Os autores Clóvis Barros Filho e Júlio Pompeu dialogam sobre questões filosóficas e a busca de valores pela sociedade

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Publicado em Revista Galileu

Um mês e meio de mensagens de voz pelo WhatsApp entre os filósofos Clóvis Barros Filho e Júlio Pompeu foram o suficiente para compilar ideias para um livro.

Clóvis mora em São Paulo e Júlio mora em Vitória e essa foi a forma mais fácil que eles encontraram para dialogar – o resultafo foi o livro Somos Todos Canalhas: filosofia para uma sociedade em buscas de valores (Leya, R$ 23,90).

publicação conta com diálogos dos dois autores do início ao fim. Começando com os filósofos gregos até chegar nos dias atuais, de fidelidade e tolerância, discutindo os conceitos filosóficos de valor, belo, justo e sagrado. O título comercial chama atenção pela afirmação, mas Clóvis conta que o nome do livro deveria ser seguido por um ponto de interrogação: somos todos canalhas?

“O ‘canalha’ é o atributo de uma conduta, não de uma pessoa – como se poderia imaginar. Até por que para afirmar que alguém é canalha, precisaria que esse alguém agisse ‘canalhamente’ 100% do tempo, o que é muito pouco provável”, explica Barros Filho. “É completamente absurdo pensar que alguém seja canalha o tempo todo. O título é por conta da editora”.

Logo na introdução os autores tratam de elucidar que, apesar do título, o livro não pertence a editoria de auto-ajuda e sim de filosofia.

‘Nem conclusão nem considerações finais”

As conversas entre os autores não são conclusivas, mas reflexivas, já que não trazem uma resposta final sobre a nossa ‘canalhice’. De fato, não somos canalhas o tempo todo, mas em algum momento de escolhas certamente já agimos de forma canalha.

“Todo homem delibera sobre sua trajetória pessoal. Projeta situações desejadas, decide sobre meios adequados, descarta outros e age. Intervém no mundo transformando-o ininterruptamente”, afirma um trecho da última parte do livro.

“Sendo a canalhice o atributo de uma conduta, essa pergunta [somos todos canalhas?] é improcedente. Mas se a pergunta for ‘agirmos todos de forma canalha?’ Eu diria sim, agimos todos de forma canalha em algum momento. Porque em nosso cotidiano tomamos decisões a fim de garantir conforto pessoal, atrapalhando a convivência com o próximo”, afirma Barros Filho.

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