Publicado por Folha de S.Paulo

Horace Engdahl, secretário permanente da Academia Sueca e um dos juízes que anunciarão o ganhador do prêmio Nobel quinta (9) afirmou que “cursos de escrita criativa empobrecem a literatura”.

Em entrevista ao jornal francês “La Croix”, o sueco afirmou que a “profissionalização” da escrita, por meio de subsídios e ajuda financeira, tem um efeito negativo sobre a literatura. “Mesmo que eu entenda a tentação, eu acho que isso tira os escritores da sociedade e cria relações nada saudáveis com as instituições”, disse.

“Antigamente, escritores trabalhavam como taxistas, caixas, secretárias e garçons pra viver. Samuel Beckett [autor de “Esperando Godot”] e muitos outros viviam assim. Era difícil, mas eles conseguiam se alimentar de uma perspectiva literária”.

O secretário da Academia Sueca anuncia para a imprensa o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2001 / Henrik Montgomery - 11.out.2001/AFP

O secretário da Academia Sueca anuncia para a imprensa o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2001 / Henrik Montgomery – 11.out.2001/AFP

Um dos 18 juízes do Nobel, Engdahl também disse que há um problema no “lado ocidental, porque quando se lê autores asiáticos e africanos, encontramos alguma liberdade de novo”, que ele diz esperar que não seja “diminuída em uma assimilação cultural desses autores”.

Ele criticou romances que “se pretendem transgressores”. “Esses escritores, normalmente educados em universidades americanas ou europeias, não transgridem nada, porque os limites que eles consideram necessários transgredir não existem”.

Para o crítico britânico Robert McCrum, os comentários do secretário “refletem o pensamento informal de uma grande parte da comunidade literária mais velha, especialmente dos anti-americanos”.

Em 2008, Engdahl havia dito que “os Estados Unidos são muito isolados, insulares. Eles não traduzem o suficiente e não participam o suficiente das discussões literárias”. O último americano a ganhar o Nobel foi Toni Morrison, em 1993.

O prêmio Nobel de Literatura, maior honraria na área, é concedido a um escritor por ano desde 1901. O vencedor recebe, atualmente, a quantia de oito milhões de coroas suecas (R$2,7 milhões). Em 2013, a escritora de contos canadense Alice Munro foi a laureada pela Academia.

Estão cotados para esta edição o japonês Haruki Murakami, o americano Philip Roth, a bielorussa Svetlana Alexievich, o poeta sírio Adonis, o francês Patrick Modiano, o norueguês Jon Fosse e o austríaco Peter Handke (ganhador do prêmio Ibsen de 2014)

Já receberam o prêmio autores como o colombiano Gabriel García Marquez (1927-2014), a polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012), e o português José Saramago (1922-2010).

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