos direitos mais importantes. Devemos lutar contra um sistema que não é livre, mas devemos estar preparados para enfrentar restrições, pressão ou até mesmo prisão. Homens corajosos devem lutar contra a censura e aqueles que não são corajosos, pelo menos, devem apoiá-los em seus corações.

Sua literatura é forte, de alguma forma niilista. Você é um pessimista dos nossos tempos?

Antes dos 35 anos, eu era niilista e também pessimista. Agora eu mudei de opinião vendo os protestos dos últimos anos, tenho visto o poder da civilização, vi pessoas enganadas e escravizadas despertarem. Vi o pânico dos que abusam do poder e comecei a acreditar no futuro, a acreditar neste mundo.

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